Flores

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O Brasil político é perene carnaval, entrevista de Roberto Romano ao UOL.

https://www.youtube.com/watch?v=w7HI0STiokQ

Não deixar a política para os políticos, entrevista de Roberto Romano para a CBN/Campinas.

https://www.youtube.com/watch?v=3iB2gth6LxI

Democracia e Luzes, aula magistral Unicamp, Roberto Romano

https://www.youtube.com/watch?v=ug-FUzTUpMw

Senado Popular, página da Senadora Marta Suplicy.

http://www.senadopopular.com.br/news_mostra.asp?id=3024

Revista imprensa, a guerra ainda não estava no auge, mas o perfume não era agradável. O pior viria...Roberto Romano


Por: Pedro Venceslau
Crise com chopp:
oito personalidades analisam o cenário brasileiro
“A crise na mesa do bar”

Uma mesa de bar revela verdades escondidas. Parece ser o cenário ideal para conversas descomprometidas em que a opinião – até a mais ácida, quem sabe – não se deixa intimidar. A Revista IMPRENSA reuniu, em uma mesa de bar, nesta matéria que CONTATO reproduz parcialmente com exclusividade - Estela Ribeiro, apresentadora da TV Cultura, Gustavo Petta, presidente da UNE, Marcelo Bonfá, apresentador do programa “Outro Olhar”, Roberto Romano (Filósofo), Zé do Caixão (cineasta), Eduardo Suplicy (senador), José Ângelo Gaiarsa (psiquiatra) e Márcia Tiburi (programa Saia Justa, da GNT). Entre um chopp e outro, servimos um prato tão amado quanto refogado de jiló: a crise política. O resultado foi esta conversa. Este papo completo você encontra na próxima edição de IMPRENSA .

Pedro Venceslau: O Governo tem acusado a imprensa de estar promovendo um linchamento na cobertura da crise. Vocês acham que os jornalistas estão forçando a barra?
GUSTAVO PETTA: Estão dando mais espaço para as denúncias de hoje do que deram para denúncias passadas. Um exemplo: no governo Fernando Henrique, no episódio de compra de votos para a emenda da reeleição, ficou provado, com uma gravação, que houve um crime. Mas eles [Governo] conseguiram impedir uma CPI. No caso dessa crise de hoje, quem está fazendo a cobertura mais desproporcional é a revista Veja, que é um panfleto norte-americano escrito em português.
MARCELO BONFÁ: O fato é que o presidente só deu uma entrevista coletiva até hoje. Só recebeu jornalistas uma vez. Isso contribui...
ESTELA RIBEIRO: Recebeu a moça em Paris... aquela entrevista polêmica. E depois fez aquele pronunciamento...

Pedro Venceslau: Vocês acreditam que existe uma predisposição da imprensa para bater no Lula?
ROBERTO ROMANO: Nesse momento, não dá para brincar de Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau. A imprensa não é Chapeuzinho Vermelho e nem o Governo é Lobo Mau. A imprensa de esquerda não é diferente. Ela é mais intolerante do que boa parte da imprensa burguesa.
JOSÉ MOJICA MARINS [ZÉ DO CAIXÃO]: O povo só toma conhecimento do que está acontecendo lá fora através da imprensa. Mas sempre existem aqueles que ficam meio calados e os que batem mais forte. É uma questão de redação. Só não acredito que, hoje em dia, as revistas tomem posições de esquerda ou direita. É tudo uma questão de vendagem.
ESTELA: O que antigamente era divulgado em pílulas ou matérias em alguns telejornais e revistas, agora é televisionado integralmente. O bombardeio de denúncias, embora sem provas, que a gente assiste todas as tardes na CPI é infinito.
BONFÁ: O Gustavo falou da revista Veja. Só que no Brasil a população se informa por rádio e TV, e não por revista e jornal. A cobertura que está valendo é a cobertura por telejornais...
PETTA: Mas as revistas acabam ajudando a formação da opinião pública e pautando a própria TV.
EDUARDO SUPLICY: Quando o Pedro Collor de Melo deu aquela entrevista à Veja, em 1992, eu liguei para o José Dirceu – deputado federal – e disse: “vamos ouvir o Pedro”. Fomos até o hotel Maksoud Plaza [onde Pedro estava hospedado] e o ouvimos por cinco horas. Saímos de lá tão indignados que fomos para a minha casa juntos e escrevemos o requerimento para formar a CPI. Foi isso que deu origem à campanha por ética na política, à CPI e ao afastamento de Collor, em dezembro daquele ano.
JOSÉ ÂNGELO GAIARSA: Logo que eu vi o começo da crise na Veja, me deu vontade de escrever para eles algo assim: “Na sua próxima capa diga quem no Brasil é honesto” [risos]. Eu só acredito na honestidade de um brasileiro que teve oportunidade de ser desonesto e não foi. Porque a simples declaração de que eu sou honesto não prova nada.
ESTELA: Eu acho que o papel da imprensa, ao televisionar essas situações todas, é mostrar para as pessoas o que está acontecendo, e, a partir daí, elas terem um segundo para pensar e esperar que tudo isso precisa ser provado, antes de qualquer coisa.
MÁRCIA TIBURI: A imprensa não é consciente da sua condição de poder, e isso não permite que ela se trate como tal. Se a imprensa mostra qual é o seu jogo, ela deixa de ser um poder como dominação e se transforma justamente num poder de expressão.

MOJICA: Eu não tenho nada contra o Lula. Aliás, ele é fã dos meus trabalhos. Mas eu acho que ele foi infeliz numa coisa que está abalando praticamente o Brasil todo. Quando ele se orgulha em dizer que chegou à Presidência da República sem precisar passar por vereador e que não precisou de estudo, isso vai mexer com as crianças, que vão dizer: “Por que eu tenho que estudar?”.
Pedro Venceslau: A grande maioria do povão que acompanha a crise nos telejornais só guarda da matéria as palavras “crise”, “dinheiro”, “mensalão”, “Jefferson” e “mala”.
ROMANO: E cueca [risos].
BONFÁ: Você ainda acha que ele é a nossa cara?
GAIARSA: Eu não sei se é tão mau que ele seja a nossa cara. Eu acho ótimo.
BONFÁ: Ainda sobre a questão da cobertura... É fundamental no regime democrático a imprensa estar viva, forte. A cobertura do “Jornal Nacional”, por exemplo, mudou muito e hoje é a mais profissional.
Pedro Venceslau: Está mais independente?
BONFÁ: Ninguém é imparcial totalmente. Claro que as empresas têm o interesse delas.
ROMANO: Esse é o drama da Caros Amigos. Sempre tem carta de leitor dizendo: “Como vocês aceitam propaganda do Governo?”. E eles tentam justificar...
BONFÁ: Tem que sobreviver, né?
MÁRCIA: Isso é também uma corrupção. Eu gosto muito daquela frase: “A publicidade é a prostituição da ação”. Eu acho que é um contra-senso haver publicidade política como há no Brasil. É um absurdo. A publicidade é sempre enganadora e mentirosa.
MOJICA: Eu acho que no mundo todo política não é mercadoria. Aqui no Brasil é. Porque aqui sou eu que lido com uma série de empresários que procuram financiamento das minhas fitas. A primeira coisa que me perguntam é: ‘Você tem amizade com algum político?’. Se eu indicar fulano, cicrano, beltrano, eles vão comprar. Então, a política se torna uma mercadoria...
BONFÁ: Zé, você acha que hoje existe liberdade de imprensa?
MOJICA: Eu acho que não.
GAIARSA: Os malefícios do jornalismo. Como ele também guerreia para vender notícia, para chamar atenção, ele produz no público uma coisa que os místicos chamavam de dissipação de espírito. Ninguém se concentra nos problemas importantes do Brasil.
Pedro Venceslau: Vamos levantar outro ponto de debate. O Petta, recentemente, liderou uma passeata que ficou conhecida como “pró-Lula”. No dia seguinte, houve uma passeata contra o Lula. Eu fiz essa introdução para levantar o debate. Dá para comparar o Collorgate com esse caso de hoje.
BONFÁ: A diferença é que o Lula não convocou ninguém para ir às ruas defendê-lo...
Pedro Venceslau: Pois é, houve uma mobilização espontânea. Mas o que eu queria levantar é se dá para comparar o escândalo Collor com o de Lula. Você tem o Delúbio e o PC. A Karina Somaggio e o motorista Eriberto. Existem personagens muito parecidos.
PETTA: A imprensa procura sempre polarizar opiniões. Nossa mobilização teve como objetivo exigir a apuração dos casos de corrupção. Nós achamos que não adianta só cassar seis ou sete deputados.
BONFÁ: Não dá para comparar Collor e Lula. Eu acho que o Lula não ficou com nada para ele.
ROMANO: Esse governo cometeu uma série de erros estratégicos em relação à democracia. Não se trata de comparar com um governo como o do senhor colorido, de se comparar com o pior, mas de se comparar com aquilo que se pretendia. Se a gente for comparar com o pior, não dá para entender o choque.
BONFÁ: O Lula era um super-herói, né? As pessoas compraram a imagem, quando votaram nele, de super-herói. Eu não votei nele...
ROMANO: Eu votei.
BONFÁ: Quando grande parte da população votou nele, estava apostando em um governo mais democrático, popular, enfim, mais preocupado com o social.
MÁRCIA: O Lula não é nada disso que o Collor foi. Ele tem uma história bem mais bonita.
BONFÁ: E sabe por que a popularidade dele não cai? Porque ainda não chegou a merda nele.
SUPLICY: O presidente Lula é um patrimônio extraordinário do povo brasileiro. Mais do que isso, dos povos e dos países em desenvolvimento.
MÁRCIA: Existe uma lei, um respeito à figura dele. Nós não podemos nem sonhar com um impeachment neste momento.
PETTA: O próprio Congresso é também um alvo de questionamento muito grande.
BONFÁ: É uma instituição que não tem credibilidade julgando outra que não tem credibilidade...
BONFÁ: E vai ficar quem?
ROMANO: A dona Geane [risos].
Pedro Venceslau: Senador, o que o senhor tem a dizer sobre a crise no PT?
SUPLICY: Alguns tiveram que sair do partido, não por vontade própria - como a Heloísa Helena, e os deputados federais, Babá, Luciana e João Fontes, que foram expulsos porque não votaram a favor da Reforma da Previdência. Muitos outros estão pensando: será que vale a pena permanecer? No meu ponto de vista, sinto que entrei no PT como uma decisão de vida
PETTA: O que o senhor [senador] espera do PT neste momento?
SUPLICY: Que eles digam como as coisas aconteceram, por mais duras e graves que sejam as conseqüências. Para conseguirmos superar essa crise, precisamos colaborar para que a verdade venha toda à tona. O presidente deve se manifestar indo ao Congresso, dizendo o que sabe. Vocês acham que seria uma coisa impossível? Não seria recomendável na situação presente?
ROMANO: Se fosse ao Congresso, o presidente assumiria a função de Chefe de Estado e Chefe de Governo em sua plenitude.
MÁRCIA: Seria digno ele se expor em uma entrevista coletiva e enfrentar a dureza das perguntas. Obviamente não esperamos nenhuma pergunta deselegante ou não civilizada. Por isso, não vejo porque o medo do debate.
MOJICA: O mais importante é a transparência. Por mais que haja perguntas indelicadas, se ele se abrir, for sincero e disser o que sabe, vai ganhar o público e a mídia.
GAIARSA: As perguntas serão muito duras e difíceis, mas ele conseguiria responder. Ninguém saberia dizer, como ele, o que efetivamente aconteceu.

Entrevista de Roberto Romano ao Correio Popular de Campinas, 25/02/2017

http://correio.rac.com.br/index.php?id=/campinas_e_rmc
SAIDA PARA CRISE ESTÁ NA ORGANIZAÇÃO DOS INDIGNADOS.

Trump’s Election and Collective Madness W. J. T. Mitchell


Trump’s Election and Collective Madness

W. J. T. Mitchell

“History is a Nightmare from which I am trying to awake.” –James Joyce, Ulysses
“Insanity in individuals is somewhat rare. But in groups, parties, nations, and epochs, it is the rule.” –Nietzsche
“A single Athenian is a wily fox. A group of Athenians is a flock of sheep.” –Solon
“Every man, seen as an individual, is tolerably shrewd and sensible, see them in corpore, and you will instantly find a fool.” Schiller
“No one ever went broke underestimating the American public.” -P.T. Barnum
“You can fool all of the people some of the time, and some of the people all of the time, but you can’t fool all of the people all of the time.” –Abraham Lincoln.
What Lincoln failed to add is, those are pretty good odds for the success of a determined and skilled con artist in the short run.
“We Palestinians love Trump because he is pure Americana. He shows the true face of the American character, and we feel it is important for the world to see that truth for what it is.”
–Conversations with Palestinians in the West Bank, May, 2016.
To which I replied: “That is easy for you to say in the safety of Palestine.” 

The shocking election of Donald Trump reminds us that the real location of mental illness, whether it takes the form of anger or a melancholic sense of wounding and resentment, is primarily in the group, not the individual. We sometimes think that the paradigm of madness is to be found in the individual case. Nothing could be further from the truth. Paranoia is most effective when it is shared with others; nurtured in isolation, it shrivels up and dies. It is a long standing commonplace that human reason of the practical sort, the kind that involves the management of one’s own affairs generally prevails at the individual level. Even the famously psychotic Judge Schreber could perform complex feats of legal reasoning, and convince a court that he was capable of managing his own affairs. Reason also operates quite efficiently at the level of tactics and strategy, never more relentlessly than in warfare, the most dramatic form of collective madness known to our species. In politics, the supposedly peaceful sublimation of war, reason moves from the manipulation of weapons and destruction to the skillful manipulation of unreason; it deploys the ancient lessons of rhetoric as opposed to logic, of instrumental, egoistic reason as contrasted with wisdom or Kantian Enlightenment. Calculated appeals to emotion trump (you will forgive the pun) those of reason. The heart has reasons of its own, and it is the chief exercise of cynical, manipulative reason to understand the triggers that set off collective madness in the mass. See Kelly Ann Conway, Trump’s brilliant campaign manager, who showed us the power and “reasonableness” of wiliness, cunning, and clever rhetorical agility.


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Trump’s campaign capitalized on all the dark forces in the electorate that lay below the threshold of opinion polls and their data bases, unreachable by rational arguments about policy solutions to shared problems, unembarrassed by transparent lies and demagoguery. Racism, misogyny, xenophobia, anxiety, resentment, paranoia, and a generalized hatred of elites, experts, and established institutions were all mobilized to produce a wave of collective passion seen in the crowds that chanted “lock her up,” and threatened violent revolution if the “rigged” election went against them.

Now that the election, and the frenzy that has swept the American public for the last 18 months, has passed over us, a strange, ambiguous calm will settle over the country. Everyone will urge us to “come together as a nation,” and to heal the wounds that have been opened.  Even Trump will remind us that, at heart, he is just a negotiator who has no principles except “the art of the deal” that favors his perception of national interest. The madness, however, has simply gone underground, the wounds festering, leaving the American dream as always, only the blink of an eye removed from the nightmare of our history.


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Filed under 2016 election, WJT Report

One response to “Trump’s Election and Collective Madness”

Trump’s election is truly horrifying and the worst thing that could happen is for those of us insulated by tenure and big city life to go back to our regular routines. I hope those opposed to his agenda will seriously contend with the issues that have led the nation to this point. 

That said, one reason “red state” America hates the so-called liberal elites (Hollywood, academia, the coasts) is that we continually dismiss them as too stupid to know what’s good for them (and using a pull quote from Friedrich ‘sum of zeros’ Nietzsche doesn’t help!) I don’t agree with all of Emmett Rensin’s points in “The Smug Style in American Liberalism,” but if the Left truly wants to think in terms of intersectionality, I think we would do well to avoid the fantasy that we are “rational” agents and they are all morons who let the TV think for them. Anecdotally, many appear to have voted for Trump for the very same reason Zizek “endorsed” him last week–to create utter chaos for the two-party system. With a nation-state split 50/50 (at least in terms of those who actually voted), I think we might do better to find ways to engage the other side rather than read an inverted version of “Culture and Anarchy” at them.