Flores

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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Para quem se espanta com a pseudologia perene que jorra dos lábios presidenciais e dos ministros de Bolsonaro, trago novamente a publicação uma palestra feita no Fronteiras do Pensamento (pena que não publicada em áudio ou vídeo). Mentiras....a prática é tão antiga quanto Adão e Eva, mais a serpente. É tão antiga quanto os mitos gregos, é antiga em suma. Talvez valha a pena ler o texto, no qual tentei dizer o indizível, para quem vergonha na face. RR


Fronteiras do Pensamento.

Roberto Romano/Unicamp


1) Mentiras


Durante o tenso debate encenado sobre a retórica, no Górgias, Sócrates insiste: os cidadãos procuram corretamente conselhos em todas as técnicas, do campo náutico à medicina. Os retores, aproveitando tal confiança em juízos especializados, afirmam que também o seu mister é uma técnica,  persuadir os que decidem a norma política. Sócrates replica de modo direto, afirmando que, apesar dos retores, a política e a moral exigem saberes técnicos, os quais devem ser adquiridos antes que o retor ensine as pessoas a persuadir. Caso contrário, ocorre apenas que o ignorante imagine saber mais do que os especialistas. ([1]) Trata-se a retórica de um saber ou apenas de experiência, algo limitado ao incerto e inseguro campo empírico ? A resposta socrática é positiva. retórica é forma empírica de ação e pensamento. E o que se produz com ela? Certa gratificação e prazer. Quem é gratificado pela retórica? O povo. A arte de persuadir seria, então, algo belo e bom ? Longe disso. A retórica é prática que, sem poder ser considerada uma ciência, pertence a pessoas perspicazes e sem medo, superiormente dotadas para a lisonja. A retórica é uma empiría, como a arte de cozinhar.

No fim do diálogo Sócrates desafia Cálicles e sua profecia do julgamento que levou o filósofo à morte, dizendo que só um homem sem justiça (adikount´anthrôpon) o conduziria ao tribunal, pois é deslocado (atopon) que um homem justo denuncie ao tribunal um outro que não comete injustiça. Não seria de espantar se a sentença dos juízes fosse a condenação à pena capital. E Sócrates enuncia a sua auto-percepção: “Acredito que eu sou, em companhia de alguns atenienses (oimai met´oligôn Athênaiôn) o único  homem hoje ocupado em assuntos estatais. Por isto, as palavras que pronuncio não se destinam a agradar, mas dizem o que mais vale, não o mais agradável. Sou incapaz das finuras aconselhadas por você, de modo que não saberia o que dizer diante do tribunal. Eu seria julgado como seria julgado o médico que acusasse certo cozinheiro face a um tribunal de crianças. O cozinheiro poderia dizer, justificando-se : “crianças, eis um homem que lhes causa misérias. Ele machuca (…), aos lhes cortar ou queimar. Ele seca e sufoca, de modo que vocês não sabem para onde fugir. Eles lhes dá para beber o que é amaríssimo, forçando a sua fome e sede! Não comigo, que lhes dou grande quantidade de variadas guloseimas doces! Paralisado pelas necessidades de sua situação, o que poderia dizer o médico? Suponha que ele diga a verdade : ´Tudo o que fiz, era para a sua saúde !´. Alguns clamores, protestos, os juízes não seriam violentos?” . Algo análogo, diz Sócrates, enfrentarei no tribunal.

O Górgias ataca a política ateniense e os políticos. Nele, dois ideais são confrontados com a experiência. Sócrates elege o ideal que o conduz à felicidade pessoal. Atrás dele surge a imagem de Platão, destinado à política por origem familiar e pelas suas próprias inclinações. O diálogo apresenta o problema, desenvolvido na República e nas Leis, da sociedade justa ou injusta ([2]). O ataque é dirigido às cidades mal administradas, “que medem seu ´poder pelo número de navios nos portos e dólares no tesouro, o seu ´bem estar´ pelas condições de consumo dos cidadãos. Tal seria a sociedade ateniense, a de Péricles, cujos princípios corruptos conduzem à corrupção das instituições musicais, dramáticas, políticas e sociais”. ([3]) Platão condena os políticos por adular os preconceitos da massa. Sócrates diz no Górgias: “Prefiro que a lira seja desprovida de acordo e dissonância, e que o mesmo ocorra com o côro pelo qual sou responsável, e que a maioria dos homens esteja em desacordo comigo, e me contradigam, em vez de não ser, eu mesmo, consoante comigo mesmo e me contradizer”. O termo usado para falar em acordo musical e político, nesta passagem, é “homologein”, importante na ordem jurídica ocidental.

A retórica é adulação dos governados, algo que se transforma em tirania quando os demagogos atingem o poder. No processo eleitoral democrático o povo esquece o que exige na vida particular. Nesta última, quando se busca o auxílio de um médico, artesão, etc., a busca é por indivíduos técnicamente bem treinados, competentes. Nas eleições e consultas ao povo, tal elemento é afastado, salientando-se a corrente de palavras que opera com  feitiço, um encantamento dos eleitores. Assim, eles confiam a direção do Estado a pessoas incompetentes e sem retidão. No Górgias, Platão distingue as “epistemai-téknai” fúteis das sérias. Existiria uma retórica perversa e pervertida, aproximada à lisonja e à cozinha (inferior à ginástica e à medicina) e a boa retórica,  que ensina e produz a virtude, superior à ginástica e à medicina. ([4])

Não cabe aqui seguir as inspeções modernas do pensamento platônico no âmbito político. Como fruto das utopias renascentistas, do socialismo no século 19 e 20, do nazismo sobretudo, críticos de Platão indicam nele um teórico totalitário. E neste rumo, também foi acentuado a “solução” platônica que substituiria as eleições democráticas, doentes de virulenta demagogia, produtoras de servidão voluntária. Karl Popper, na conhecida obra sobre a sociedade aberta,  acusa o suposto ou real totalitário. Leo Strauss assume atitude diferente face à “noble lie”. A fórmula tem uma polissemia que exige prudência. As duas palavras  —gennaion pseudos— foram interpretadas de formas contraditórias. Sejam quais forem as exegeses, a “nobre mentira” instalou-se no mais profundo nível da Razão de Estado. Com as descrições da Guerra do Peloponeso, em especial o episódio da ilha de Melos, ela fornece a armadura dos que, dirigindo o Estado, desconfiam de eleições e debates, fogem da transparência e da “accountability”. Eleições livres (livres sobretudo de manipulações eleitorais) e razão de Estado formam um par de muito difícil consonância.

Platão imagina que determinadas situações exigem a nobre mentira. Consciente de que a educação não basta para manter três setores hierarquizados de guardiães, auxiliares e produtores na suposta “cidade bela” (Kallipolis), Sócrates afirma que os três grupos devem crer que estão em determinado grupo porque nasceram da terra. Todos os cidadãos precisam ver cada um dos outros como irmãos. Mas um grupo é misturado com ouro, outro com prata, outro com bronze. Que mentira será eficaz para conseguir a divisão entre os três setores (filósofos/reis, guardiães, trabalhadores) ? Surge a fórmula da mentira como remédio (hos pharmakon chresimon), o mais parecido com a verdade. ([5])  A tese platônica espanta porque, mesmo na democracia demagógica de Atenas, o ideal era não mentir em assuntos de Estado.


Jon Hesk, discute a tese de Platão e mostra dois exemplos de mentira condenada no campo democrático. A primeira, se passou nos EUA de nosso tempo, com o comportamento de Oliver North na crise Iran/Contras. Dois comitês do Congresso tentaram convencer North de que era errado enganar os legisladores, o povo americano e o governo iraniano. Um político diz ao militar investigado que existem vínculos essenciais entre a transparência, a honestidade e a política normativa na América, ao contrário do que se passa nas terras não democráticas. Um senador (Hamilton) se perturba com o apelo de North à noção de que ocasionalmente é necessário e justificável mentir ao povo.

Mas Demóstenes, em discursos virulentos, também denunciou a mentira e o engodo como ameaças ao processo democrático. Mentiras podem existir em regime tirânico, diz ele, ou numa oligarquia, porque tais sistemas não exigem o debate dos cidadãos e dos que decidem as políticas públicas. ([6]) O pensamento ocidental, desde o Renascimento, divide-se entre os que defendem a mentira do Estado (e a sua ordem burocrática) e os que  estabelecem, como Humboldt, os limites da ação estatal. Rousseau indica o ponto: “o pretexto do Bem Público é sempre o mais perigoso flagelo do povo”  ([7]) A fórmula da razão de Estado é simples:  “salus populi suprema lex esto”. Um comentador de Rousseau matiza o dito do genebrino: as mentiras oficiais causam danos insuspeitados. O “legislador, embora justificadamente use mentiras e outras formas de engodo para atingir as pessoas com seus propósitos, deveria persuadir em vez de forçar o povo comum a aceitar seus ditames” ([8])


2) Razão de Estado


Os comentadores da Razão de Estado indicam a inconexão nela encoberta entre quem fala com poder e quem obedece. “O político mente para ganhar eleições; o desempregado mente para conseguir emprego, e até existe quem minta exclusivamente para chamar a atenção”. Mentir é próximo de manipular, pois é um ato unilateral: “eu” engano, minto, e “eles” não devem perceber. A razão de Estado é uma política paradoxal porque tende a reduzir todo enunciado político à manipulação dos dirigidos, neles criando a aceitação temporária do que se diz e se faz. A adesão aos atos do governante é fabricada com meticulosa astúcia. A cada vez o engano deve ser retomado, sem que se acumule realmente qualquer obediência cuja origem seja a vontade efetiva do coletivo.

A razão de Estado arruina a fé pública porque é “um engano radical, uma ruptura de fé que arruina todo contrato discursivo; na mentira [e na Razão de Estado, RR] o ouvinte não é capaz de explicitar nenhuma estrutura; trata-se de um discurso ´fora da lei´”. ([9]) Quando descoberta, a mentira precisa de razões excusas para justificar seu abuso. A verdade não precisa se desculpar, salvo justamente diante da razão de Estado, como se apreende da história desta política que não ousa dizer seu nome. Os julgamentos das seções especiais de Justiça em Vichy, os julgamentos de Moscou e muitos outros julgamentos demonstram esse ponto.

Quais mentiras operam na cultura ocidental, berço da razão de Estado? Na ficção, que sem dúvida não é verdadeira mas também não é mentirosa, pois não intenta enganar.  Na lingua política comum, não presa à Razão de Estado, pois nela se encontram os eufemismos, as evasivas, os silêncios, as desinformações. Esta lingua promete sem prometer e deseja agradar e conseguir votos, persuadir mais do que convencer. Mas não pode ser dita mentirosa, e sim demagógica. Nela, os interesses pragmáticos se sobrepõem a todos os demais interesses. A lingua da publicidade exagera para persuadir, é prescritiva de modo sutil. ([10]) A fala cotidiana conta com fórmulas mentirosas, que não podem ser tomadas ao pé da letra. Assim nas desculpas, saudações, expressões de contentamento ou tristeza. “Existem classes e profissões nas quais se pressupõe, por princípio, que forçam os seus representantes a mentir, como, por exemplo, os teólogos, os políticos, as prostitutas, os diplomatas, os poetas, os jornalistas, os advogados, os artistas, os fabricantes de alimentos, os operadores da bolsa, os juízes, os médicos, os falsificadores, os gigolôs, os generais, os cozinheiros, os traficantes de vinho”. ([11]) Mas as mentiras profissionais são partilhadas. Passemos ao caso da mentira como ato de violência e poder.

A mentira real se identifica com a injustiça. Ela é  violência só  justificada pela aceitação do violentado. Nela, as duas partes —mentiroso e enganado— sabem que estão mentindo um ao outro, mas ao dirigido só resta aderir ao dominante. Na mentira real a competência linguistica é assimétrica: mente-se à criança, ao doente, ao fraco, ao vulnerável, ao que depende de tutores. A Razão de Estado se instala com a dominação assimétrica absolutista. É o caso de James I, que afirma ser o rei “accountable” apenas perante Deus. Aos súditos, ele ensina e manda sem que eles possam exigir prestações de contas. A luta contra a Razão de Estado formou as revoluções democráticas na Inglaterra, na América e na França. Na democracia, a competência lingüistica é simétrica e compartilhada.

A Razão de Estado contraria o genero humano porqueque sua mentira é injustiça que não toma governantes e governados como iguais, mas reduz o governado a meio do governante. A mentira se oculta na Razão de Estado, porque senão ela perde efeito.  Fé pública e verdade garantem deveres, leis,  contratos. Pitt Rivers ([12])  afirma que a mentira mede a hierarquia. Mentir é uma relação que se faz cima para baixo. Trata-se de saber quem possui direito à verdade. Mentira é não dizer a verdade a quem possui direito a ela. A ordem que chega de cima não é mentira, mas palavra de poder, modelo de ação para quem a recebe. Quem precisa fazer sua informação subir mente se esconde não a purifica o conveniente para o seu nível. Os totalitarismos “nunca reivindicaram a si mesmos como prováveis, mas como verdadeiros”.

3) Eleições

Se quisermos conhecer a “realidade” de um coletivo humano, as eleições ajudam bastante. Mas os escrutínios eleitorais trazem muitas incertezas. Em primeiro lugar, pensa François Dagognet ([13]), porque o poder, desde o início, “se imiscui na operação e a embrulha: ele deseja em demasia uma ´representação´que lhe seja favorável”. Nas eleições e nos escrutínios, são misturadas três imagens: “a real (se esta palavra tem algum sentido) a normativa ou potencial, pois se trata de encontrar uma direção futura, a desejada ou procurada, porque os manipuladores tendem a se perenizar e cuidam bem de desregular os indicadores”. O ponto maior é que eleições visam menos o conhecimento de ideais, ou exigências coletivas, e geram mais a afirmação de poder de grupos. Na história eleitoral os grupos poderosos reduziram o voto público (com as mãos erguidas, em voz alta, etc) em proveito do voto secreto. O voto secreto é mais indicado, quando se trata de instaurar a justiça e a liberdade? Leiamos Montesquieu: “A lei que fixa o modo de dar os bilhetes dos sufrágios  é lei fundamental na democracia. É um grande problema saber se os sufrágios devem ser públicos ou secretos. Cicero escreve que as leis que os tornaram secretos nos últimos tempos da República foram em grande parte a causa de sua queda”. ([14]) E Rousseau afirma o seguinte: “quanto à maneira de recolher os sufrágios, ela era entre os primeiros romanos tão simples quanto seus costumes, embora menos simples do que em Esparta. Cada um dava seu sufrágio em voz alta, um funcionário os anotava…Este uso era bom, enquanto reinou a honestidade entre os cidadãos e cada um tinha vergonha de fornecer publicamente seu voto a uma deliberação injusta ou assunto indigno, mas quando o povo se corrompeu e os votos passaram a ser comprados, foi conveniente que eles fossem dados em segredo”. (Contrato Social, IV, IV).


4) Justiça

Dos retores criticados no Górgias à “nobre mentira” da República, daí ao elogio da dissimulação e do engodo trazidos pela Razão de Estado, passando aos procedimentos de Goebbels e similares, para atingir a era dos que Vance Packard chamou “Os persuasores ocultos” e atualmente nas técnicas de persuasão à distância analisados por Peter Sloterdijk ([15]) ou nos laboratórios de neurotecnia que visam mover pessoas com o uso de meios eletrônicos ([16]), temos a constante busca da justiça, conduzida por alguns seres humanos, mas também a perene afirmação da injustiça, pela maior parte dos que dirigem os Estados. A democracia resistiu aos totalitarismos, mas rende-se, cada vez mais, aos encantos e facilidades de legitimação trazidos pelas eleições, ganhas na sua maioria com poderosa assessoria dos novos retores, os donos do marketing político. Se os retores gregos embelezavam as palavras com fins de persuasão, hoje os seus herdeiros embelezam todo o corpo dos políticos, fabricam seres artificiais com ajuda de todas as formas cosméticas. O Brasil foi bem servido nesta faina de cosmetizar a política para reforço da injustiça. Platão diz que a Justiça é como um bicho escondido em moitas. Ela foge das mãos e pernas dos que a procuram. Poucos podem atingi-la em tempo certo. Eleições também enganam e mostram enganos. E tudo isso pertence à ordem do poder político.





[1] Cf. Kennedy, G. A. : On Rhetoric: A Theory of Civic Discourse (Oxford University Press, 1991) ; Sarkar, H. : “Kant. Let us compare”. The Review of Metaphysic, volume 58, 2005.
[2] E.R. Dodds, Gorgias. A revised text with introduction and commentary (Oxford, Clarendon, 1992, second impression), p. 31.
[3] Dodds, op. cit. p. 33.
[4] Cf. Brès, Yvon: La Psychologie de Platon (Paris, PUF, 1973), p. 52.
[5] Cf. Hesk, J. : Deception and Democracy in Classical Athens (Cambridge, University Press, 2000), p. 154.


[6] Cf. Hesk, op. cit.
[7] Citado por Besse, G. : “J.-J. Rousseau: maître, laquais, esclave” . In Hegel et le siècle des Lumières,  livro coletivo organizado por J.  d´Hondt (Paris, PUF, 19749.
[8] Watkins, F. “Introdução” a Rousseau Political Writings (Thomas Nelson & Son Ed.) 1953.
[9] H. Parret, “Élements d´une analyse philosphique de la manipulation et du mensonge”, Documents de Travail, Università di Urbino, 1978, citado por Victoria Camps.
[10] Neste plano, o clássico de Vance Packard, The hidden persuaders (New york, David Mac Kay & Co. 1957) é a referência fundamental.
[11] Herman Kesten (Ed.) : Schwierigkeinten, heute die Wahrheit zu schreiben (Munique, 1964), citado por H. Weinrich, Metafora e menzogna; la serenità dell´arte (Bolonha, Il Mulino, 1976). Cf. Camps, p. 36.
[12] Pitt Rivers “Honor and social status” . In J.G. Peristiany (Ed.), Honor and Shame: The Values of Mediterranean Society Chicago: University of Chicago Press, pp. 19-77. Citado por Amélia Valcárcel na edição espanhola : Antropologia del honor, Barcelona, Crítica, 1979, pp. 30 e ss.
[13] “Élection” in Philosophie de l´Image (Paris, Vrin, 1984), pp. 186 ss.
[14] O Espirito das Leis, II, cap. II. Citado por Dagognet.
 15 Die Verachtung der Massen (FAM, Sonderdruck, Suhrkamp, 2000).
[16] Moreno, J. D.  Mind Wars. Brain Research and National Defense (NY, Dana Press, 2005).

quinta-feira, 25 de julho de 2019

O Diretor do INPE disse que o presidente do Brasil é covarde e pusilânime. Em pequena resenha sobre o livro de Moreno, exponho o que significa a coragem na guerra, dos tempos antigos aos nossos dias. RR O livro indicado é Minds Wars, de J.D. Moreno.


Ao comentar a guerra no século 19, Hegel afirma que nela deixou de existir o heroismo pessoal. A luta entre soldados assumiu plena frieza porque entre os exércitos aumentou o papel das máquinas como os canhões, etc. Quem atira usa aqueles instrumentos quase nunca enxerga o inimigo alvejado. Assim, as paixões de ódio e pavor são atenuadas em proveito de um belicismo burocrático. O retrato da guerra exposto nas “Lições sobre a Filosofia do Direito” é similar ao produzido por outros analistas como Max Weber, ao discutir o Estado e a sociedade civil modernos. A burocracia, ela mesma um imenso engenho mecânico, toma conta dos atos religiosos, dos políticos e destes aos letíferos. Weber chega a dizer, com desconsolo, que o futuro da humanidade encontra-se no ordenamento burocrático que afasta o poder dos governantes e legisladores, juízes e clérigos,  empresários e trabalhadores.

Cito o capítulo de J.D. Moreno que discute a mediação de instrumentos e remédios nos combates de hoje. O autor de “Mind Wars, Brain Research and National Defense” recorda a “Ilíada” nos versos em que Homero celebra a coragem dos heróis gregos : “Eles não lutam à distância com arcos ou lanças, mas com uma só mente, que os prende uns aos outros em combate cerrado com suas potentes espadas”. Assim, a valentia cede passo, pensa Moreno, a cada nova invenção técnica, das catapultas ao canhão, deste às bombas dirigidas por satélites. Líderes militares refratários aos incrementos técnicos são deixados para trás, no tempo histórico. O General Patton disse a jornalistas que a Força Aérea teria extraído dos soldados a oportunidade heróica. Moreno deixa de indicar, mas estrategistas importantes como Clausewitz discordam de Hegel e dos que afirmam ter a coragem e a batalha face a face perdido lugar na guerra moderna. Mesmo hoje, uma guerra só ser dita vitoriosa se os pés de um infante pisam o solo dos vencidos, garantindo a sua posse permanente ou provisória.

Moreno exemplifica os riscos da aplicação técnica de meios, sem domínio completo de todos os atos necessários para a plena eficácia. Ele cita os terroristas chechenos que invadiram um teatro em Moscou (outubro de 2002). As forças policiais (na verdade, forças armadas russas) colocaram o derivado de cloridrato de fentanil pelo buraco de  uma parede, para incapacitar os sequestradores. O gás lhes causou sono, permitindo matá-los. Mas o efeito colateral foi dramático: homens, mulheres, crianças também cairam sob a ação do gás, gerando 128 mortes, com muitas internações mais de pessoas em estado grave. É que os policiais que aplicaram o gás, e mesmo os que operavam o serviço médico, não possuiam saberes e maiores informações sobre os seus efeitos.

No mesmo tempo em que a tragédia ocorria na Rússia, indica Moreno, a National Academy of Sciences, dos EUA, apresentou um relatório sobre o uso militar de “armas não letais”, incluindo “calmantes” como o referido derivado de cloridrato de fentanil. O final do relatório diz que a Convenção sobre Armas Químicas é ambigüo o bastante, quando se trata de armas daquele tipo.  O Pentágono assume atitude similar, afiançando que o uso daquelas armas é decisivo para que missões delicadas sejam bem sucedidas. Críticos dos costumes oficiais norte-americanos chamam a atenção para a perigosa proximidade entre armas químicas não letais e letais. Muitos se interrogam sobre o uso das últimas por ditadores que tiveram o apoio dos EUA, como Sadam Hussein na guerra contra o Irã.

O livro de J.D. Moreno traz informações preciosas para os que militam na defesa dos direitos civis democráticos. Vale a pena (apesar da tristeza causada pelos números e procedimentos analisados por ele) estudar os seus argumentos, comparando-os com o de outros analistas de posição contrária à sua. Mas é impossível fechar o volume sem o sombrio pressentimento de nem sempre a técnica e a ética encontram-se no rumo de melhor a vida humana.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

É muito comentado o costume do atual presidente brasileiro de empregar pseudologias sem detença. De fato, ele é campeão no assunto. Todo dia seus lábios soltam mentiras em dose excessiva até para seus admiradores. Um tema que estudo desde longa data é a razão de estado e, nela, a mentira. O artigo abaixo é 2013, séculos em termos políticos, minutos em plano histórico. Segue para reflexão.

Mentira e democracia  
Roberto Romano O Estado de S.Paulo,8.12.13 

John Mearsheimer, especialista em questões bélicas e diplomáticas, publicou em 2011 o livro Por Que os Líderes Mentem -­‐Toda a Verdade sobre as Mentiras na Política Internacional. Ele comenta as práticas do governo americano após os ataques ao World Trade Center. Para Mearsheimer, a Casa Branca mentiu ao alegar a existência das armas de destruição em massa no Iraque, ao dizer que Saddam Hussein colaborava com Osama bin Laden, ao proclamar que o ditador iraquiano estava implicado nos ataques às torres gêmeas, ao anunciar negociação pacífica quando a invasão do Iraque estava pronta. Mearsheimer não é jacobino ("liberal"), sua posição tem forma conservadora. Após apresentar o que nomeia mentiras de George W. Bush, ele as justifica. Dada a anarquia imperante na vida internacional (conhecida desde Tucídides, Maquiavel, Hobbes e Hegel), todos os Estados estão sozinhos se precisam defender a hegemonia.  

Sem aliado seguro não há quem obrigue uma potência a seguir a ordem kantiana de jamais mentir.Afirma o autor que a mentira "é ação positiva, articulada para enganar a plateia alvo". A definição copia a de Santo Agostinho: mentir é "dizer o contrário do que se pensa, com a intenção de enganar" (De Mendacio). A mentira, comenta uma analista, "é boa se ajuda a superar situações sociais ou políticas"(Diana Margarit). Da "nobre mentira" platônica (A República, 414b-­‐c) aos nossos dias, o tema integra a razão de Estado. Frederico II, diz Hegel na Filosofia do Direito, perguntou em 1778 se "é permitido enganar um povo". Mas Hegel tem uma resposta maquiavélica: a plebe "engana a si mesma". 

O governante, se for eminente, conhece o verdadeiro e o falso, tem o direito de usá-­‐los para garantir o Estado contra os ignaros.Tempos atrás surgiu nos Estados Unidos o romance, escrito por um anônimo, intitulado Primary Colors (que resultou no filme Segredos do Poder). A trama é narrada pelo integrante de uma campanha presidencial. O candidato, tudo indica, seria Bill Clinton. O autor diz em prefácio que sua obra é pura fantasia. Mas os detalhes do enredo são confirmados pelas notícias. Após algum tempo surgiu o nome do autor, trata-­‐se de Joe Klein, experiente jornalista político, profundo conhecedor dos bastidores partidários.A campanha presidencial narrada segue receita antiga para ganhar eleições: mover os semeadores de boatos contra os adversários (os spin doctors), usar truques e fraudes virulentas. O mais importante reside na ambígua ética do candidato (Jack Stanton), que se imagina um mocinho, mas usa os meios dos bandidos para vencer. 

Na batalha pelas urnas, os "perversos" inimigos fabricam um elo extraconjugal do político. Detalhe: o fato é verdadeiro, mas para convencer os eleitores seria preciso "aprimorar a prova". Daí, eles unem trechos de várias conversas gravadas, as quais, por si mesmas, nada diziam sobre as alcovas do político. Para refutar o truque os marqueteiros de Stanton colam falas de uma entrevista televisionada e a passam ao público.Mostram, assim, que houve fraude na montagem, mas eludem o trato entre candidato e amante. Relações homoafetivas do adversário são expostas sem clemência. Vale tudo no belicismo eleitoral.Quando um membro da sua campanha quer deixá-­‐lo, "Clinton/Stanton" arrazoa: "Dois terços do que fazemos é repreensível. Sorrimos, escutamos -­‐podem crescer calos em nossas orelhas de tanto ouvir. 

 Fazemos nossos patéticos pequenos favores. Falamos para eles o que desejam ouvir e quando lhes falamos algo que não querem ouvir, usualmente é porque calculamos exatamente o que desejam escutar. Temos uma eternidade de sorrisos falsos. É o preço pago por nós para liderar. Você não acha que Abraham Lincoln foi uma prostituta antes de ser presidente? Você entende, como eu, que há muita gente no jogo que nunca pensa nas pessoas mas só quer vencer?".Comenta um filósofo: "Primary Colors analisa as rotas onde a democracia e seus ideais são erodidos e forçados por uma elite política e pela cultura midiática, em campanhas imersas na sujeira e na contra-­‐sujeira, na corrupção e na tentação de dizer ao eleitorado o que ele deseja ouvir" (Jon Hesk, em Deception and Democracy in Classical Athens). 

Voltemos ao maquiavélico Hegel (a massa engana a si mesma). É suspeito o prazer suscitado quando as carnes podres de um ou outro partido são expostas em boatos dos spin doctors e marqueteiros. O escândalo dura pouco tempo, sendo trocado pelo seguinte, e assim por diante. A vítima real das denúncias encontra-­‐se na instituição política, corroída e impotente. Sem a fé pública, ela não mais oferece a segurança basilar da existência cidadã. Eleições, em casos assim, marcam a morte da vida democrática, não seu vigor.Vivemos a guerra eleitoral de 2014. No mundo e no Brasil domina a propaganda mendaz (cf. Dennis W. Johnson, No Place for Amateurs: How Political Consultants Are Reshaping American Democracy). 

 Se, como diz Mearsheimer, mentiras podem ser aceitas em plano internacional, na vida interna dos povos elas dissolvem a sociedade. Quando os líderes mentem para as plateias, difamam adversários e batem contritos no peito, o regime democrático fenece. Spin doctors, na imprensa e na internet, espalham calúnias e medos. Eles vampirizam os sonhos da plebe. Tudo está programado para destruir os inimigos, no governoe nos recantos oposicionistas, e para rebaixar a cidadania. Lucram os oligarcas que pescam em águas turvas, mas quem lhes serve de instrumento vai para a cadeia.Quando lembramos a tese de George Orwell, pervertida com sarcasmo em Primary Colors-­‐"Se a liberdade tem algum sentido, ela significa o direito de dizer ao povo o que ele não quer ouvir" -­‐, temos a consciência de que já ultrapassamos os limites da escravidão, apelido que damos a uma suposta e melancólica democracia.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Lista incompleta das teses e dissertações orientadas por Roberto Romano e que podem ser lidas no site da Biblioteca da Unicamp. Espero em Deus que nem todos decidam apoiar o desmonte da universidade, como assistimos hoje. RR

1. Rousseau e a fundamentamentação da moral : entre razão e religião
Autor: Genildo Ferreira da Silva Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Etica , Religião , Iluminismo , Ateismo , Cristianismo Resumo: Um dos temas centrais da filosofia moderna sempre foi o problema da fundamentação da moral. O cenário que emoldura nosso tema é o confiito que, no século XVIII, envolveu posições da apologia cristã e do ateísmo em torno da definição das bases da justificação do agir moral, no lIuminismo francês... Observação: O resumo, na integra, podera ser visualizado no texto completo da tese digital Resume: Un des themes centraux de Ia philosophie moderne a été toujours le probleme du fondement de Ia morale. La toile de fond qui sert de cadre à notre theme est le conflit qui, au cours du XVllléme siecle, a opposé les positions de I'apologétique chrétienne et celles de I'athéisme au sujet de Ia définition des bases de Ia justification de I'agir moral, pendant le Siecle des Lumieres français... Note: The complete abstract is available with the full electronic digital thesis or dissertations [22.044%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
2. A leitura conservadora do conceito de religião civil de J.-J. Rousseau por Thales de Azevedo
Autor: Genildo Ferreira da Silva Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia francesa , Filosofia e religião , Ciencias sociais - Brasil , Sociologia cristã Resumo: Não informado Abstract: Not informed [22.035%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
3. Aspectos lúdicos da perfectibilidade politica em Condorcet
Autor: Sidney Reinaldo da Silva Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Jogos , Iluminismo , Vontade , Razão Resumo: Em Condorcet, a constituição da coletividade é agregado aberto: totalidade inacabada. O jogo é experimento modelar para a análise da relação todo-parte. A idéia de médja, correlata da esperança matemática, apresenta-se como a base do jogo ou sistema de equivalência. Contudo, os critérios escolhidos são susceptíveis de mudanças conforme as suas conseqüências ou informações. O modelo deve refletir o inacabamento, pois o jogo muda de natureza. Assim, para manter um jogo eqüitativo, condição fundamental da aposta, seus princípios necessitam de reajustes. A perfectibilidade é basilar no pensamento político condorcetiano. Um pacto somente seria admissível se seus termos propiciassem uma democraçia progressiva e um progresso democrático Abstract: Not informed [21.926%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
4. A arte social em Condorcet : luzes e democracia
Autor: Sidney Reinaldo da Silva Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia francesa , Arte e estudo Resumo: Nesta dissertação analiso o conceito de arte social no pensamento de Condorcet (1743-1794). Partindo da sua concepção de poder público, procuro mostrar a sua proposta de conciliar "tecnocracia" e "democracia". Condorcet pressupõe que o individuo age de acordo com uma certa "crença" de que "o futuro será como o passado" e de que a natureza segue leis invariáveis, reveladas pela observação dos fatos. Os julgamentos que dirigem a conduta individual são fundamentados numa probabilidade que pode ser mais ou menos forte, mas sempre avaliada segundo um sentimento vago e maquinal. Condorcet propõe o cálculo como instrumento capaz de dar "mais precisão" às deliberações. Sendo assim. todas aquelas decisões arriscadas, que colocariam em perigo a vida ou bens do agente e/ou de seus semelhantes, deveriam ser pautadas no cálculo das probabilidades, única garantia de ação racional. Tal modelo deliberativo foi retomado por Condorcet no âmbito das decisões públ... [21.879%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
5. Dilemas da escola renovada
Autor: Maria Amelia Marcondes Cupertino Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Sociologia educacional - Brasil , Escolas - Brasil - Historia Resumo: Esta é uma análise comparativa entre duas escolas renovadas da década de 50: o Colégio de Aplicação de São Paulo e o Ginásio Vocacional "Oswaldo Aranha". Baseando-me em entrevistas realizadas com professores e alunos, examino o exercício de uma nova forma de autoridade que efetiva através do método pedag6gico e da interiorização de normas. Ao mesmo tempo, minha atenção recai sobre as fissuras existentes entre o modelo e sua manifestação específica e diária em cada uma das escolas. Assim, a partir de sistemas de ensino bastante pr6ximos, a prática acaba por configurar tendências bem distintas. No centro das diferenças estão o papel da ação e do pensamento no processo de aprendizagem e a delimitação dos espaços do indivíduo e do grupo [21.698%] » Faculdade de Educação - FE
6. Etica no sistema de ideias de Noam Chomsky
Autor: Ramiro Correa Junior Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Etica , Aquisição de linguagem , Garantia de qualidade , Empresas multinacionais - Administração , Caos quantico Resumo: Este trabalho contrapõe o discurso hegemônico da Qualidade, praticado nas grandes empresas, à perspectiva de Noam Chomsky, no que conceme à crise de valores e aos problemas éticos que se apresentam na relação entre o particular, o homem, e o universal, que se quer como mundo liberal. A pesquisa não nega a eficiência dos métodos e normas aplicados à Qualidade, nas organizações. Todavia, mostra que, a partir das conseqüências sobre a redução do trabalho contido e do aumento das tarefas automatizadas, homens são reduzidos a estatutos de máquinas, gerando uma crise ética. Uma vez constatada a crise social de valores morais submetidos às contingências, à opressão e à miséria, Noam Chomsky sugere uma forma inusitada de ativismo político em prol dos oprimidos. Os seus estudos acadêmicos acerca da Linguagem e o entendimento das referências teóricas que encontra na filosofia de Platão, nos filósofos das Luzes, no pensamento anarquista e nos elementos fundamentais da teoria da Catástrofe... [21.672%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
7. Jean Jacques Rousseau : da critica do progresso ao reclamo dos ideais iluministas
Autor: Arlei de Espindola Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia francesa , Iluminismo , Etica , Racionalismo , Razão Resumo: Não informado Abstract: Not informed [21.631%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
8. Cultura e domesticação : alguns prismas da doutrina spenceriana
Autor: Ivan Gomes Tavares Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Antropologia educacional , Cultura - Filosofia Resumo: Não informado. Abstract: Not informed. [21.627%] » Faculdade de Educação - FE
9. Alguns aspectos do conceito de razão em Voltaire
Autor: Elizabeth de Assis Dias Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Iluminismo , Filosofia francesa, Filosofia moderna, Razão - Filosofia Resumo: Nao informado Abstract: Not informed [21.596%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
10. Cor unum et anima una. A doutrina catolica sobre a autoridade no Brasil, 1922-1935
Autor: Romualdo Dias Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Igreja Catolica - Brasil - Aspectos politicos, Autoridade - Aspectos religiosos , Igreja e Estado - Brasil Resumo: Não informado Abstract: Not informed [21.596%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
11. A nação de intencionalidade nos primeiros escritos de Jean-Paul Sartre
Autor: Simeão Donizeti Sass Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Existencialismo , Consciencia , Intencionalidade (Filosofia) Resumo: Não informado Abstract: Not informed [21.596%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
12. Processo historico e noção de vida civilizada em Voltaire
Autor: Luiz Francisco Albuquerque de Miranda Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia francesa , Filosofia - Historia Resumo: Não informado Abstract: Not informed [21.596%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
13. A pedagogia de Paulo Freire: questões epistemologicas
Autor: Sergio Amancio Cruz Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Educação - Estudo e ensino , Ensino Resumo: Não informado. Abstract: Not informed. [21.596%] » Faculdade de Educação - FE
14. Persuação e ordem : a escola de quadros do partido comunista do Brasil na decada de 50
Autor: Sergio Joaquim Ruckert Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Educação Resumo: Não informado. Abstract: Not informed. [21.596%] » Faculdade de Educação - FE
15. Considerações sobre alguns prismas de educação e trabalho em Kant e Marx
Autor: Edmilson Menezes Santos Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Educação Resumo: Não informado. Abstract: Not informed. [21.596%] » Faculdade de Educação - FE
16. As moedas falsas : educação, moral e civica
Autor: Jose Vaidergorn Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Educação moral e civica , Desenvolvim nto moral , Etica Resumo: Não informado. Abstract: Not informed. [21.596%] » Faculdade de Educação - FE
17. A metodologia na educação popular: o projeto educativo da Igreja Catolica na Arquidiocese de Vitoria, ES
Autor: Romualdo Dias Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Educação de adultos Resumo: Não informado. Abstract: Not informed. [21.574%] » Faculdade de Educação - FE
18. Unidade e liberdade : o individuo segundo Jean-Jacques Rousseau
Autor: Claudio Araujo Reis Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia politica - Sec.XVIII , Etica , Individualismo , Autobiografia , Filosofia francesa Resumo: Não informado Abstract: Not informed [21.507%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
19. O conceito de engenho e de invenção na Scienza Nuova de Giambattista Vico
Autor: Vladimir Chaves dos Santos Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia italiana , Ciencia - Filosofia, Retórica , Ética Resumo: A Scienza Nuova de Vico responde em grande medida as principais carências da ciência moderna apontadas por ele em seus primeiros textos de perfil anticartesiano. Nela encontra-se uma tópica dos fatos humanos; um exame histórico do senso comum; uma ciência ativa; e um estilo que confere eloqüência à ciência. Para Vico, a faculdade criativa por excelência é o engenho. Esse em todos seus aspectos é a faculdade operante na Scienza Nuova. Abstract: The Vico's New Science is a responde to his evaluation witc regard to the modern science, above all the Cartesian philosophy. It contains topics of human facts, a historical inquiry of common sensc, an active science and an eloquent scientific language. According to Vico, the wit is the human faculty to invent. The New Science intends to be a wity work. [21.409%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
20. Modernidade arquitetonica e teoria do poder de estado em Brasilia : tradição e ruptura no dominio da plastica
Autor: Luis Alberto Abraham Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Arquitetura moderna - Brasilia (DF) Resumo: Não informado Abstract: Not informed [21.219%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
21. A soberania no De Cive de Thomas Hobbes
Autor: Mariana Amaral Queiroz Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Soberania , Estado , Filosofia moderna Resumo: A filosofia política de Thomas Hobbes é nosso ponto de partida para uma análise do conceito de soberania. Da forma como se encontra descrita nas obras políticas do autor, como o poder supremo e absoluto, a soberania tomou-se o cerne da concepção moderna de Estado. Por outro lado, a teoria da soberania de Hobbes continua, nos dias de hoje, a suscitar considerações de grande relevância política, e. g., reflexões sobre democracia, sobre legitimidade, e outros ternas. Buscamos neste trabalho, em primeiro lugar, assinalar alguns aspectos originais da teoria política de Hobbes e descrever, brevemente, o seu lugar na história do pensamento político. Em seguida, tendo por referência o De Cive, procuramos reconstituir os argumentos que o levaram a postular a necessidade de um poder absoluto como condição formal para a existência da própria comunidade política. Para tanto, retomamos os fundamentos de sua civil science, observando, também, como nela é engendrado o conceito de soberania.... [21.136%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
22. Filosofia da historia e Aufklarung : um estudo sobre a esperança de Kant
Autor: Edmilson Menezes Santos Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia - Historia , Iluminismo , Esperança , Educação Resumo: Não informado Abstract: Not informed [20.507%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
. A revelação da palavra de Deus nas sagradas escrituras e a subordinação da igreja a autoridade publica
Autor: Wagner de Mello Elias Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Ciencia politica - Filosofia, Filosofia moderna , Mecanismo (Filosofia) Resumo: Thomas Hobbes subordina as profecias, presentes numa República Cristã, à autoridade de seu soberano, fundamentando-se, para isso, na natureza dos sonhos e da linguagem, elaborando a realidade como modelo de máquina. A partir deste modelo, Hobbes concebe a religião como culto e delimita a palavra de Deus a seu registro nas Sagradas Escrituras, cujos textos são elementos que compõem a King James Version, autorizada pelo soberano da República Abstract: Prophecies are the main principle of the Christian Commonwealth. Hobbes subordinates them to the authority of his sovereign power. He uses as his foundation the nature ofLanguage and Dreams. From this basis, the reality is built as a machine and the word of God is that which is written in the Holy Scriptures only, which books are the King James Version [20.038%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
32. Jogo de espelhos no seculo XVIII : Rousseau, teatro e sociedade
Autor: Karen Kazue Kawana Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Teatro Resumo: A dissertação trata da critica de Rousseau à sociedade e às suas instituições, consideradas responsáveis pela corrupção do ser humano. O filósofo mostra como o homem passa do estado de natureza, em que é livre e o conflito ausente, para o estado social, tornandose escravo da opinião dos outros. A partir desse momento, ele é movido pelo desejo de distinção e transforma-se num ator, empregando aparências para ser aceito e estimado. Devido a essa dinâmica, a sociedade do século XVIII assemelha-se a um teatro, sublinhada pela própria instituição artística a que filósofos como Diderot e D' Alembert recorrem com o intuito de difundir a cultura e os bons costumes. O filósofo genebrino especula sobre a possibilidade de restituir a liberdade do estado de natureza para o homem socializado sem que a interação com os demais o influencie de forma negativa Abstract: The present dissertation deals with Rousseau's critic to society and its institutions, which are considered responsible for the cor... [17.604%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
33. Voltaire e a historia do estado civilizador
Autor: Luiz Francisco Albuquerque de Miranda Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia francesa , Filosofia politica , Historiografia , Despotismo , Iluminismo Resumo: O presente trabalho trata do papel do Estado nas obras filosóficas e historiográficas de Voltaire. O texto discute as relações que ele estabelece entre a legitimidade do poder político e a noção de processo civilizador. A partir do estudo dos textos do filósofo sobre a organização do império chinês e a história da monarquia francesa, analisa-se a maneira como- ele- apresenta a centralização estatal como forma eficaz de controle das paixões e resposta aos conflitos políticos, econômicos e religiosos que ameaçam a ordem pública. Nessa perspectiva, o Estado, quando consolida sua autoridade e limita o arbítrio dos governantes, é pensado como agente civilizador Abstract: This present work discourses on the role of the state in the philosophical and historiographical writings of Voltaire. It discusses the links he establishes between the legitimacy of the political power and the concept of civilizing process. Being rooted in Voltaire's writings upon the organization of the Chinese empire a... [16.394%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
34. A luz invisivel : o conceito de analogia na doutrina natural e moral de James Hutton
Autor: Pedro Wagner Gonçalves Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia - Historia , Metafora , Analogia (Logica) , Geociencias Resumo: James Hutton, 1726-1797, pensador e naturalista britânico, contribuiu para diversificados assuntos de filosofia e ciência. Ele foi algumas vezes considerado apenas teórico e alheio aos problemas práticos de sua época. Nesta tese, defendo interpretação contrária: esse autor realizou uma cuidadosa reflexão sobre problemas práticos e teóricos de seu tempo e nunca lhe bastou a simplicidade, a explicação rápida ou desprovida de bases empíricas. Em todos os campos que seus escritos se referem, a análise das aparências é parte crucial de sua doutrina. Leitor atento de seus contemporâneos e da antigüidade clássica, reinterpretou o mundo baseado na síntese entre fórmulas gerais, correntes em sua época, e na coleta de dados nos campos natural e social. Quais foram os campos principais a que se dedicou, quais eram suas referências culturais e como Hutton se situa no cenário filosófico? Persegui equacionar estes problemas no desenrolar de minha pesquisa. Para tanto, levantei e descrevi as manife... [14.545%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
35. O engenho segundo Vico
Autor: Vladimir Chaves dos Santos Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Educação - Filosofia , Retorica , Inteligencia , Humanismo Resumo: Vico criticou a racionalidade de seu tempo e propôs outra como alternativa: a chave para essa questão é o conceito de engenho. Em seu programa pedagógico, Vico aspirava a uma síntese entre ciência, prudência e eloqüência, e sugeriu que isso seria possível aguçando-se o engenho dos jovens. Vico não é um irracionalista. Sua noção de razão tem raízes humanistas. Ele pretendeu superar a razão cartesiana, reafirmando a tópica, a inventio e a fantasia, para coroar o engenho com o estatuto de faculdade certa do conhecer. Isso permitia-lhe aprofundar-se no estudo das humanidades. Vico condenou o caráter monástico e solitário das filosofias da virada da século XVII para o XVIII, e alertou para o mal do "egoísmo racional" que acometia a sociedade de sua época. Vico não é um pensador solitário. Antes de vê-lo como um precursor ou conservador, é melhor situá-Io em seu próprio tempo, respondendo às últimas novas da república das letras de então. O empenho de contribuição que Vico enfa... [14.532%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
84. Imperio do 'Genio Maligno' : O imperio do direito, de Ronald Dworkin
Autor: Frank Tessier Dawe Junior Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Direito - Filosofia , Jurisprudencia , Hermeneutica (Direito) , Amor-proprio , Equidade (Direito) Resumo: O presente trabalho se propõe a realizar uma análise da tese contida na obra O império do direito, de Ronald Dworkin, em que esse autor desenvolve uma teoria do direito baseada nas premissas da interpretação construtiva dos textos e práticas legais, e da integridade tanto moral quanto político-social, propondo-a como a melhor solução para o debate sobre o aperfeiçoamento das doutrinas jurídicas. A análise infere que há incompletude na primeira premissa e inconsistência na segunda, apresentando-se portanto a teoria elaborada pelo autor como não suficiente para seu propósito de servir de referência para as decisões jurídicas. Verifica-se, portanto, a existência de uma propensão ao engano tanto nas doutrinas jurídicas correntes quanto na própria tese de Dworkin, e o 'Gênio Maligno' do título refere-se à personagem fictícia e metafórica criada por Descartes, cuja função é justamente a de induzir-nos ao erro, numa clara referência aos equívocos conceituais que genericamente ocorrem na área ... [6.011%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
122. A presença de Francis Bacon na Enciclopedia
Autor: Bruna Torlay Pires Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Conhecimento , Enciclopedias e dicionarios , Ciencia - Metodologia Resumo: Este trabalho procura assinalar traços da filosofia de Francis Bacon na Enciclopédia francesa do século XVIII. Estes traços se manifestam nas teses que defendem o intercurso entre avanço técnico e progresso do conhecimento, e o ideal de ciência como conquista indefinida que escapa ao gênio individual, e sobrevive como patrimônio comum da humanidade. Compreensivamente, mostra que o utilitarismo? de Francis Bacon e dos enciclopedistas na verdade se fundamenta na idéia capital de que a existência produz-se mediante engenho Abstract: This work search after some traces of Francis Bacon's thought in eighteenth century's French Encyclopaedia. These traces are manifest on the thesis that defend the intercourse between technical improvement and advancement of learning, and the ideal of science as an undefined acquisition not due to individual genius, but thought of as mankind?s common inheritance. As a whole, it points that Bacon's and enciclopaedists utilitarianism is in fact grounded on the c... [4.801%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
183. A questão do ator na estetica de Diderot
Autor: Ricardo Rui Lento Carbonelli Junior Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Estética , Arte Resumo: A dissertação trata da análise da obra "Paradoxo sobre o comediante" no contexto da estética de Diderot. Sua tese fundamental diz que um grande ator é insensível e não deve sentir as emoções que representa. O enunciado é analisado tomando-se o significado dos seus termos no sistema do Filósofo. As idéias de sensibilidade, representação, gênio, imaginação e o conceito de Belo são discutidos a partir de seus textos e de comentários clássicos sobre o tema. Na primeira parte, tratamos da articulação dos conceitos fundamentais da estética de Diderot e como isso se dá de forma problemática, suscitando alguns paradoxos. Também tratamos do lugar que o espetáculo ocupa nessa estética, do objetivo de efeito teatral orientando o desenvolvimento da arte como forma de comunicação e das particularidades próprias de sua tradução visual. Na segunda parte procuramos discutir os conceitos fundamentais para o "Paradoxo" e pensar a estética e a filosofia de Diderot a partir de seus postula... [3.667%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH
302. A relação entre o entendimento e a vontade na Etica de Espinosa
Autor: Maercio Antonio de Oliveira Orientador: Roberto Romano da Silva Palavra Chave: Filosofia moderna, Etica - Filosofia , Vontade Resumo: A relação entre o entendimento e a vontade na Ética de Espinosa é um dos pontos de entrada importante para a inteligibilidade do sistema espinosano. Esta relação permite compreender, diretamente, não só a sua doutrina da vontade, como também a aplicação prática das concepções de tal doutrina. Neste sentido, o objetivo dessa dissertação é expor e examinar esta relação, visando principalmente à delimitação do universo ontológico que a sustenta e o estabelecimento de que o entendimento e a vontade são uma e a mesma coisa, como deduz as proposições 48 e 49 da Segunda Parte da Ética Abstract: The relation between the understanding and the will in Spinoza's Ethics is one of the important entrance points for the intelligibility of the Spinozan system. This relation allows people to understand, directly, not only his doctrine of the wil, but also the practical application of the conceptions of such doctrine. In this sense, the objective of this dissertation is to demonstrate and examine this r... [1.426%] » Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH