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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Nº de operações contra trabalho escravo cai 23,5% em 1 ano; total de resgatados é o menor desde 1998 . FASCISMO, FASCISMO...

Nº de operações contra trabalho escravo cai 23,5% em 1 ano; total de resgatados é o menor desde 1998

Dados do Ministério do Trabalho apontam que foram feitas 88 fiscalizações em 175 estabelecimentos do país em 2017. Foram resgatados 341 trabalhadores.

Por Clara Velasco e Thiago Reis, G1
O número de operações de fiscalização para a erradicação do trabalho escravo caiu 23,5% em 2017 em comparação com o ano anterior, segundo dados do Ministério do Trabalho. Foram realizadas 88 operações em 175 estabelecimentos no ano passado, contra 115 em 2016. É a menor atuação das equipes de erradicação desde 2004, quando foram feitas 78 fiscalizações. 

Já o total de trabalhadores resgatados também apresentou queda em 2017. Foram 341 pessoas encontradas em situação análoga à de escravos e retiradas das frentes de traba, número mais baixo desde 1998 (159 resgates). Em relação a 2016, a queda foi de 61,5%.
Operações de trabalho escravo
Veja a evolução do número de fiscalizações feitas no Brasil
Nº de operações78789393110110119119163163160160150150177177150150189189175175143143115115888820042005200620072008200920102011201220132014201520162017050100150200
2006
Ano 110

Fonte: Ministério do Trabalho
O Pará foi o estado líder das libertações no país, com 72 resgatados em 17 cidades - o que representa 21% do total de resgates do país. Minas Gerais, que liderou a lista nos últimos quatro anos, aparece em segundo lugar, com 60 resgatados em 13 cidades. Em seguida, estão Mato Grosso (55) e Maranhão (26).
O G1 solicitou os dados ao Ministério do Trabalho por meio da Lei de Acesso à Informação. Os números podem sofrer ligeiras alterações ao longo dos próximos meses, quando devem ser consolidados pela pasta.
No ano auge das operações, em 2013, foram feitas 189 fiscalizações. Além disso, o número de trabalhadores resgatados ultrapassava a marca de mil por ano desde 2001. Em 2007, por exemplo, quase 6 mil foram resgatados. Em 2016 e em 2017, porém, os registros ficaram abaixo de mil. 

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Por Clara Velasco e Thiago Reis, G1
O número de operações de fiscalização para a erradicação do trabalho escravo caiu 23,5% em 2017 em comparação com o ano anterior, segundo dados do Ministério do Trabalho. Foram realizadas 88 operações em 175 estabelecimentos no ano passado, contra 115 em 2016. É a menor atuação das equipes de erradicação desde 2004, quando foram feitas 78 fiscalizações.
Já o total de trabalhadores resgatados também apresentou queda em 2017. Foram 341 pessoas encontradas em situação análoga à de escravos e retiradas das frentes de trabalho, número mais baixo desde 1998 (159 resgates). Em relação a 2016, a queda foi de 61,5%.
Operações de trabalho escravo
Veja a evolução do número de fiscalizações feitas no Brasil
Nº de operações78789393110110119119163163160160150150177177150150189189175175143143115115888820042005200620072008200920102011201220132014201520162017050100150200
2006
Ano 110
Fonte: Ministério do Trabalho
O Pará foi o estado líder das libertações no país, com 72 resgatados em 17 cidades - o que representa 21% do total de resgates do país. Minas Gerais, que liderou a lista nos últimos quatro anos, aparece em segundo lugar, com 60 resgatados em 13 cidades. Em seguida, estão Mato Grosso (55) e Maranhão (26).
O G1 solicitou os dados ao Ministério do Trabalho por meio da Lei de Acesso à Informação. Os números podem sofrer ligeiras alterações ao longo dos próximos meses, quando devem ser consolidados pela pasta.
No ano auge das operações, em 2013, foram feitas 189 fiscalizações. Além disso, o número de trabalhadores resgatados ultrapassava a marca de mil por ano desde 2001. Em 2007, por exemplo, quase 6 mil foram resgatados. Em 2016 e em 2017, porém, os registros ficaram abaixo de mil.
Trabalhadores resgatados
Veja o total de resgates em operações de trabalho escravo por ano no Brasil
Nº de resgates1591597257255165161.3051.3052.2852.2855.2235.2232.8872.8874.3484.3483.4173.4175.9995.9995.0165.0163.7073.7072.6342.6342.8082.8081.7521.7521.0101.0108858853413411998199920002001200220032004200520062007200820092010201120122013201420152016201701k2k3k4k5k6k7k
2008
Ano 5.016
Fonte: Ministério do Trabalho

Nº de operações contra trabalho escravo cai 23,5% em 1 ano; total de resgatados é o menor desde 1998

Dados do Ministério do Trabalho apontam que foram feitas 88 fiscalizações em 175 estabelecimentos do país em 2017. Foram resgatados 341 trabalhadores.

Por Clara Velasco e Thiago Reis, G1
O número de operações de fiscalização para a erradicação do trabalho escravo caiu 23,5% em 2017 em comparação com o ano anterior, segundo dados do Ministério do Trabalho. Foram realizadas 88 operações em 175 estabelecimentos no ano passado, contra 115 em 2016. É a menor atuação das equipes de erradicação desde 2004, quando foram feitas 78 fiscalizações.
Já o total de trabalhadores resgatados também apresentou queda em 2017. Foram 341 pessoas encontradas em situação análoga à de escravos e retiradas das frentes de trabalho, número mais baixo desde 1998 (159 resgates). Em relação a 2016, a queda foi de 61,5%.
Operações de trabalho escravo
Veja a evolução do número de fiscalizações feitas no Brasil
Nº de operações78789393110110119119163163160160150150177177150150189189175175143143115115888820042005200620072008200920102011201220132014201520162017050100150200
2006
Ano 110
Fonte: Ministério do Trabalho
O Pará foi o estado líder das libertações no país, com 72 resgatados em 17 cidades - o que representa 21% do total de resgates do país. Minas Gerais, que liderou a lista nos últimos quatro anos, aparece em segundo lugar, com 60 resgatados em 13 cidades. Em seguida, estão Mato Grosso (55) e Maranhão (26).
O G1 solicitou os dados ao Ministério do Trabalho por meio da Lei de Acesso à Informação. Os números podem sofrer ligeiras alterações ao longo dos próximos meses, quando devem ser consolidados pela pasta.
No ano auge das operações, em 2013, foram feitas 189 fiscalizações. Além disso, o número de trabalhadores resgatados ultrapassava a marca de mil por ano desde 2001. Em 2007, por exemplo, quase 6 mil foram resgatados. Em 2016 e em 2017, porém, os registros ficaram abaixo de mil.
Trabalhadores resgatados
Veja o total de resgates em operações de trabalho escravo por ano no Brasil
Nº de resgates1591597257255165161.3051.3052.2852.2855.2235.2232.8872.8874.3484.3483.4173.4175.9995.9995.0165.0163.7073.7072.6342.6342.8082.8081.7521.7521.0101.0108858853413411998199920002001200220032004200520062007200820092010201120122013201420152016201701k2k3k4k5k6k7k
2015
Ano 1.010
Fonte: Ministério do Trabalho

 

Umberto Eco, como se nasce e como se morre de fascismo

Umberto Eco, como se nasce e como se morre de fascismo

Revista ihu on-line

17 Janeiro 2018

O fascismo é como a tuberculose. A pessoa tem uma aparência saudável e, de repente, começa a expelir sangue. Isso é o que sabe e o que conta Umberto Eco em Il Fascismo eterno - La nave di Teseo, (O Fascismo Eterno, O Navio de Teseu), utilizando materiais de um evento que organizamos juntos na Columbia University.

Naquela época (1995) eu estava ensinando na universidade e era o diretor do Instituto Italiano de Cultura. A intenção era celebrar pela primeira vez, publicamente, a data de 25 de abril nos Estados Unidos (Festa da Libertação, ndt). Os protagonistas eram, além de Eco, Giorgio Strehler, o lendário diretor de Brecht no Piccolo Teatro de Milão e Lucianio Rebay, comandante da resistência na juventude e professor de poesia na Universidade de Columbia pelo resto de sua vida. Strehler e Rebay falaram sobre resistência e prisões, traidores e heróis na Milão do último fascismo.

A reportagem é de De Furio Colombo, publicada por Fatto Quotidiano, 15-01-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eco narra neste livro como se nasce e como se morre de fascismo. Eis aqui o começo: "Em 1942, aos 10 anos, ganhei um prêmio respondendo a uma pergunta ‘Deveríamos morrer pela glória de Mussolini?’. Minha resposta foi sim. Eu era um menino esperto".

Eco escolheu um extraordinário fragmento de autobiografia que, no final, você percebe, torna-se toda a sua autobiografia, claro que do ponto de vista moral e intelectual: o que entende uma criança de fascismo? Que legado fica para um adulto depois de um encontro tão assustador? E como você pode se comprometer para sempre em defender a liberdade, quando percebe que o pesadelo não acaba?
Umberto Eco não viu os fascistas de Como, que entraram em uma casa particular, que circundaram um grupo de voluntários pró-migrantes para ler sua mensagem. Mas era escritor e filósofo, e sabia que aquele perigo estava por vir. "Na Itália, algumas pessoas se questionam se a resistência teve um impacto militar. Para a minha geração a questão era irrelevante: logo percebemos o significado moral e psicológico da Resistência", Eco escreve em seu livro, que é imprescindível ter e difundir.
Mas reflete sobre essas afirmações, escrevendo no final: "O fascismo cresce e busca consenso explorando e exacerbando o medo natural de diferença. O primeiro apelo de um movimento fascista ou prematuramente fascista é contra os intrusos. Todo fascismo, portanto, é racista por definição".
Essas poucas páginas são um dos livros mais belos e mais importantes de Eco. Ele termina com uma maravilhosa poesia de Fortini ("No parapeito da ponte / as cabeças dos enforcados ....") e com sua advertência: "Que este seja o nosso lema: jamais esquecer".

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Jornal da Unicamp. Peter Schulz


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Foto: Antoninho PerriPeter Schulz foi professor do Instituto de Física "Gleb Wataghin" (IFGW) da Unicamp durante 20 anos. Atualmente é professor titular da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, em Limeira. Além de artigos em periódicos especializados em Física e Cienciometria, dedica-se à divulgação científica e ao estudo de aspectos da interdisciplinaridade. Publicou o livro “A encruzilhada da nanotecnologia – inovação, tecnologia e riscos” (Vieira & Lent, 2009) e foi curador da exposição “Tão longe, tão perto – as telecomunicações e a sociedade”, no Museu de Arte Brasileira – FAAP, São Paulo (2010).

Quando cientistas não bastam para fazer ciência

​Ilustração: Luppa Silva​Na minha formação como físico, da graduação ao doutorado, nunca me deparei com uma disciplina sobre metodologia científica, tema que é mais presente nas grades curriculares em outras áreas do conhecimento, como vim a descobrir bem mais tarde. Interessava-me, juntos com alguns outros colegas naquele longínquo século XX, por filosofia e história das ciências, mas passamos ao largo de qualquer manual de metodologia científica. Assim se alguém perguntasse naquela época o que era ciência, não teria uma resposta pronta (como ainda não tenho), mas poderia enunciar um conjunto de crenças, regras e práticas próprias daquilo que estava aprendendo e fazendo e que uma comunidade reconhecia como ciência, afinal meus artigos estavam sendo aceitos em revistas internacionais. E como isso que fazíamos (e continuamos a fazer) diferencia-se do que não era chamado de ciência? A demarcação da ciência frente a outras formas do conhecimento ocupou (e ocupa) um respeitável time de filósofos da ciência, entre eles, por exemplo, Imre Lakatos (1922-1974), que ainda aparecerá em uma nota nessa coluna.  Mas não é esse, pelo menos diretamente, o assunto desta coluna. No entanto, preciso mencionar que nos manuais de metodologia científica existe sim a preocupação de delimitar o conhecimento científico dos outros tipos de conhecimento: popular, religioso e filosófico; como descrito no capítulo três dos “Fundamentos de metodologia científica” de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos. Breves definições sobre esses tipos de conhecimento podem ser lidos aí [1], [2], portanto não vou me estender na descrição dessas caixas separadas, mas no que sempre me despertou maior curiosidade: a comunicação entre elas.
Os contatos entre ciência e religião vão, dependendo do representante de cada campo, da hostilidade declarada e beligerante ao diálogo respeitoso, que reconhece os dois territórios do conhecimento. Como exemplo desse último tipo de contato, temos o debate epistolar entre o semiólogo (entre outras coisas) Umberto Eco e o cardeal Carlo Maria Mantini, que ficou conhecido como “Em que creem os que não creem?” [3]. O diálogo é sobre Ética, mas Eco aborda diretamente a ciência em perguntas ao final de uma das suas cartas: “Qual é o estado atual do debate teológico a respeito, agora que a teologia não se mede já com a física aristotélica, a não ser, com as certezas (e as incertezas!) da ciência experimental moderna? Como bem sabe você, sob tais questões não subjaz, unicamente, uma reflexão sobre o problema do aborto, mas também, uma dramática série de problemas novíssimos, como a engenharia genética, por exemplo, ou a bioética, sobre a que hoje todos discutem, sejam crentes ou não. Qual é hoje a atitude do teólogo frente ao criacionismo clássico?” Mantini na carta resposta não aludiu diretamente a essas questões, mas começou a carta reafirmando: “Com toda razão recorda você, ao princípio de sua carta, o objetivo desta conversa epistolar. Trata-se de estabelecer um terreno de discussão comum entre laicos e católicos, confrontando também aqueles pontos nos quais não há consenso”.
Por outro lado, entre conhecimentos filosófico e científico o trânsito é bem mais intenso, ainda que um tanto assimétrico: o meu convívio acadêmico levou-me à percepção de que, em geral, os filósofos se interessam mais pela ciência do que os cientistas pela filosofia, o que é uma pena para estes últimos.
Não é, no entanto, as relações entre ciência e filosofia ou religião a questão central aqui, e sim a relação do conhecimento científico com o conhecimento popular, em particular os saberes tradicionais ou indígenas (indigenous knowledge). São muitas vezes saberes que correm risco de extinção junto com as línguas nas quais (ainda) são transmitidos, mas que, embora sejam “conhecimento não produzidos por meio de métodos de pesquisa tradicionais, podem ter valor científico” [4]. Para não cair na armadilha da mera abstração, seguem três breves exemplos.
O primeiro eu aprendi lendo o artigo citado logo acima, que menciona como algumas tribos na Indonésia escaparam do Tsunami de 2004 (incluindo aí alguns grupos de turistas ocidentais), graças aos conhecimentos tradicionais passados oralmente de geração em geração. Não foi um caso isolado, como o relatório “Indigenous Knowledge for Disaster Risk Reduction” [5] mostra em seus 18 estudos de caso. Esses exemplos, se por um lado reconhecem a importância do conhecimento tradicional, por outro lado tem um quê de objeto de estudo da ciência, ou seja, ainda uma assimetria, como nas outras relações.
O segundo exemplo é o dos parabotânicos na Amazônia, identificadores da biodiversidade da floresta, profissional cuja formação parte do conhecimento tradicional e que está em extinção [6]. Nesse caso o conhecimento tradicional não só é reconhecido, mas é estratégico para viabilizar a pesquisa em si e até para que esta tenha credibilidade na comunidade científica internacional.
O último exemplo eu costumo apresentar nas aulas de Física sobre ondas, é uma pesquisa sobre a navegação através da “leitura do formato das ondas” em torno das ilhas Marshall no oceano Pacífico. Na primeira década deste século, as autoridades locais, preocupadas em promover o turismo, buscaram um meio de fazê-lo a partir do conhecimento tradicional de navegação com mapas de treliças de madeira, indicando as ondas e seus formatos, e conchas, identificando as ilhas, que refletem e refratam essas ondas. O sistema é eficiente, pois permite a navegação precisa por centenas de quilômetros, mas esse conhecimento tradicional estava se perdendo, pois poucos nativos ainda o detinham e sem nenhum estímulo para preservá-lo. Como resgatá-lo? Através de pesquisa conjunta entre portadores desse conhecimento tradicional, antropólogos para traduzir esse conhecimento e oceanógrafos com seus modelos computacionais da dinâmica marítima para comparar as ondas do conhecimento tradicional com as ondas da ciência. Resultado duplo: preservação através da ciência ocidental de um conhecimento tradicional, que ajuda a melhorar os modelos computacionais dos oceanógrafos. O artigo “Wave Navigation in the Marshall Islands – Comparing Indigenous and Western Knowledge of the Ocean” [7] é também assinado por Korent Joel, um dos últimos navegadores tradicionais dessas ilhas da Micronésia. Uma rota mais simétrica entre diferentes tipos de conhecimento.


[2] Uma curiosidade: Eva Maria dedica o livro a seu pai Tibor, mas um verbete na Wikipédia (acessado em 15/01/2017) assevera que “É filha do renomado Cientista húngaro e Teórico da Filosofia da Matemática Imre Lakatos”. Checar informações assim não deveria fazer parte apenas da ciência.