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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

TV Estadão, entrevistas sobre o pedido de abertura de processo contra Michel Temer

https://www.youtube.com/watch?v=bbiCuJ588fY

Fascismo chega ao MPF? Vejamos.



​​Belo Horizonte, 01 de agosto de 2017.
No dia 30 de junho de 2017, nós do Grupo de Estudos e Pesquisas Marx, Trabalho e Educação (GEPMTE), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, recebemos uma notificação do Ministério Público Federal de instauração de um inquérito civil, indeferido em primeira instância. A denúncia realizada ao MPF acusa o GEPMTE de “promover pregação política e ideológica de vertentes socialistas”, nas palavras da manifestação “é escabroso que uma Universidade Federal sirva de ninho, de balão de ensaio para que militantes de esquerda fiquem trabalhando nos seus delírios ideológicos, bancados com recursos públicos e incutindo tais ideologias nos alunos (...)” (fl.03).
O GEPMTE, fundado no ano de 2012 nasce da iniciativa de estudantes, professores, pesquisadores e militantes das mais diversas organizações da sociedade civil para aprofundar e estudar a obra teórica fundada pelo pensador alemão Karl Marx. O grupo também desenvolve estudos e pesquisas no campo de confluência entre trabalho e educação, e espaços de formação abertos na universidade como seminários, simpósios, aulas, rodas de conversas para os interessados nestas temáticas. 
Nós, do GEPMTE, entendemos que não há produção do conhecimento com neutralidade, todo conhecimento é carregado de opções e de leituras de mundo. Desta forma, repudiamos essa ação ideológica travestida de neutra, porque consideramos cientificamente impossível a neutralidade e a imparcialidade, como também o cerceamento da pluralidade de idéias. 
            Os pressupostos da denúncia baseiam-se na idéia de "incutir ideologias nos alunos", presumindo incapacidade crítica desses sujeitos e criminalizando o debate de idéias teóricas e políticas. Esses sujeitos denuncistas desejam por meio dessa ação criminosa falsear a realidade e criar um ambiente de perseguição política àqueles que discutem idéias e estudos, negando o princípio da Autonomia Universitária, previsto no artigo 207 da Constituição da República de 1988. Interessante notar que delírios ideológicos definem essa falsa-denúncia de maneira precisa. 
Esta não é a primeira vez que a Universidade Pública, grupos de estudos, escolas e professores são atacados com denúncias desse caráter, que em nossa análise corroboram com as idéias do “Projeto Escola Sem Partido”. Projeto que, partidariamente, sob o pretexto da incapacidade crítica dos estudantes visa excluir a multiplicidade de manifestações hoje presentes na educação, veiculadas pelo exercício da docência de professores e professoras portadores (as) das mais diferentes convicções e pertencimentos culturais, religiosos e políticos.
Por fim, nós do GEPMTE acreditamos que ações deste tipo devem ser repudiadas e denunciadas, por nós educadores para que não retrocedamos em direitos duramente conquistados em nosso país. Certos da justeza e coerência dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo, continuaremos com nossas atividades e convidamos a todos os interessados a participarem.
Grupo de Estudos e Pesquisas Marx Trabalho e Educação

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Anjos e PT, Roberto Romano



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Os anjos e o PT

A liderança do PT sugeria aos militantes que todos no partido eram anjos e os demais, "farinha do mesmo saco" 
ROBERTO ROMANO

Acontecimentos como a escolha do candidato a governador no Rio pelo PT mostram que o autoritarismo deita raízes no mais antigo pensamento político. Os donos nacionais daquele partido, gerados pelo ideário stalinista e semelhantes, enfrentam as oposições internas com chantagem e outras armas violentas. Mostram que pouco mudaria a República sob seu comando. Façamos uma rápida síntese do ideário mais amplo que define a sua lógica.
Alguns escritores vincaram a cultura do Ocidente. Eles modelaram as almas. Depois, seus textos seguiram para o inconsciente, no qual continuam operando de modo eficaz.
Um teórico assim é Dionísio Areopagita. Seus livros principais, "A Hierarquia Celeste", "Hierarquia Eclesiástica", "Os Nomes Divinos", apareceram por volta de 533 d.C., em Constantinopla. O nome do autor era falso: Dionísio teria testemunhado a pregação de São Paulo no areópago.
Só no Renascimento essa piedosa mentira caiu por terra, com a pouco verdadeira "doação de Constantino". Mas o conjunto textual seguiu prestigiosa via: em 827, o imperador romano do Oriente o depositou na igreja de Saint-Denis. Isso serviu para legitimar o rei da França, cuja sagração se dava naquele templo.
Com as traduções de Erigena, os textos tornaram-se vitais na Idade Média. Tomás de Aquino, o doutor da igreja, cita-os 1.700 vezes. A renascença religiosa tomou-os como oráculo. No século 16, ocorreram 44 edições da "Hierarquia Eclesiástica". No século 17, eles justificavam o poder da igreja contra o Estado. Mas já potenciavam a propaganda do rei absoluto diante do papa, dos bispos e nobres.
O que importa em Dionísio? Nele se diz que Deus está além de nossa capacidade de pensá-lo e nomeá-lo. Entre a divindade (supremo abismo) e nós existe uma cadeia de seres intermediários, garantindo uma hierarquia rigorosa. O universo se baseia na ordem. A falta desta última é o grande mal.
Deus pode ser atingido pelos homens, mas só por seus intermediários. "Da matéria até os anjos reina uma infinidade de ordens, cada uma delas guiando seus inferiores e progredindo com eles rumo à divindade" (Durand, Y., "Mística e Política no Século 17, a Influência do Pseudodionísio", revista "Século 17", 1991).
No sistema dionisíaco, bispos e padres espelham a ordem celeste, na qual se movem os anjos. Tudo é mediação: os sacerdotes são o elo entre os homens e Deus, espécie de anjos humanos. A sociedade exige a hierarquia.
A lógica hierárquica plasmou nossa cultura política e religiosa. Não por acaso, a revista brasileira do catolicismo integralista chamou-se "A Ordem". Ainda no século 19, os padrinhos do totalitarismo, como De Maistre, Bonald, Donoso Cortés e Auguste Comte, viam na igreja apenas isso: a mantenedora da ordem.
Esse ideário conduziu milhões às passeatas da direita nacional, gerando o golpe de 64 e o regime castrense. Nele, tivemos excesso de ordem hierárquica e pouquíssima democracia. O controle vertical, como demonstra Canetti em "Massa e Poder", é marca dos exércitos. Um partido não deveria seguir essa linha, sobretudo se estamos diante de uma agremiação democrática.
No século 20, a humanidade caiu no abismo totalitário. A igreja ou colaborou com os nazifascistas ou foi aniquilada enquanto poder autônomo. Mas permaneceu a idéia de hierarquia, agora sem Deus. Os partidos assumiram, a ferro e fogo, os graus de eminência decisória. No topo, as escolhas certas e infalíveis. Entre os seguidores, a obediência cega, surda, muda.
Militantes estupefatos que afirmavam, acatando ordens dos comitês, a essência demoníaca dos inimigos viram-se sem chão sob os pés com o pacto entre URSS e Alemanha, em 1939. Mas o partido era absoluto. A base nada tinha a opinar: bastava-lhe a militância, recheada de slogans e de heroísmo absurdo.
O PT prometeu novidades. Nele, bases e dirigentes teriam voz e voto. Mas, com a certeza atual de nunca chegar ao poder, os seus grupos dirigentes, hierarquias sacerdotais, retomam a forma autoritária nas estratégias e táticas. Em Dionísio Areopagita, só o superior, anjo ou sacerdote, pode conduzir o inferior, o simples cristão, ao divino.
Houve certa época em que a liderança do PT sugeria aos militantes que todos no partido eram anjos e as demais pessoas, "farinha do mesmo saco". Com o realismo em alta, notório com a ida para o governo de um ex-secretário do partido (membro da hierarquia e não da base) e de quadros importantes para o ministério Itamar, a militância foi atingida pela desconfiança em face da ordem angélica. Brizola deu-se muito bem no período Collor, sendo criticado por muita gente, em especial na Folha.
No Rio de Janeiro, as bases ousaram negar as ordens dos arcanjos petistas. Foi um deus-nos-acuda. Tudo estaria de cabeça para baixo. Subversão da ordem! Interessante acompanhar a vida e a morte de muitos sonhos.
Ou o PT aceita a democracia, estranha à mente hierárquica, ou implode. Não existe essência angélica que possa interceder nessa labuta. O codinome do anjo que dirigiu a aliança do Partido Comunista, no pacto germano-soviético de 1939, era Lúcifer.

Roberto Romano, 52, filósofo, é professor titular de ética e filosofia política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).



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Jardim ensolarado leguminosas vida


domingo, 30 de julho de 2017

La Tercera, Chile, 30/07/2017. Com meus comentários sobre Temer.

Brasil ante el déjà vu de la salida forzada de su Presidente

Autor: Fernando Fuerntes

De no mediar una postergación, la Cámara de Diputados votará el miércoles la denuncia presentada por la Fiscalía General contra Michel Temer por el delito de corrupción pasiva y que podría terminar con su suspensión del cargo. Vuelve a la memoria de los brasileños el proceso que terminó con la destitución Rousseff, en agosto de 2016.

Brasil ante el déjà vu de la salida forzada de su Presidente
El 31 de agosto de 2016, horas después que el Senado votará la destitución de la Presidenta brasileña Dilma Rousseff, Michel Temer prometía que “lo que quiero es dejar la economía mejor, el Estado pacificado, sin la división que encontré”. Rousseff había sido sacada de la Jefatura de Estado acusada de maquillar las cuentas fiscales. “No hay una crisis institucional”, insistía el hasta entonces vicepresidente, saliendo al paso de los cuestionamientos por el proceso que terminó con su instalación en el Palacio de Planalto.
Un año después, la sensación en Brasil es de un déjà vu. Temer está contra las cuerdas por una crisis de circunstancias ciertamente diferentes a las de Rousseff, pero igualmente truculentas y que podrían terminar con la caída de un nuevo Presidente en ese país.
El 26 de junio, Temer fue denunciado por presunta corrupción pasiva y se convirtió en el primer mandatario en la historia del país en ser acusado por la Fiscalía General, en pleno ejercicio del poder, por un delito penal, en medio de una crisis política e institucional que parece no tener límites.
Para que la denuncia sea avalada es necesario el voto de dos tercios de los 513 diputados, es decir, 342 parlamentarios. Por lo tanto, Temer necesita 171 votos para impedirla. En caso de que los legisladores la autoricen, la Corte Suprema analizaría el tema en su pleno y, de secundar la decisión de la Cámara Baja, Temer sería suspendido de sus funciones durante 180 días.
De no mediar una postergación de última hora, la votación de la denuncia en la Cámara de Diputados debería realizarse el próximo miércoles. “Espero que el día 2 por la noche podamos tener ese tema cerrado”, dijo el presidente de la Cámara de Diputados, Rodrigo Maia, el mismo al que constitucionalmente le tocaría asumir de forma interina la jefatura de Estado si Temer es suspendido.
Aunque a comienzos de julio, en una entrevista a Rádio Bandnews, Temer aseguró tener “casi absoluta certeza de que tendremos éxito en la Cámara de Diputados”, el gobernante no ha dejado nada al azar con tal de evitar una votación adversa la próxima semana. Según informó el diario O Globo, el mandatario ha adoptado la estrategia de contactar por teléfono a cerca de 80 diputados indecisos para convencerlos de votar a favor del gobierno. Temer dijo a sus cercanos que ya había conseguido revertir “unos 20 votos” con sus llamadas telefónicas, afirmó el vicelíder del gobierno en la Cámara, el diputado Beto Mansur.
“Temer usó hasta ahora miles de millones de reales para comprar el apoyo de los diputados, con atención a enmiendas parlamentarias, asignación de recursos a los gobernadores, alcaldes, etc. Se trata de la vieja técnica del Pmdb (el partido de Temer), muy usada en el gobierno de José Sarney: ‘es dando (fondos y cargos) que se recibe’”, comentó a La Tercera Roberto Romano, profesor de Etica y Filosofía Política de la Universidad Estatal de Campinas.
Temer contaría con 188 votos a favor y 95 en contra, de acuerdo con el sondeo publicado el viernes por Folha de Sao Paulo. En tanto, O Globo estima en 196 los diputados que se pronunciarían contra la denuncia, mientras que 112 la apoyarían. La oposición admite que no tiene todos los votos necesarios, pero afirma que Temer tampoco tiene la misma fuerza política del inicio de su mandato.
Una debilidad que también se refleja en las encuestas de opinión pública. El último sondeo de CNI/Ibope mostró que la popularidad del peemedebista cayó a su nivel más bajo: 5%. Según la encuestadora, el nivel de personas que consideran su gobierno como “óptimo o bueno” es el peor desde el final del mandato de José Sarney, en julio de 1989, que fue de 7%. “En términos de ‘malo o pésimo’, está igual a la evaluación de Dilma próxima al impeachment, 70%”, señaló CNI.
“En una situación menos traumática, en términos económicos y sociales, el Presidente ya estaría fuera del Palacio. Pero todas las fuerzas empresariales, al igual que las sindicales, están inseguras en cuanto al paso del gobierno a Rodrigo Maia, persona que no tiene cualidades mínimas para ser jefe de Estado”, explicó Romano, quien agregó: “Cierto día yo dije que solo un milagro mantendría a Temer en el gobierno. ¿Hasta cuándo? Todo es imprevisible”, concluyó.
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Militantes. Roberto Romano, O Estado de São Paulo, 30/julho/2017

Militantes

Eles se imaginam próximos do divino ou, como Lúcifer, desejam o monopólio do bem

Roberto Romano, Impresso
30 Julho 2017 | 03h00
Na corrosão mental ocorrida a partir do século 19 se encontra o aniquilamento da crítica, um fanatismo que antes definia o religioso. Os dogmas que levaram às fogueiras cristãs na era totalitária foram trocados por credos políticos. A infalibilidade dos papas ressurgiu nos líderes das revoluções ou dirigentes reacionários. Anathema sit tornou-se signo de morte política. Semelhante prática foi vivida sob os nazistas, stalinistas, fascistas. Mas ela existiu nas ditaduras que ensanguentaram a Europa, a África, as Américas. “Brasil, ame-o ou deixe-o”: a intolerância foi gerada pela redução do político (como o caracterizou Carl Schmitt) ao bélico. 
Não existe genocídio sem o erotismo perverso entre dirigentes assassinos e dirigidos. Em livro cruel, Hitler e os Alemães, Eric Voegelin desmente a hipocrisia que desejou atribuir o inferno apenas ao Führer. Se a população inteira foi cúmplice do holocausto, houve um tipo humano que deu eficácia ao aniquilamento. Trata-se do militante. 
O uso antigo da palavra indica o indivíduo ou coletivo religioso preso às ordens da autoridade eclesiástica. Mimetizando as formas bélicas de Roma, a Igreja Católica assume o conceito de ordem hierárquica, idealizado por Dionísio Areopagita. O cosmos seria uma cascata de luzes, das mais brilhantes e próximas a Deus às atenuadas no plano humano. Os postos nas imediações divinas brilhariam esplendorosamente, nos afastados o fulgor seria menor. No ápice os combatentes arcanjos, depois os sacerdotes, os reis e os nobres e, na obscuridade, o povo. Quem está no alto manda. Os demais obedecem. 
Tal escala da auctoritas foi negada por Lutero. Os liderados por Calvino radicalizaram o veto à hierarquia e retomaram as teses democráticas gregas (Gerson Leite de Moraes, Entre a Bíblia e a Espada, Filosofia e Teologia Política em Calvino, 2014). Recordemos as Vindiciae contra Tyrannos, revividas na edição brasileira de Frank Viana Carvalho (2017). 
Mas o vezo da hierarquia permanece na cultura ocidental, apesar da Reforma e das Luzes. As revoluções norte-americana e francesa abriram espaços de liberdade para os indivíduos. A contrarrevolução inspirada no mais rígido catolicismo político tudo fez para abafar as pretensões “ímpias” de autonomia humana. Um resumo da receita autoritária encontramos em Vargas : “O indivíduo não tem direitos. Ele tem deveres para com a sociedade e o Estado” (1.º/5/1936). Os liberticidas europeus, apoiados pelo Vaticano, aplicaram a lição (Kertzer, D.I.: O Papa e Mussolini). 
O militante não tem direitos contra seu partido. Como o soldado, segue ordens e não as pensa. Como só conhece a cega obediência, não imagina que outros cérebros dispensem palavras de ordem e anátemas. Quando alguém nega seus dogmas, morde e calunia, se possível labora para a morte civil ou física do “inimigo”. Da literatura sobre os militantes, me limito a indicar Gotovich, J. e Morelli, J.: Militantisme. O militante foi essencial ao poder hitlerista no extermínio de judeus, ciganos, homossexuais e outros “parasitas”, como os democratas, liberais, socialistas. Na União Soviética, inverte-se a ordenação bélica, embora os judeus continuem como alvo a ser abatido (por exemplo, durante a campanha contra os médicos judeus, mantida por Stalin e acólitos). 
Mesmo Trotski, tido como alternativa, disse no XIII Congresso do Partido Comunista da URSS: “Definitivamente, o Partido tem sempre razão (...). Não se pode ter razão a não ser com e para o Partido, porque a história não tem outras vias para realizar sua razão” (citado por Claude Lefort, Un Homme en Trop). Se o partido não o prevê, um fenômeno não existe. Trotsky era, apesar de tudo, um pensador. 
Se vamos aos militantes desprovidos de conceitos, encontramos uma teratologia. No Brasil: “Sem a orientação da doutrina marxista-leninista, doutrina todo-poderosa porque verdadeira, nada de bom e duradouro pode ser alcançado” (D. A. Câmara, “Forjemos nosso Partido à imagem e semelhança do Partido de Lenin e Stalin”, Problemas, 1953). E mais: “Somente a sabedoria coletiva do Comitê Central, tendo à frente o camarada Prestes, permite dar aos militantes uma educação de elevado teor ideológico” (M. Alves, “Elevar o nível ideológico do Partido, tarefa essencial na luta pela vitória do Programa” – Informe em nome do Presidium do Comitê Central, in Problemas, 1956). A técnica é translúcida: “Guiados pelos ensinamentos do camarada Stalin, nosso educador, estudemos e assimilemos a doutrina marxista-leninista” (Luís Carlos Prestes, Nossa Política, em Problemas, 1950). Para as citações, leia-se Rückert, Sérgio Joaquim, Persuasão e Ordem: a escola de quadros do Partido Comunista do Brasil na década de 50, mestrado/Unicamp, 1987. Essas formas de enquadramento foram assumidas pela massa dos militantes. A reflexão crítica virou catequese. 
Após uma palestra recente, quando indiquei os riscos de reduzir juízes, professores, cientistas, artistas ao papel de militantes, uma catadupa de ataques contra mim foi posta na internet por... militantes. Fui chamado de palhaço e vil caluniador da imaculada faina de militar. Em momento algum os autômatos da máquina partidária pensaram o problema. Pois bem, hoje os mesmos militantes, das mesmas agremiações, lamentam o fato, ou provável fato, de que juízes e promotores da Lava Jato agem em relação ao seu líder como se fossem... militantes, sem a reserva necessária ao mister. Convido os que atacaram minha honra, para garantir a hegemonia de sua grei, a relerem minhas considerações. Tarefa impossível: o partido e seus dirigentes nunca erram. E também os militantes. 
Na escala cósmica eles se imaginam próximos do divino ou, como Lúcifer, desejam o monopólio do verdadeiro, do bem, do belo. Edificam pandemônios, dos quais são as primeiras vítimas.