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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

"Vejo sombras no horizonte", diz professor de Ética sobre pasta da Justiça Correio Braziliense

"Vejo sombras no horizonte", diz professor de Ética sobre pasta da Justiça

Professor de Ética critica a demora na troca de comando na pasta da Justiça e a saia justa do Planalto com Gilmar Mendes

postado em 31/05/2017 06:00 / atualizado em 31/05/2017 07:53
A longa crise política enfrentada pelo Brasil não dá sinais de trégua. Pelo contrário: o violento protesto em Brasília e a demissão do ministro Osmar Serraglio, substituído pelo jurista Torquato Jardim na pasta da Justiça, sacudiram o país. Em meio a esse caos, o filósofo e professor de Ética Política da Universidade de Campinas (Unicamp) Roberto Romano busca respostas e critica a demora na troca dos ministros e a saia justa do Planalto com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes. Romano também comenta a falta de lideranças políticas e reprova os excessos cometidos nos últimos anos pelos Três Poderes. Confira a seguir os principais trechos da entrevista de Roberto Romano ao Correio:

Professor, qual sua percepção sobre a substituição do ministro Osmar Serraglio pelo ministro Torquato Jardim na pasta da Justiça?
É uma estratégia própria de um governo que sente o perigo se aproximar. Retirou um ministro extremamente fraco, que tem grande abertura para o mundo jurídico, e colocou alguém que tem grande experiência com os tribunais e, sobretudo, com aquele que no momento é essencial: o TSE. Mas é uma estratégia que vem um pouco tarde. Essa medida deveria ter sido tomada há muito tempo, porque uma série de passos foram dados com base nas informações obtidas com o Serraglio. Ela vem tarde e mostra justamente a falta de coesão, de rapidez e eficácia nas decisões do presidente Temer.
 

Se o ministro Torquato intervir, não vai ficar exposto?
Não, se ele seguir o processo legal. Quem fica exposto é o TSE, porque a decisão fica mais delicada agora. Vão negociar com alguém que é da casa. O ministro Gilmar Mendes, que vai presidir o processo, está furibundo com o Palácio do Planalto, porque estão querendo fazer o TSE de peteca. O ministro é conhecido por não dar ponto sem nó. Criou uma rede de insegurança tanto para o TSE quanto para o STF (Supremo Tribunal Federal). Isso vai trazer fios desencapados para o relacionamento do presidente Temer com a Justiça. Isso pode piorar a situação do Temer.

Num cenário em que o TSE pede vista, dando sobrevida ao governo, o que se pode esperar? 
O presidente Temer está criando a ilusão de que ele está no governo, mas o país está sendo governado pelo ministro da Economia, do Planejamento, agora da Justiça. Ele está cuidando quase que exclusivamente de si mesmo e do seu mandato e isso paralisou o país até agora. Quem acompanha desde Getúlio Vargas a agonia de presidentes da República, esse desmanche dos aliados no Congresso é muito sintomático: um dia o PSDB diz que está estudando desembarcar, outro dia diz que dá apoio. São esses sinais que mostram a fragilidade estrutural do governo. Comprar briga com a Justiça, neste momento, é um atestado de óbito, ainda mais tendo uma base desidratada a cada instante. A não ser que o ministro Jardim consiga fazer um milagre.
O senhor vê saída para a crise brasileira?
Creio que sim. Nós temos potencial para deixar de lado a situação atual, mas eu vejo sombras espessas no horizonte. Em primeiro lugar, para que você possa encontrar uma saída, é preciso que tenha lideranças. Praticamente não temos lideranças nacionais. Há 20 anos, contávamos com um quadro de, pelo menos, umas 50 lideranças. Hoje não. Temos partidos políticos destroçados. Instituições que estão anacrônicas, antiquíssimas. A reforma política não aparece no horizonte e a classe política está mais preocupada com os seus privilégios do que com o bem-estar do país.

O senhor tem visto em uma nova Constituição a saída para toda essa crise?
As propostas trazidas pelo jurista Modesto Carvalhosa e seus companheiros devem ser examinadas. Uma nova Constituição é algo urgente para o Brasil e para redefinir os poderes, a prática política, os partidos e modificar pontos essenciais na estrutura do Estado. Essa é a tese e a urgência. O problema é com quais instrumentos nós podemos fazer isso. Do modo como estamos, que partido político terá legitimidade para liderar eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte? Acredito que não podemos deixar mais 10 anos com a atual Constituição, que se transformou numa colcha de retalhos, desfigurada por emendas. É preciso chamar uma Constituinte. Uma série de instituições que poderiam ajudar estão à margem, como, por exemplo, as universidades.

Em meio à crise de representatividade e da desconfiança com a classe política, como o senhor avalia as instituições?
Há um mantra, que venho criticando há um bom tempo e quase que sou voz solitária nisso, que insiste em dizer que as instituições brasileiras estão funcionando normalmente. Normal seria aquilo que atende ao intento inicial. Quando você tem presidentes da República que não conseguem estabelecer o período do seu mandato, essa normalidade no plano do Executivo se torna problemática. Quando se tem um Congresso que legisla em causa própria e quando a Justiça intervém em última instância sem prever situações de crise, como essa que nós estamos seguindo, isso também não é normal.

Antonio Scarpinetti/Unicamp

“A classe política está mais preocupada com os seus privilégios do que com o bem-estar do país”

Revista Exame. BRASIL Condenação de Luiz Inácio representa (mesmo) o fim da era Lula? Ex-presidente tem um caminho tortuoso pela frente — mas "mito" ainda está longe de ser enterrado

A questão, para Roberto Romano, professor emérito de filosofia política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ultrapassa o debate se o PT conseguirá ou não eleger um presidente em 2018. O ponto é se o partido saberá usar “com prudência e inteligência” o capital político que Lula acumulou com vistas a recompor suas bases e bancada no Congresso.

“O PT precisa repensar a si mesmo e a sua história, precisa gerar um discurso que utilize a imagem positiva do Lula junto com um plano viável alternativo às propostas do atual governo”, afirma o professor.

A maior parte dos analistas políticos ouvidos pelo site EXAME vê essa hipótese com ceticismo. Primeiro porque a imagem do partido está combalida depois de uma temporada de escândalos que atingiu praticamente todas as suas principais lideranças. O segundo argumento é que a legenda se fortaleceu ao longo dos anos em torno de apenas um indivíduo e, hoje, é nisso que reside sua maior fraqueza.

O Estado de São Paulo.

Universidades públicas paulistas, mudanças feitas

© MARCELO KNOBEL E PETER SCHULZ

A crise financeira que as universidades estaduais paulistas vêm enfrentando nos últimos anos, causada em grande medida pela grave crise econômica por que passa todo o País, leva à multiplicação de artigos de opinião e comentários tanto na imprensa quanto nas redes sociais, oriundos de diferentes setores da sociedade civil e da opinião pública. Diferentes vozes proclamam a necessidade de reformas, desburocratização e cortes. Apontam ainda ineficiência e descuidos na separação público-privado da gestão dessas universidades. Os sintomas dessas administrações universitárias seriam o patrimonialismo, clientelismo, cartorialismo e corporativismo.

Além disso, os arautos do ensino público superior pago deixam nas entrelinhas que a privatização das universidades seria a solução para todos os males. Vez ou outra se culpa ainda o grande número de servidores técnico-administrativos, que excederia em muito o que se verificaria em universidades privadas. E não raramente as redes sociais capilarizam a ideia de que a burocracia universitária se autoatribui benefícios e privilégios.

A grave crise financeira que as universidades estaduais paulistas, USP, Unicamp e Unesp, enfrentam é de conhecimento de todos e reconhecida pela administração dessas universidades. No entanto, propala-se a ideia de que pouco foi feito nos últimos anos para enfrentar esse panorama.

Na verdade, a atual gestão da USP, que se encerra agora em janeiro, promoveu medidas severas para enfrentar a crise, como informado continuamente pela imprensa. No caso específico da Unicamp, a Reitoria que assumiu em abril de 2017 tomou medidas importantes para a redução de custos e para a equalização orçamentária. Entretanto, as administrações universitárias paulistas por vezes são acusadas de pouco fazer além de reivindicarem aumento do porcentual da quota-parte de 9,57% do ICMS, principal fonte de recursos das nossas universidades.

Nesse contexto, a opinião pública precisa ser informada sobre o que de fato acontece com os 9,57% do ICMS e os problemas de gestão alegados.

No que se refere ao ensino de graduação, por exemplo, o número de vagas na Unicamp cresceu de 1.990 para 3.320, um aumento de 66%, desde que o porcentual de 9,57% foi estabelecido, em 1995. Aumentos de vagas significativos se verificaram também nas outras duas universidades paulistas no mesmo período.

É importante lembrar, ainda, que parcela importante do orçamento da Unicamp é destinada à área da saúde para o atendimento a uma população de 6 milhões de pessoas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os repasses do SUS estão congelados já há alguns anos, o que implica um comprometimento A opinião pública tem de ser informada sobre o que de fato acontece com os 9,57% do ICMS crescente da quota-parte para a promoção da saúde, um bem público que se junta ao conhecimento na missão das universidades públicas.

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A opinião pública tem de ser informada sobre o que de fato acontece com os 9,57% do ICMS
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Segundo o anuário estatístico da Unicamp de 2017, o número de funcionários técnico-administrativos é de 8.178, dos quais 3.680, ou seja, 45% do total, estão justamente na área da saúde. Esse dado é necessário para uma apreciação mais adequada do papel e do funcionamento desse sistema altamente complexo e de interesse público, como o conjunto das universidades estaduais paulistas.

A opinião pública precisa ser informada também sobre os alegados benefícios na gestão dessas universidades. No dia seguinte à tomada de posse da atual Reitoria da Unicamp, todos os benefícios da alta administração foram cortados e entre as medidas recentes foi aprovado um corte de 30% em todas as gratificações de cargo da universidade. A previsão de déficit orçamentário para 2018 foi diminuída e as revisões de contratos já resultaram em economia de R$ 14 milhões, entre outras ações que redundaram em economia de R$ 25 milhões e podem ser apreciadas no seu conjunto em texto publicado no portal da Unicamp, cujo conteúdo destaca que “todas essas medidas têm como pano de fundo um novo modelo de administração da Universidade, baseado em planejamento, decisões compartilhadas, transparência, reconhecimento ao mérito e estudos de cenários econômicos externos”. Essas medidas fazem parte de um conjunto de ações estruturantes para esse novo modelo de administração, que não se constrói do dia para a noite e se contrapõe à falta de transparência e à ineficiência na gestão universitária.

O ambiente de discussão e implantação dessas medidas e mudanças tem sua origem remota na autonomia universitária, prevista na Constituição de 1988 e implementada na USP, na Unicamp e na Unesp em 1989. Sua importância pode ser traduzida em números.

Nesse período o número de vagas oferecidas pela Unicamp para os seus cursos de graduação dobrou e resultados semelhantes também se observaram na USP e na Unesp. A produção científica das universidades paulistas é hoje dez vezes maior que em 1989 e seu impacto no âmbito mundial é continuamente crescente e superior à média brasileira. As três universidades estaduais paulistas aparecem hoje também entre os principais depositantes de patentes no Brasil, além de ocuparem posições de destaque nos rankings de universidades em âmbitos nacional e continental.

Por fim, é preciso dizer que as universidades estaduais paulistas são um patrimônio da população de São Paulo e de todo o Brasil, com contribuições históricas, que no caso da USP podem ser apreciadas no livro USP 70 Anos: Imagens de uma História Vivida, de Shozo Motoyama. Para o presente e para o futuro, vale lembrar o papel fundamental das três universidades na economia com base tecnológica. Como exemplo, temos as mais de 500 empresas que nasceram de pesquisas e desenvolvimentos realizados na Unicamp, responsáveis por 28 mil empregos e um faturamento de RS 3 bilhões anuais, maior que a quota-parte do ICMS que a universidade recebe.

❖ RESPECTIVAMENTE, REITOR E SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO DA UNICAMP
Publicado em 26 de janeiro de 2018, O Estado de S. Paulo, página 2, Espaço Aberto

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Professor de Ética diz que Moro age com ʹdesejo de agradar a mídiaʹ

2Políticapor Luiza Leão e Gabriel Nascimento no dia 25 de Jan de 2018 • 08:28

Professor de Ética diz que Moro age com ʹdesejo de agradar a mídiaʹ

Professor de Ética diz que Moro age com ʹdesejo de agradar a mídiaʹ
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após ter sentido na pele o peso de um julgamento político no ano de 1964, o professor de Ética e Filosofia da Universidade de Campinas (Unicamp) Roberto Romano comparou o processo pelo qual passou ao enfrentado pelo ex-presidente Lula, condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF-4), em Porto Alegre, nesta quarta-feira (24).

O acadêmico apontou parcialidade do juiz federal Sérgio Moro. "Lhe digo com segurança que, mesmo naquele momento, não tive um juiz tão acusador quanto se vê no caso deste processo [de Lula]. Temos uma distorção muito séria na função do magistrado. Moro mostrou todo o seu desejo de agradar a mídia com a prisão de Lula. Com estardalhaço, foi feita uma prisão coercitiva, quando na verdade ele já tinha se disposto a depor", declarou, em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, na manhã desta quinta-feira (25).

O julgamento de Lula, considerado "traumático", foi citado pelo professor como um momento para exemplificar a necessidade de fortalecimento da democracia no país. "É bonito falar de democracia quando você pensa que a sua é democracia e a minha não vale... O diálogo tem que ser racional e as posições contraditórias. Se a minha posição de hoje se mostrar errônea, não tenho nenhum problema, por isso estudei a filosofia. Quando você erra, você admite que errou. Mas se você nunca erra, há algo errado", disse.

Não só Moro foi alvo de críticas de Romano, que acusou o Ministério Público Federal (MPF) de ser parcial. "O MPF desde o episódio do Power Point mostrou que tem uma posição militante política. Isso é muito sério", acrescentou.

O estudioso também falou da gravidade da corrupção no espectro político nacional, ao qual atribuiu uma mancha. "Tem uma luta da Lava Jato para debelar esse mal, mas é impossível. Se não for efetivada mudança, que seja uma república federativa mesmo, essa concentração de recursos no governo federal, que viabiliza o ʹdando que se recebeʹ, se você não cria uma instituição nova efetivamente a corrupção estará lavrando por baixo. Você encontra os famosos bodes expiatórios, você encontra uma pessoa que de fato tem indícios e alguns elementos testemunhais, mas você não leva o rigor a exigência da prova", concluiu.

Unisal Americana


Hoje recebemos o Prof. Roberto Romano na acolhida aos docentes.

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Fabio Di Mauro
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UEM

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forext
O 15.º Fórum de Extensão e Cultura da UEM foi aberto hoje e segue até amanhã com apresentação de mais de 200 trabalhos
Os presentes na abertura do 15.º Fórum de Extensão e Cultura da Universidade Estadual de Maringá (Forext UEM), realizada nesta segunda-feira (9), fizeram um minuto de silêncio em memória do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, encontrado morto no último dia 2, em um shopping na cidade de Florianópolis. O nome de Cancellier ainda veio à tona na palestra de abertura do evento, proferida pelo professor de ética e filosofia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberto Romano, que prestou uma homenagem ao reitor morto.

Ao falar de ética universitária Romano disse que nos últimos 50 anos as universidades responderam pela construção de uma rede de conhecimento e de capacitação técnica que poderia colocar o Brasil em igualdade com países com a Itália, por exemplo. Porém “a guerra ao saber”, que parece ter sido deflagrada pelos dirigentes do país, traça um futuro incerto.

E neste contexto o tempo está causando um efeito devastador e um atentado à produção do conhecimento, segundo Romano, referindo-se aos prazos estabelecidos pelos órgãos avaliadores. “O tempo cronológico não corresponde ao tempo da pesquisa. Se você apressa o seu processo de pesquisa tendo em vista o tempo burocrático que foi dado pela Capes, há o risco de mutilar o objeto da pesquisa”, pontuou.  

 “Se queremos um país forte, precisamos ter saberes. Se há guerra ao saber não podemos esperar grandes mudanças”, afirmou o professor da Unicamp.

Romano não fala em falta de ética, nem atribui ao conceito o conjunto de práticas e valores corretos. Resumidamente, ele diz que o estudo da ética engloba todo o comportamento coletivo humano que se traduz em  hábitos e automatismos, que muitas vezes são difíceis de mudar. Destacando que a diferença se faz na nossa capacidade de quebrar o hábito, ele atribui esse poder à Ciência. 

Criticando proporção do corte de verba para pesquisa no Brasil, inédita segundo o palestrante, e o movimento de privatização das universidades públicas, Romano disse que a extensão é “a flor do organismo universitário e que o florescimento depende de raízes sadias”. 

Solenidade de abertura – A mesa de abertura do Fórum foi composta pelo reitor da UEM, Mauro Baesso, pelas pró-reitoras de Extensão e Cultura, de Ensino e de Pesquisa e Pós-Graduação, respectivamente, Itana Gimez, Ana Obara e Célia Regina Tavares Grahen, e ainda pelas diretoras de Extensão e de Cultura, Erica Cintra e Marivânia Araújo.

Em discurso, Baesso disse que a extensão de um perfil de universidade que carregue em seu DNA a vocação para a integração entre ciência, tecnologia, sociedade e ética. E lembrando que a UEM possui mais de 30 cursos voltados para a formação de professores, o reitor citou um problema crescente que diz respeito aos estudantes em idade escolar que estão fora da escola e não concluem o ensino médio.  Segundo o reitor, é uma situação que o país precisa enfrentar o quanto antes. 

Baesso também teceu críticas à classe política que vem atacando o modelo de universidade pública. “Não há universidade de qualidade se não houver  professores com dedicação exclusiva. Do mesmo modo que  não haveria extensão se os docentes fossem remunerados por hora aula”, falou Baesso.

O reitor também destacou que dos 62 cursos de graduação da UEM, metade  foi criada nos últimos 15 anos. Alguns ainda funcionam com 100% dos professores temporário. “Significa que a UEM ainda tem muito espaço para crescer. Contudo, a Universidade não poderá expandir-se caso permaneça a atual política de Estado”, disse o reitor.

Homenagens – A abertura do 15.º Forext UEM também foi marcado por  homenagens aos extensionistas recém-premiados pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o professor Ednaldo Michellon e o acadêmico João Pedro Mariano dos Santos. 

Outros homenageados foram os professores Lucas Frediani Sant'Anna (DGE) e Ana Paula Vidotti (DCM) e mais sete alunos integrantes da Operação Rondon, realizada em Cambará. Além do professor Décio Calegari (DEF), que coordenou o trabalho Perfil dos atletas participantes dos Jogos Universitários Paralímpicos Brasileiros, eleito o melhor pôster em um evento científico internacional, promovido pelo Comitê Paralímpico Internacional.

A solenidade ainda contou com apresentação do Coral Feminino do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, sob regência da professora Andréia Anhezini.

O 15.º Forext UEM segue até  esta terça-feira, dia 10 e durante os dois dias do evento serão apresentados os resultados dos diferentes Projetos de Extensão e Cultura da UEM produzidos ao longo do ano letivo de 2017.  Ao todo foram aceitos 204 trabalhos em 24 sessões de pôster. A programação ainda inclui duas mesas-redondas.

 O encerramento do Forext será na terça-feira, dia 10, às 19h45 com apresentação da peça  O Auto da Barca do Fisco que fomentará o debate sobre cidadania. O evento será no TUM - Teatro Universitário. 

O Fórum é uma realização da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, através das Diretorias de Extensão e de Cultura, e da Pró-Reitoria de Ensino, com apoio da Caixa Econômica Federa

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Decisão foi impensada por ignorar complexidade do país, diz Roberto Romano

Revista ihu on-line

25 Janeiro 2018
O filósofo e professor Roberto Romano, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), avalia que a decisão que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segunda instância, no caso do tríplex em Guarujá (SP), "foi impensada". "A decisão não abarcou a complexidade da situação política em que nós vivemos", afirmou.

A reportagem é de Guilherme Azevedo e publicada por Uol, 24-01-201
Segundo Romano, os eleitores de Lula, em grande medida de origens mais pobres, não têm uma relação de confiança com o Judiciário brasileiro. "Ao contrário, é uma relação dos setores mais pobres ou de estranheza ou de animosidade contra esses juízes."

O estudioso exemplifica a relação conflituosa entre a Justiça e os mais pobres com a crise da segurança pública, do sistema prisional e da escalada da violência, que afeta muito o cidadão comum. "Não seria o caso de pedir [aos juízes da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre] uma decisão populista, mas um compromisso com a sociedade em que vivemos", ressalvou.

Para Romano, a hora, agora, é de ponderação, contra a possibilidade de radicalizações que ameacem a própria democracia brasileira e aprofundem ainda mais o quadro atual de incerteza, em todos os campos, político, econômico e social.

"Esse momento não é para atingir e piorar ainda mais nossas contradições, mas de todos os partidos e políticos voltarem para as suas bases e redefinirem as prioridades para o país. Precisamos de projetos de nacionalidade. Não podemos colaborar para o caos."

"Cria-se um vácuo no processo eleitoral"

A imprevisibilidade é, para ele, também a marca da próxima eleição presidencial, agravada com a possibilidade de Lula não poder concorrer como consequência da condenação em segunda instância. "Se estabeleceu agora uma incerteza quanto a outubro. Cria-se um vácuo no processo eleitoral que pode até comprometer a legitimidade do pleito. Fora Lula, agora 'sub judice' [dependendo da Justiça], não há até o momento nenhuma força política capaz de arrebanhar o público."

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