Contra a Razão de Estado

Um Blog destinado a discutir assuntos de ordem institucional, política, ética, longe do inferno definido nas supostas redes sociais, onde a covardia, a irresponsabilidade, o ressentimento e todas as paixões baixas se manifestam. Aqui, procuro pensar, sem ferir ou humilhar ninguém. Na internet, sobretudo nas mentirosas páginas "sociais", encontramos a besta fera descrita por Platão (Rep.. 588c): θηρίου ποικίλου καὶ πολυκεφάλου. Lúcido Platão!

Flores

Flores
Flores

terça-feira, 5 de setembro de 2017

E tem gente que ainda fala em educação no Brasil. Com bilhões entregues ao Fies e as privadas que se dizem universidades, governos caloteiros, etc. Nosso destino é o zero.

Professores registram BO contra Sartori: ‘fomos transformados em pedintes’

Revista ihu on-line


05 Setembro 2017
Paola Ribeiro e Marcelo do Amaral Melo são um casal de professores estaduais. Ela dá aulas de História e Sociologia no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, no bairro Santana, em Porto Alegre. Ele, Geografia no Cel Afonso Emílio Massot, na Cidade Baixa. Até o final do ano passado, moravam, com os três filhos, em um apartamento na Rua João Alfredo, também na Cidade Baixa, comprado em 2011 e financiado em 15 anos. Como diz o velho bordão, realizaram o sonho da casa própria. Mas, após anos de salário congelado e pago parceladamente, se viram obrigados a deixar a casa para não perdê-la.
A reportagem é de Luís Eduardo Gomes e publicada por Sul21, 04-09-2017.
Professores do Julinho e de outras escolas registram Boletim de Ocorrência coletivo contra Sartori | Foto: Maia Rubim/Sul21
“A gente teve que sair da nossa casa, por não ter mais condições de sobreviver sozinhos. Hoje, a gente mora com um parente, que nos recebeu e nos auxilia”, diz Paola. A parente é uma tia de Marcelo, que os abrigou em sua residência na Rua da República, também na Cidade Baixa, enquanto eles alugam o apartamento. Com o dinheiro do aluguel e um complemento conseguem manter o financiamento e a possibilidade de não perderem o imóvel adquirido. “Ele seria leiloado e a gente perderia um baita investimento”, complementa Marcelo.
Na manhã desta segunda-feira, o casal e a filha caçula, Ágata, 2 anos, se juntou a um grupo de cerca de 80 professores de 34 escolas estaduais da Capital em um ato na frente do Julinho, que culminou com o registro de um Boletim de Ocorrência contra o governo de José Ivo Sartori (PMDB) por danos materiais e morais causados pelo parcelamento de salários dos servidores públicos, que já se repetiu em mais de 20 oportunidades.
“Desde 2015, a gente enfrente uma situação que é dramática de várias formas. Além do parcelamento, a gente tem o congelamento de salários dentro de um contexto de escalada da inflação. Então, o meu salário está congelado. Eu recebo o mesmo salário que recebia em 2015 e parcelado”, diz Paola.
Além de se ver obrigado a deixar o apartamento, o casal tem adotado uma série de medidas para conseguir enfrentar a situação. Marcelo, que dava aulas em uma escola na zona sul da Capital, pediu transferência para o Emílio Massot. Mais perto, consegue ir ao trabalho a pé ou de bicicleta em até 10 minutos. “A gente entrou nessa situação nefasta a ponto de não ter dinheiro para a passagem. Teve alguns momentos em que eu não fui dar aula em função de não ter passagem mesmo”.
Marcelo diz que sua tia também tem ajudado no pagamento de algumas despesas porque, diante da parcela paga na sexta-feira de apenas R$ 350, a menor desde que os parcelamentos começaram, tudo que entrou para ambos acabou sendo consumido pelas despesas pagas em débito em conta, como a luz e o supermercado, não sobrou dinheiro nem para comprar comida.
“Eu acho que o grave nessa situação é que, no momento, não existe nenhum colega, nenhum professor estadual que esteja se sustentando com o que ganha do Estado. É impossível. De modo que, ou conta com a ajuda de familiares, ou conta com a ajuda do esposo, da esposa, ou tem outro rendimento de alguma fonte externa, porque não tem como. No momento, nós estamos transformados em pedintes. Só não somos mendigos porque a gente não está na rua, efetivamente, mas temos que pedir dinheiro, itens necessários para a sobrevivência aos familiares”, diz Marcelo.
O caso de Paola e Marcelo está longe de ser raro. Funcionária da secretaria da escola José do Patrocínio, na Restinga, zona sul da Capital, Klymeia Mendonça Nobre conta que está com dois meses do financiamento da casa atrasado. “Por mais que você tenha reserva, ela se esgota. E agora então, como você vai pagar a luz, telefone, a prestação da casa? Não há possibilidade”, diz, acrescentando que também precisou fazer cortes em uma medicação que precisa tomar. “Como são remédios caros, já não consigo comprar. A gente vai procurando alternativas, mas chega um momento que não tem mais alternativas”.
Diante desta situação, ela conta que resolveu registrar o BO contra o governo por se sentir humilhada, desgastada e impedida de prestar um serviço de qualidade. “A grande vítima é a sociedade, porque nós, funcionários públicos, não conseguimos prestar um serviço de qualidade, a cabeça não permite. O grande responsável por isso é o governador que não cumpre com a lei em pagar os nossos salários”, diz.

‘A gente deve a alma para o Banrisul’

Se há algo em comum entre os professores que participaram do ato, é que todos têm uma relação com o Banrisul que foi se aprofundando nos últimos anos. Marli Cambraia, professora que se aposentou recentemente, diz ter acumulado empréstimos e dívidas com o banco por estar seguidamente no cheque especial. Sem condições de pagar em dia luz, água, condomínio e outras contas inadiáveis, ela diz que recorreu várias vezes ao Crédito 1 Minuto do Banrisul, modalidade em que o correntista pode contrair empréstimo de forma quase instantânea. Com isso, ela consegue não atrasar tanto suas contas, mas salienta que, como seu limite é baixo, nem todas elas conseguem ser pagas.
“Eu tenho uma psicóloga que eu tenho que pagar, porque não há mente que consiga suportar as dificuldades que são enfrentadas no cotidiano. Então, eu tenho muitas contas fixas e, a cada parcelamento menor, o desespero aumenta, porque tu não sabe como vai te virar para saldar os pagamentos fixos que tu tem”, diz Marli.
Em uma situação semelhante está o professor Francismar Alves, que dá aula de Ciências, Biologia e Física no Emílio Massot. Nos últimos dois meses, ele precisou contrair uma nova modalidade de empréstimo que o Banrisul tem oferecido aos servidores estaduais, o “adiantamento” de 90% do salário, com a cobrança de juros. A existência dessa modalidade causa indignação nos servidores. Como o governo não paga o salário e o banco público oferece o empréstimo no mesmo valor? É um questionamento feito por vários. Mas, para Francismar, essa foi uma opção melhor do que pagar os juros atrasados de outras contas.
“Eu fiz as contas, se eu tiver que atrasar condomínio, aluguel, vai dar juros maiores. Eu estou jogando assim. Meu telefone não para de tocar, cobrador toda hora. Muitas vezes eu estou em sala de aula, já deixo meu telefone no silencioso porque sei que todos aqueles números são de cobrança. São inúmeras, já perdi a conta de quando foi que eu entrei para o SPC, Serasa. Não tenho cartão de crédito, meu próprio Banricompras, que é um cartão popular do Banrisul, teve que ser cortado porque eu não posso mais parcelar, em função de estar sempre no negativo. Então, é uma situação muito complicada mesmo”.
Natural do interior do Estado, ele mora com uma filha, que está desempregada. Diz que, por sorte, mora perto da escola. Sem isso, talvez sequer tivesse condições de ir trabalhar. “Se eu tivesse que ter que pagar passagem de ônibus, eu não teria como dar aula mais. Eu me desloco a pé”.
Elisângela Aparecida Soares ainda consegue pagar a passagem para ir para o trabalho, mas não sabe até quando. Para fechar as 40h de carga horária e “ter um salário um pouco acima de R$ 2 mil”, fala baixinho, ela dá aula em três escolas da zona sul da Capital: escola Clotilde Cachapuz de Medeiros, no bairro Espírito Santo, escola José Loureiro da Silva, na Ponta Grossa, e na José do Patrocínio, na Restinga. “Atualmente, eu não tenho nem passagem, to usando o TRI da minha filha para poder me locomover, que ainda tem uns R$ 20, quando acabar não sei o que vai acontecer. Está bem complicado”.
Mãe solteira de duas filhas e moradora do bairro Hípica, também na zona sul, a professora diz que, desde o início do parcelamento dos salários, sua vida financeira “foi para o brejo”. Para poder pagar as contas básicas, precisou recorrer a um empréstimo no Banrisul, mas, diante dos seguidos atrasos, acabou precisando de outros empréstimos, uma situação que se tornou uma bola de neve. “Aí tu pede empréstimo, quita aquelas coisas, aí o parcelamento continua e tu continua atrasando, aí pedi outro empréstimo. Agora eu estou totalmente endividada e ainda recebendo parcelado, tu imagina como está a situação da minha conta”.

Caso de polícia

A decisão dos professores de registrar BO contra o governo parte de uma orientação do sindicato da categoria, o Cpers, que redigiu um modelo para que cada professor fizesse denúncias individualmente em delegacias de polícia do Estado depois do anúncio de que a primeira parcela seria de apenas R$ 350. No modelo, que foi entregue na 1ª Delegacia de Polícia Civil, localizado dentro do Palácio de Polícia, a argumentação é que os professores “vêm sofrendo prejuízo mensal em decorrência do descumprimento do pagamento dos vencimentos” e que o governo está descumprindo uma decisão liminar do Tribunal de Justiça que o obriga a pagar os salários em dia. No entanto, como os policiais civis, também afetados pelo parcelamento, estão fazendo operação padrão e só atendendo a flagrantes, ficou combinando que se abriria uma exceção e que seria registrado um BO conjunto como uma denúncia de improbidade administrativa.
“Queremos processar o governo em função dos danos morais, materiais e inclusive físicos e emocionais que nós estamos sendo acometidos”, diz Neiva Lazzaroto, vice-diretor do Emílio Massot.
Por mais que possa ser encarada como uma ação meramente simbólica, os professores dizem que não é possível mais continuar com a situação do jeito que está. Neiva, por exemplo, defende a deflagração de uma greve geral da categoria diante de uma situação em que muitas pessoas “sequer tem condições de ir trabalhar”, especialmente porque, mantido o status quo, a expectativa é que o cenário pode ser ainda pior nos próximos meses. “Eles vêm falando até em encontro de folhas. É preciso ter uma ação para reverter esse quadro, do contrário a gente vai acabar na situação do Rio de Janeiro, onde os colegas estão vivendo de doação de cestas básicas. Nós não queremos chegar nessa situação”, diz Neiva. “Eu defendo que a gente volte a fazer o que fizemos no governo Simon, eu sou dessa época. A gente fincou pé e só voltou depois que conseguiu negociar uma série de coisas. Porque, na verdade, dinheiro tem, não é possível. As isenções que foram aprovadas agora há pouco. Não sei quantos milhões de isenção, então é fundamental que a gente se una, a categoria precisa acreditar que tem força”, complementa Marli.
A indignação dos professores não é só contra o governo, eles também cobram o judiciário por não exigir do Estado o pagamento em dia dos salários. “A gente tem várias esferas de ilegalidade de um governo e a gente tem aquele sentimento, que acho que perpassa toda a sociedade, de que a Justiça só atinge a população pobre. No momento que eu não pago a prestação de um imóvel, eu posso ser despejada dele. Quando eu não pago a minha conta de luz, eu vou ter ela cortada. Mas, se o governo não paga o meu salário, nada acontece com ele, mesmo com liminares, mesmo com a Constituição dizendo que ele não pode fazer isso. Em que ponto a lei é para todos? Já que hoje é um slogan, mas mais um slogan midiático do que o que realmente acontece”, critica a professora Paola.
Postado por Roberto Romano às 11:23 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

Caderno de idéias do ihu/unisinos, com o título de "Platão e os Guaranis". interessante análise do jesuíta Peramás. Feita por Beatriz Helena Domingues. (PDF).

http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ideias/140cadernosihuideias.pdf
Postado por Roberto Romano às 05:49 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

Um mestrado (PDF) sobre ética e política, do Rio Grande do Norte, que aproveita análises minhas e de colegas, para discutir o tema.

https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/16463/1/JosePHAF.pdf
Postado por Roberto Romano às 05:28 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

Conselho Nacional de Educação, Forum Brasil de Educação, 2003. Com palestra de vários pesquisadores, entre eles, Roberto Romano, que no volume é chamado de Roberto Romano Santana....

http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/encontronac.pdf
Postado por Roberto Romano às 05:18 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

PDF, ihu/ unisinos. Roberto Romano Caderno de idéias, "Fim da politica, do Estado e da Cidadania?".

http://www.ifibe.edu.br/arq/201405272052091843229840.pdf
Postado por Roberto Romano às 05:15 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

German Law Journal

GERMAN LAW JOURNAL

HOME
NEWS
ARCHIVE
SPECIAL ISSUES
SUBMISSIONS
TEAM
ABOUT GLJ
SUPPORT GLJ


BLANK C.png
BLANK B.png
BLANK A.png
Center Title Image.PNG
Articles
Toni Selkälä & Mikko Rajavuori
Traditions, Myths, and Utopias of Personhood: An Introduction

Visa Kurki
Animals, Slaves, and Corporations: Analyzing Legal Thinghood

Lisette ten Haaf
Unborn and Future Children as New Legal Subjects: An Evaluation of Two Subject-Oriented Approaches—The Subject of Rights and the Subject of Interests

Tuo Yu
Approaches for Dealing with the “Natural Person” in the Chinese Legal System: A Statutory Way and a Principled Way

Jannice Käll
A Posthuman Data Subject? The Right to Be Forgotten and Beyond

Ukri Soirila
Persons and Things in International Law and “Law of Humanity”

Mikko Rajavuori
Making International Legal Persons in Investment Treaty Arbitration: State-owned Enterprises along the Person/Thing Distinction

Susanna Lindroos-Hovinheimo
In the Force Field of the Law: On Affect and Connectivity in the Casework of Forensic Architecture

Alexis Alvarez-Nakagawa
Law as Magic. Some Thoughts on Ghosts, Non-Humans, and Shamans

Mika Viljanen
A Cyborg Turn in Law?

Postado por Roberto Romano às 08:16 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

Discordo de vários pontos, mas a entrevista vale a pena, como estímulo de pensamento. RR

“Frente de esquerda para quê?”. Entrevista com Vladimir Safafle

Revista ihu on-line

  • “Frente de esquerda para quê?”. Entrevista com Vladimir Safafle

04 Setembro 2017
O filósofo da USP duvida da realização de eleições em 2018 e afirma que o campo progressista ainda não sabe o que oferecer aos brasileiros.
A entrevista é de Sergio Lirio, publicada por CartaCapital, 03-09-2019.
A política caminhou em direção aos extremos. O eixo de mobilização foi para as pontas
Após incursões em sua área de formação, a Filosofia, Vladimir Safatle volta a se concentrar no debate político contemporâneo. O título de seu mais recente livro, Só mais um esforço, a ser lançado no início de setembro, é uma referência a uma famosa frase do Marquês de Sade de estímulo aos concidadãos desanimados com os rumos da Revolução Francesa. Há, portanto, no âmago da análise, uma mensagem de esperança em relação ao futuro do Brasil, erguida sobre camadas de críticas agudas aos rumos da esquerda, ao chamado lulismo e à eterna conciliação das elites.
Convidado do “Direto da Redação”, programa de entrevistas do site de CartaCapital transmitido pelo Facebook e pelo YouTube, o professor da USP explicou as teses do livro e respondeu a perguntas dos “sócios” e “sócias” da revista. Safatle duvida da realização de eleições em 2018 (“quem deu o golpe não vai correr o risco de perder o poder”) e critica o campo progressista por apostar todas as fichas na incerta disputa eleitoral do próximo ano. “Frente de esquerda para quê?”, indaga a certa altura. Segundo ele, antes de pensar em uma ampla união eleitoral, as lideranças progressistas e os movimentos sociais precisam descobrir o que tem a dizer de novo aos eleitores.
Eis a entrevista.
Seu novo livro se chama “Só mais um esforço”. Por que escolheu esse título?
É uma referência a uma famosa frase do Marquês de Sade. Quando ele lançou “Filosofia da Alcova”, havia no interior do livro um panfleto que afirmava: “Franceses, só mais um esforço se quiserem ser republicanos”. Foi uma maneira de dizer aos leitores que, para estarem à altura dos processos de transformação em curso, no caso a Revolução Francesa, seria necessário um pouco mais de fôlego e compreensão. Muitas vezes esses momentos podem parecer complicados, mas tem potencialidades a serem exploradas. Achei interessante e válido de se lembrar neste nosso momento.
Por quê?
Estamos sob o domínio de uma ‘cleptocracia’
Entendo a leitura melancólica atual, devido ao tipo de catástrofe que vivemos, ao fato de o Estado brasileiro ter rompido todos os vínculos com a democracia formal e de estarmos sob o domínio de uma cleptocracia. Pode estimular a sensação de beco sem saída. Insisto, porém, que essa percepção não deve ser tomada como uma verdade absoluta. Há potencialidades a serem exploradas. Existem condições para alcançarmos um outro momento da nossa história. Mas, para tanto, é preciso entender o que de fato aconteceu. Falta, a meu ver, um esforço da intelectualidade para interpretar esse momento.
No livro, o senhor se esforça para localizar o Brasil nos fenômenos mundiais. Ou seja, o que acontece aqui não seria um episódio isolado.
Pretendi me contrapor a essa visão de que o Brasil é a maior ilha do mundo, como se todos os processos sociais e históricos fossem endógenos, não houvesse uma articulação do País com o que se passa no resto do planeta. Acho bem provável que tenha se desenrolado aqui o último capítulo da história da esquerda do século XX.
De que maneira?
Limitar as discussões às eleições do próximo ano paralisou o campo progressista
A esquerda durante o século XX, em especial após a Segunda Guerra, tentou operar no interior dos sistemas de acordo da democracia liberal como uma potência de transformação paulatina, a começar pela construção do Estado de bem-estar social. De uma certa maneira, a esquerda da América Latina também atua nesses limites. No momento em que a socialdemocracia entra em colapso na Europa, seu berço, ela ganha espaço na América Latina. No Brasil, o PT não nasceu como um partido socialdemocrata, mas assim se consolidou com o passar do tempo e durante sua experiência no governo. Portanto, o fracasso recente no País não é só nosso. Representa o fracasso de um modelo da esquerda mundial, que havia se tornado hegemônico no Ocidente a partir da segunda metade do século XX. Como sempre, a América Latina entra de forma retardatária nesse processo, por conta de seus enormes déficits de democracia e participação popular.
Há condições de se criar uma frente de esquerda para disputar as próximas eleições?
Há potencialidades a serem exploradas. Existem condições para alcançarmos um outro momento da nossa história. Mas, para tanto, é preciso entender o que de fato aconteceu. Falta um esforço da intelectualidade para interpretar esse momento
A consolidação das estruturas populares exige uma mudança no jogo político. A esquerda não pode imaginar que irá governar de fato em um horizonte no qual as forças hegemônicas se mobilizam para imobilizá-la. Por que a Nova República foi construída sobre o presidencialismo de coalizão? Por ter sido montada para impedir a esquerda de governar.
Se um presidente progressista for eleito em 2018, o que ele precisaria fazer de diferente?
Não acredito em eleições em 2018 (risos). E há várias maneiras de se bloquear um processo minimamente democrático. Temos o exemplo da Bielorrússia, uma disputa na qual todos os “indesejáveis” são excluídos do jogo eleitoral. Acredito que esta será a primeira estratégia adotada por quem está no poder. Se não der certo, existe a possibilidade de modificar completamente o sistema eleitoral. Em resumo: implementar o parlamentarismo. No caso brasileiro, não existe pior saída. Os eleitores já recusaram o parlamentarismo duas vezes em plebiscito. O Parlamento do Brasil, todo mundo sabe, não é o da Alemanha. É uma caixa de ressonância dos piores interesses oligárquicos. Criaram um sistema casuísta para vencer em qualquer circunstância. Se ainda assim não vingar, não descarto uma guinada ainda mais autoritária. Limitar as discussões às eleições do próximo ano paralisou o campo progressista.
Como?
Volto a uma pergunta anterior. Fala-se em uma frente de esquerda, mas para quê? Não está claro. O que se quer? O objetivo é retomar o que foi feito antes, com um ajuste aqui e outro ali? Ou seria fazer diferente? Mas o quê? Seria bom discutir outros questões mais elementares. O que a esquerda tem hoje a oferecer ao Brasil, a não ser resistências pontuais: dizer não a esta ou àquela reforma? Sem respostas a estes pontos, sua força de mobilização diminui substancialmente. Ninguém vai às ruas apenas para dizer não. Você mobiliza quando é capaz de levar os cidadãos a pensar em uma possibilidade que ainda não se configurou, mas é viável.
No livro, o senhor reforça suas críticas ao chamado lulismo. Pode explicar sua interpretação do fenômeno?
Lulismo - Faltou uma política de combate à desigualdade. Ocorreu, na verdade, uma capitalização dos pobres
O lulismo consolidou pela primeira vez um sistema mínimo de seguridade social no País e reconstituiu o capitalismo de Estado. Por um certo tempo, ocorreu um processo de inclusão social considerável, 42 milhões de brasileiros experimentaram essa ascensão. O problema é que havia uma data de validade. Foram vários os entraves. Faltou uma política de combate à desigualdade. Ocorreu, na verdade, uma capitalização dos pobres. Este mecanismo não reduz as diferenças e causa um paradoxo: os mais ricos continuam a ganhar muito e acabam por puxar os preços da economia para cima, encarecendo a vida nas cidades, principalmente nas metrópoles. Isso não aconteceu apenas no Brasil. Luanda, em Angola, padeceu do mesmo efeito. Não à toa, entre 2008 e 2014, o valor dos imóveis em São Paulo triplicou. A consequência é que o ganho dos mais pobres é corroído com o passar o tempo. Chega um momento no qual quem está no poder é obrigado a gerir a paralisia.
Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff, certo?
Sim. O lulismo tinha uma trava. Ele reproduziu em boa medida o populismo getulista, fundado na ideia de que governar é administrar coalizões. Não demonizo o populismo, apenas o analiso aqui. Os liberais valem-se da estratégia de trata-lo não como um conceito descritivo, mas como injúria. Associam o termo à irracionalidade. Não é o meu caso.
Não existe 2018, não vejo a mínima possibilidade de quem deu o golpe abrir mão do poder tão facilmente. Eles não vão embora, não vão aceitar perder. O único modo de combater é consolidar um processo de mobilização
Dá para imaginar um neolulismo? O senhor acredita nessa possibilidade?
Mais importante é saber se o Lula acredita. Suas participações políticas recentes não estimulam a aposta nessa hipótese. Se querem fazer o mesmo de novo, o melhor seria não insistir nesse debate sobre uma frente de esquerda. Isso demonstra a incapacidade de reorganização do campo progressista sob outras bases. É verdade que o Lula lidera todas as pesquisas. Impressiona-me, porém, que muitos estejam preocupados apenas com o horizonte eleitoral e não gastem energia para criar uma nova hegemonia a partir da força das suas ideias. Insisto: não existe 2018, não vejo a mínima possibilidade de quem deu o golpe abrir mão do poder tão facilmente. Eles não vão embora, não vão aceitar perder. O único modo de combater é consolidar um processo de mobilização.
Quanto o momento atual é fruto das manifestações de 2013?
Considero 2013 a maior oportunidade perdida pela esquerda. O embate ideológico, que estava recalcado, floresceu. O campo progressista deveria estar à altura do que as ruas pediam naquele momento.
E o que as ruas pediam?
Acho bem provável que tenha se desenrolado no Brasil o último capítulo da história da esquerda do século XX
A começar, uma transformação da experiência política. Ficou evidente a crise da representação. E não só dos partidos. A mídia, os sindicatos, as organizações foram colocados em xeque. E depois, a insatisfação diante da interrupção do processo de ascensão social. Basta lembrar do slogan: “Quero escola padrão Fifa”. Muitos daqueles que experimentaram essa ascensão tiraram os filhos da escola pública e transferiram para uma instituição privada. Durante os anos do PT, 24 milhões de alunos deixaram o sistema público. Também abriram mão do SUS e adquiriram planos de saúde. Por fim, compraram carros. Junte os três gastos. Os ganhos de renda acabaram corroídos por eles. O nível de frustração foi elevadíssimo. Em 2010, 2011, o mundo inteiro celebrava o Brasil. Seríamos a quinta maior economia do planeta, projetava-se. A Copa do Mundo prometia repaginar as nossas metrópoles. E, de repente, começou-se a perceber que nada acontecia mais.
É a pior frustração.
O conceito vem do Alexis de Tocqueville. As revoluções, dizia, não são feitas pelos mais pobres, mas por quem está em ascensão e se vê frustrado pela interrupção desse processo. Por aqueles que percebem não haver mais futuro. O Brasil de 2013 assistiu à explosão desse tipo de frustração. Era uma grande oportunidade para o campo progressista abraçar essa pauta e romper com certas alianças que sempre a impediram de transformar a realidade. Mas todas as agremiações de esquerda, todas, sem exceção, demonstraram um arcaísmo inacreditável naquele momento.
A Nova República chegou ao fim?
2013. Todas as agremiações de esquerda, todas, sem exceção, demonstraram um arcaísmo inacreditável naquele momento
O PT foi o último fiador do modelo de conciliação da Nova República. Acreditou na perenidade de um sistema de resolução de conflitos políticos minimamente democrático. Que não haveria mais golpes de Estado. Que existia uma ala racional no PSDB. Uma visão, nota-se agora, completamente falha. Não há mais conciliação possível. Essa promessa da Nova República não pode mais se realizar. É preciso saber acionar os extremos. O conflito de classe no Brasil nunca foi assumido enquanto tal. Foram 14 anos de um governo que aplicou o programa clássico de esquerda, socialdemocrata, e nem assim foi tolerado. Não se conseguiu fazer nenhuma discussão séria sobre uma reforma tributária de verdade, para criar um sistema de impostos progressivo, que não onerasse tanto os trabalhadores e os mais pobres. Para não citar outros exemplos.
A disputa política nos próximos tempos, tanto no Brasil quanto no mundo, se dará entre os extremos?
O mundo tem confirmado essa hipótese de maneira incontestável. A política caminhou em direção aos extremos. O eixo de mobilização foi para as pontas. Alguém pode dizer que a França conseguiu reconstituir o centro com a eleição do Emmanuel Macron, mas foi graças ao extremo, a Marine Le Pen, que se projetava como uma sombra. O problema está no fato de a extrema-direita, atualmente, ter se tornado esse eixo mobilizador. A esquerda ainda não conseguiu se reorganizar.
Postado por Roberto Romano às 05:40 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Postagens (Atom)

Quem sou eu

Roberto Romano
Ver meu perfil completo

Arquivo do blog

  • ▼  2021 (12)
    • ▼  05/23 - 05/30 (1)
      • A missa negra de 1964 Fundação Casper Libero, Semi...
    • ►  05/16 - 05/23 (1)
    • ►  04/11 - 04/18 (1)
    • ►  04/04 - 04/11 (1)
    • ►  03/28 - 04/04 (2)
    • ►  03/21 - 03/28 (1)
    • ►  03/14 - 03/21 (2)
    • ►  02/28 - 03/07 (1)
    • ►  02/14 - 02/21 (1)
    • ►  01/10 - 01/17 (1)
  • ►  2020 (16)
    • ►  12/13 - 12/20 (3)
    • ►  11/15 - 11/22 (2)
    • ►  11/08 - 11/15 (1)
    • ►  10/25 - 11/01 (1)
    • ►  10/18 - 10/25 (1)
    • ►  10/04 - 10/11 (1)
    • ►  07/12 - 07/19 (1)
    • ►  06/07 - 06/14 (1)
    • ►  05/10 - 05/17 (1)
    • ►  03/29 - 04/05 (1)
    • ►  01/26 - 02/02 (2)
    • ►  01/12 - 01/19 (1)
  • ►  2019 (34)
    • ►  12/29 - 01/05 (3)
    • ►  12/22 - 12/29 (1)
    • ►  12/08 - 12/15 (1)
    • ►  12/01 - 12/08 (1)
    • ►  11/17 - 11/24 (1)
    • ►  11/10 - 11/17 (3)
    • ►  10/27 - 11/03 (1)
    • ►  10/20 - 10/27 (1)
    • ►  09/29 - 10/06 (1)
    • ►  09/08 - 09/15 (1)
    • ►  08/25 - 09/01 (1)
    • ►  08/11 - 08/18 (1)
    • ►  07/21 - 07/28 (2)
    • ►  05/26 - 06/02 (1)
    • ►  05/19 - 05/26 (2)
    • ►  05/12 - 05/19 (1)
    • ►  04/28 - 05/05 (1)
    • ►  04/07 - 04/14 (3)
    • ►  03/24 - 03/31 (2)
    • ►  03/17 - 03/24 (2)
    • ►  03/03 - 03/10 (1)
    • ►  02/24 - 03/03 (2)
    • ►  01/20 - 01/27 (1)
  • ►  2018 (167)
    • ►  12/23 - 12/30 (3)
    • ►  11/18 - 11/25 (2)
    • ►  11/11 - 11/18 (2)
    • ►  11/04 - 11/11 (2)
    • ►  10/28 - 11/04 (4)
    • ►  10/21 - 10/28 (3)
    • ►  10/07 - 10/14 (1)
    • ►  09/30 - 10/07 (2)
    • ►  09/16 - 09/23 (2)
    • ►  09/09 - 09/16 (2)
    • ►  08/26 - 09/02 (1)
    • ►  08/19 - 08/26 (1)
    • ►  08/05 - 08/12 (1)
    • ►  07/01 - 07/08 (1)
    • ►  06/24 - 07/01 (1)
    • ►  06/10 - 06/17 (1)
    • ►  05/06 - 05/13 (1)
    • ►  04/22 - 04/29 (2)
    • ►  04/15 - 04/22 (2)
    • ►  03/04 - 03/11 (8)
    • ►  02/25 - 03/04 (9)
    • ►  02/18 - 02/25 (16)
    • ►  02/11 - 02/18 (36)
    • ►  02/04 - 02/11 (19)
    • ►  01/28 - 02/04 (10)
    • ►  01/21 - 01/28 (22)
    • ►  01/14 - 01/21 (10)
    • ►  01/07 - 01/14 (3)
  • ►  2017 (579)
    • ►  12/31 - 01/07 (4)
    • ►  12/10 - 12/17 (24)
    • ►  12/03 - 12/10 (23)
    • ►  11/26 - 12/03 (23)
    • ►  11/19 - 11/26 (21)
    • ►  11/12 - 11/19 (21)
    • ►  11/05 - 11/12 (18)
    • ►  10/29 - 11/05 (14)
    • ►  10/22 - 10/29 (22)
    • ►  10/15 - 10/22 (12)
    • ►  10/08 - 10/15 (19)
    • ►  10/01 - 10/08 (19)
    • ►  09/24 - 10/01 (19)
    • ►  09/17 - 09/24 (12)
    • ►  09/10 - 09/17 (5)
    • ►  09/03 - 09/10 (21)
    • ►  08/27 - 09/03 (29)
    • ►  08/20 - 08/27 (13)
    • ►  08/13 - 08/20 (19)
    • ►  08/06 - 08/13 (17)
    • ►  07/30 - 08/06 (14)
    • ►  07/23 - 07/30 (2)
    • ►  07/16 - 07/23 (6)
    • ►  07/09 - 07/16 (10)
    • ►  07/02 - 07/09 (8)
    • ►  06/25 - 07/02 (6)
    • ►  06/18 - 06/25 (8)
    • ►  06/11 - 06/18 (14)
    • ►  06/04 - 06/11 (10)
    • ►  05/28 - 06/04 (8)
    • ►  05/21 - 05/28 (11)
    • ►  05/14 - 05/21 (12)
    • ►  05/07 - 05/14 (7)
    • ►  04/30 - 05/07 (8)
    • ►  04/23 - 04/30 (9)
    • ►  03/26 - 04/02 (9)
    • ►  03/19 - 03/26 (3)
    • ►  03/12 - 03/19 (10)
    • ►  03/05 - 03/12 (3)
    • ►  02/26 - 03/05 (23)
    • ►  02/19 - 02/26 (18)
    • ►  02/12 - 02/19 (13)
    • ►  02/05 - 02/12 (12)

Arquivo do blog

  • ▼  2021 (12)
    • ▼  05/23 - 05/30 (1)
      • A missa negra de 1964 Fundação Casper Libero, Semi...
    • ►  05/16 - 05/23 (1)
    • ►  04/11 - 04/18 (1)
    • ►  04/04 - 04/11 (1)
    • ►  03/28 - 04/04 (2)
    • ►  03/21 - 03/28 (1)
    • ►  03/14 - 03/21 (2)
    • ►  02/28 - 03/07 (1)
    • ►  02/14 - 02/21 (1)
    • ►  01/10 - 01/17 (1)
  • ►  2020 (16)
    • ►  12/13 - 12/20 (3)
    • ►  11/15 - 11/22 (2)
    • ►  11/08 - 11/15 (1)
    • ►  10/25 - 11/01 (1)
    • ►  10/18 - 10/25 (1)
    • ►  10/04 - 10/11 (1)
    • ►  07/12 - 07/19 (1)
    • ►  06/07 - 06/14 (1)
    • ►  05/10 - 05/17 (1)
    • ►  03/29 - 04/05 (1)
    • ►  01/26 - 02/02 (2)
    • ►  01/12 - 01/19 (1)
  • ►  2019 (34)
    • ►  12/29 - 01/05 (3)
    • ►  12/22 - 12/29 (1)
    • ►  12/08 - 12/15 (1)
    • ►  12/01 - 12/08 (1)
    • ►  11/17 - 11/24 (1)
    • ►  11/10 - 11/17 (3)
    • ►  10/27 - 11/03 (1)
    • ►  10/20 - 10/27 (1)
    • ►  09/29 - 10/06 (1)
    • ►  09/08 - 09/15 (1)
    • ►  08/25 - 09/01 (1)
    • ►  08/11 - 08/18 (1)
    • ►  07/21 - 07/28 (2)
    • ►  05/26 - 06/02 (1)
    • ►  05/19 - 05/26 (2)
    • ►  05/12 - 05/19 (1)
    • ►  04/28 - 05/05 (1)
    • ►  04/07 - 04/14 (3)
    • ►  03/24 - 03/31 (2)
    • ►  03/17 - 03/24 (2)
    • ►  03/03 - 03/10 (1)
    • ►  02/24 - 03/03 (2)
    • ►  01/20 - 01/27 (1)
  • ►  2018 (167)
    • ►  12/23 - 12/30 (3)
    • ►  11/18 - 11/25 (2)
    • ►  11/11 - 11/18 (2)
    • ►  11/04 - 11/11 (2)
    • ►  10/28 - 11/04 (4)
    • ►  10/21 - 10/28 (3)
    • ►  10/07 - 10/14 (1)
    • ►  09/30 - 10/07 (2)
    • ►  09/16 - 09/23 (2)
    • ►  09/09 - 09/16 (2)
    • ►  08/26 - 09/02 (1)
    • ►  08/19 - 08/26 (1)
    • ►  08/05 - 08/12 (1)
    • ►  07/01 - 07/08 (1)
    • ►  06/24 - 07/01 (1)
    • ►  06/10 - 06/17 (1)
    • ►  05/06 - 05/13 (1)
    • ►  04/22 - 04/29 (2)
    • ►  04/15 - 04/22 (2)
    • ►  03/04 - 03/11 (8)
    • ►  02/25 - 03/04 (9)
    • ►  02/18 - 02/25 (16)
    • ►  02/11 - 02/18 (36)
    • ►  02/04 - 02/11 (19)
    • ►  01/28 - 02/04 (10)
    • ►  01/21 - 01/28 (22)
    • ►  01/14 - 01/21 (10)
    • ►  01/07 - 01/14 (3)
  • ►  2017 (579)
    • ►  12/31 - 01/07 (4)
    • ►  12/10 - 12/17 (24)
    • ►  12/03 - 12/10 (23)
    • ►  11/26 - 12/03 (23)
    • ►  11/19 - 11/26 (21)
    • ►  11/12 - 11/19 (21)
    • ►  11/05 - 11/12 (18)
    • ►  10/29 - 11/05 (14)
    • ►  10/22 - 10/29 (22)
    • ►  10/15 - 10/22 (12)
    • ►  10/08 - 10/15 (19)
    • ►  10/01 - 10/08 (19)
    • ►  09/24 - 10/01 (19)
    • ►  09/17 - 09/24 (12)
    • ►  09/10 - 09/17 (5)
    • ►  09/03 - 09/10 (21)
    • ►  08/27 - 09/03 (29)
    • ►  08/20 - 08/27 (13)
    • ►  08/13 - 08/20 (19)
    • ►  08/06 - 08/13 (17)
    • ►  07/30 - 08/06 (14)
    • ►  07/23 - 07/30 (2)
    • ►  07/16 - 07/23 (6)
    • ►  07/09 - 07/16 (10)
    • ►  07/02 - 07/09 (8)
    • ►  06/25 - 07/02 (6)
    • ►  06/18 - 06/25 (8)
    • ►  06/11 - 06/18 (14)
    • ►  06/04 - 06/11 (10)
    • ►  05/28 - 06/04 (8)
    • ►  05/21 - 05/28 (11)
    • ►  05/14 - 05/21 (12)
    • ►  05/07 - 05/14 (7)
    • ►  04/30 - 05/07 (8)
    • ►  04/23 - 04/30 (9)
    • ►  03/26 - 04/02 (9)
    • ►  03/19 - 03/26 (3)
    • ►  03/12 - 03/19 (10)
    • ►  03/05 - 03/12 (3)
    • ►  02/26 - 03/05 (23)
    • ►  02/19 - 02/26 (18)
    • ►  02/12 - 02/19 (13)
    • ►  02/05 - 02/12 (12)
Tema Celestial. Tecnologia do Blogger.