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quinta-feira, 16 de março de 2017

Há 10 bilhões de anos, galáxias tinham distribuição diferente de matéria escura

TELESCÓPIO Carlos OrsiLogo Coluna Telescópio

Há 10 bilhões de anos, galáxias tinham distribuição diferente de matéria escura

Nasa/HST/Divulgação
A foto de “campo ultra profundo” do Hubble, que revela galáxias em existência há mais de 10 bilhões de anos
A distribuição de matéria escura nas galáxias era diferente no passado, indica trabalho publicado nesta semana na revista Nature. A existência de matéria escura foi sugerida, originalmente, para explicar inconsistências entre a velocidade de rotação dos discos galácticos e o conteúdo de matéria observável, sob a forma de estrelas e nuvens de gás e poeira, presente ali.

Uma solução encontrada para o problema postula a presença de matéria escura – invisível – em quantidades proporcionais ao raio do disco. Em outras palavras, haveria mais e mais matéria escura nas partes da galáxia mais afastadas do centro, até chegar-se a um “halo” externo desse material misterioso.

Agora, observações de seis galáxias em formação, há 10 bilhões de anos, revelam um tipo diferente de discrepância entre massa e rotação, o que sugere um equilíbrio diverso entre matéria visível e matéria escura: nessas galáxias antigas, as regiões externas são dominadas por matéria comum e contêm muito pouca da variedade escura.

Astrônomos conseguem observar, hoje, eventos cósmicos de bilhões de anos atrás por causa da velocidade finita da luz: raios luminosos que partiram de seus pontos de origem num passado distante estão chegando agora até nós. Quanto mais longe um telescópio é capaz de enxergar, mais do passado ele revela.

 Há 10 bilhões de anos, as galáxias estudadas passavam por um intenso processo de formação de estrelas. “As observações sugerem que os bárions no universo primitivo condensavam-se eficientemente no centro de halos de matéria escura, quando as frações de gás eram altas e a matéria escura menos concentrada”, escrevem os autores, de uma colaboração internacional envolvendo alemães, americanos, britânicos, suíços, italianos e israelenses. Bárions são uma família de partículas que inclui as encontradas no núcleo dos átomos de matéria comum.

Os autores explicam o resultado de duas formas: primeiro, as galáxias, nessa época, estavam absorvendo grandes quantidades de gás do meio intergaláctico, fazendo com que os discos de matéria visível crescessem mais depressa do que os halos de matéria escura – de lá para cá, a situação teria atingido uma configuração de equilíbrio. Comentário que acompanha o artigo da Nature nota que mais observações serão necessárias para provar que a meia dúzia de galáxias descritas no trabalho são típicas de sua época, e não anomalias.

Referência

Strongly baryon-dominated disk galaxies at the peak of galaxy formation ten billion years ago

[Nature, 543, 397–401 doi:10.1038/nature21685]

segunda-feira, 13 de março de 2017

Entrevistas, Roberto Romano

O que é legalidade? | Roberto Romano | IREE - YouTube

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2 de mar de 2017 - Vídeo enviado por IREETV
Na segunda temporada do Pra Pensar Política, o IREE convida o professor de Ética da Unicamp ...

Roberto Romano | IREE - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=pqOl0yqHfJU
13 de fev de 2017 - Vídeo enviado por IREETV
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O que é soberania? | Roberto Romano | #PraPensarPolítica - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=4Av83vXAavA
2 de mar de 2017 - Vídeo enviado por IREETV
Na segunda temporada do Pra Pensar Política, o IREE convida o professor de Ética da Unicamp ...

O que é democracia? | Roberto Romano | #PraPensarPolítica - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=6FQd9DkCuB8
2 de mar de 2017 - Vídeo enviado por IREETV
Na segunda temporada do Pra Pensar Política, o IREE convida o professor de Ética da Unicamp ...

Roberto Romano - Conhecimento para todos - YouTube

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29 de abr de 2013 - Vídeo enviado por Fronteiras do Pensamento
Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp ...

O que é república? | Roberto Romano | #PraPensarPolítica - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=tku8ZhS7nug
2 de mar de 2017 - Vídeo enviado por IREETV
Na segunda temporada do Pra Pensar Política, o IREE convida o professor de Ética da Unicamp ...


instituto para reforma das relações entre Estado e Empresa. entrevistas com Roberto Romano, sobre liberdade, soberania, federalismo, república. Links abaixo

https://www.youtube.com/watch?v=UqjBDaj6RH4
 https://www.youtube.com/watch?v=6FQd9DkCuB8


https://www.youtube.com/watch?v=pqOl0yqHfJU
https://www.youtube.com/watch?v=_x8STMET8Uk
https://www.youtube.com/watch?v=tku8ZhS7nug

https://www.youtube.com/watch?v=4Av83vXAavA

 https://www.youtube.com/watch?v=4rEbnSc3now

Bolsonaro, o futuro.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/03/1865771-nao-e-a-imprensa-ou-o-stf-que-vai-falar-o-limite-pra-mim-diz-bolsonaro.shtml

Cobrar imposto dos mortos. Roberto Romano


Cobrar imposto dos mortos.


A fúria de arrecadação exibida por Brasilia acelera os piores danos à vida nacional. A presidente ameaça dia sim, dia não : aumentarei impostos. Depois da natimorta CPMF, batizada com outro nome para enganar governadores, o contribuinte brasileiro é aterrorizado pelo fisco que ameaça arrancar o alimento da sua mesa. João Santana profetizou, sem pudor algum, que Marina Silva arrancaria o sustento dos pobres. Roussef cumpre o vaticínio. A sordidez das mentiras espalhadas na campanha da candidata oficial já irritou 70% dos brasileiros. Com novos impostos, a vergonha será enterrada em definitivo pelo Planalto.

Mas o que é a vergonha?  Na Grécia que deu nascimento à ética, o termo “aidós” significa agir contra os princípios do que é bom, belo, reto. É vergonhoso um homem forte bater em crianças, velhos ou doentes. Aristóteles liga tais atos à cobrança governamental de impostos excessivos. “Nos envergonhamos diante dos malfeitos como se eles fossem uma desgraça para nós e para quem protegemos. Tais são as coisas devidas ao vício como abandonar o próprio escudo e correr, pois é covardia. Ou não honrar um depósito, porque é algo injusto. (…) Ou obter lucro (…) com abuso do pobre ou cadáver segundo o provérbio ‘roubar mesmo de um morto’, porque tal coisa se deve ao amor do ganho e mesquinharia” (Retórica,1383b).

Roubar mesmo dos mortos. A frase é violenta porque o trespasse é sagrado nos tempos antigos. A cobrança de impostos pelos governos, à beira do túmulo, foi vista como cruel pelas famílias. Arrancar dinheiro, mesmo de quem já não vive, mostra a truculência dos poderes. O Estado moderno chegou ao ápice de semelhante vergonha para controlar os nobres feudais e a Igreja. A fúria na arrecadação chegou ao torpe sacrilégio.

Na Inglaterra que dava seus passos para se firmar como domínio do rei, muitos juristas enunciavam que os bens oficiais seriam coisas sagradas. Na diabólica teologia jurídica os “Bona patrimonialia Christi et fisci comparantur” (pode-se comparar os bens patrimoniais do Cristo e do fisco). Cristo e Fisco são igualizados quanto à inalienabilidade e à prescrição. O “sacratissimus fiscus” torna-se alma do Estado. Como Cristo, “Fiscus ubique praesens” (o Fisco está em toda parte). Semelhante teologia destrói o mistério religioso, mas funciona no pavor político. Quanto mais o Estado aspira à eternidade (no limite, o Reich de mil anos…) mais exige tributos. Certa feita o rei da França cobra novos impostos.  O Terceiro Estado pede o exame dos cofres palacianos. O clero, amigo do trono, profere a sentença vergonhosa: “o cofre do rei é como o Santíssimo Sacramento no altar. Só o podem ver os ordenados para tal mister”.
Aí reside uma causa das revoluções democráticas, no século 17 (inglêsa) e 18 (a norte-americana e a francêsa). O Leviatã tem fome de taxações para manter os monopólios da força física (exército e polícia), da norma jurídica, da diplomacia. A pecúnia é um elixir diabólico que embriaga os governantes. Mas a paciência dos povos tem limites. Ela tomba quando o governo exige que se pague o que não foi fabricado, comercializado, plantado. Ou seja, se ele quer contributos sem que a produção tenha ocorrido e o bolso dos contribuintes está vazio. Movimentos políticos democráticos (sobretudo os Niveladores inglêses) se levantaram contra o abuso fiscal. Monarcômacos e puritanos uniam a taxação injusta à tirania.
Erasmo de Rotterdam, humanista a quem devemos parte da nossa cultura ética e política, escreveu um adágio sobre o tema : “A mortuo tributum exigere” (Exigir imposto do morto). O texto serve ao Brasil de Roussef: “De quem deseja obter dinheiro de qualquer jeito, sem indagar sobre a sua origem, se dizia que arrancava imposto do morto”. Como se escrevesse diretamente ao governo Dilma, Erasmo diz que os impostos imprudentes “são desumanos, pois os setores humildes perdem o necessário e toda uma série de taxas e contributos mordem, pedaço a pedaço, o pão do pobre”. Governos tirânicos, diz Erasmo, quando caçam impostos “ignoram medida e limite. A todo dia cogitam novas fontes de ganhos, se apegam com os dentes a todo imposto ocasional e extraordinário e nunca mais o abandonam”. Só faltou ao pensador profetizar o nome: CPMF.
Um governante é ilegítimo por defeito do seu título, se fraudou a eleição ou deu um golpe de Estado. Outra fonte de ilegitimidade é o péssimo exercício do cargo, se desobedece as leis e impõe cargas tributárias excessivas e injustas.  Pedir as contas do governo, antes de apoiar novos impostos, é coisa de direita? Não. Reinaldo Gonçalves, economista da esquerda brasileira, indicou as seguintes medidas para o país em recente entrevista ao site IHU (Unisinos): “impedimento de Dilma (…) por desempenho medíocre, conduta grotesca e déficit cognitivo; derrota e isolamento do PT - desmoralização, apodrecimento e antifuncionalidade para a esquerda brasileira; combate frontal à corrupção -condição para a desestabilização do sistema patrimonialista”. E mais: “investigação, indiciamento, julgamento, condenação e prisão de Lula - condição para a reconstrução das forças políticas de esquerda. (…) Dilma é figurante supérfluo enquanto Lula é protagonista no drama do desenvolvimento às avessas do Brasil. Lula é personagem dramático - descendente do Salsicheiro de Aristófanes, do Falstaff de Shakespeare, do Tartufo de Molière e do Pai Ubu de Jarry. No cenário mambembe da política brasileira, o que temos é um drama grotesco!”.  E Gonçalves, coerente com seus princípios, encerra: “Precisamos começar imediatamente esse processo visto que a degradação do Brasil é econômica, social, política, institucional e ética!”. Bem dito. Presidente Dilma, lembre-se do vocábulo ético grego –aidós– que designa a vergonha : não nos apresente a conta da sua incompetência. Peça a sua!



Sobre o autoritarismo político, de esquerda e direita. Roberto Romano


A polissemia domina a maior parte dos discursos políticos, sem que os seus locutores dela tenham consciência.  Assim, quem se coloca no plano liberal, afirma “a” liberdade em sentido unívoco. Olvida que existem várias liberdades, inclusive a de negar a livre opção alheia. Vocábulos como justiça, igualdade, esquerda ou direita, cobrem amplas redes semânticas, mas os militantes de um ou de outro partido imaginam a sua integridade, desde que empregadas no círculo dos que salvam a Nação, o Povo… Em nossos dias, fala-se de golpes e ditaduras. E são esquecidos usos dos termos no passado recente. Tomo um só exemplo, o de Lenine pai da esquerda. Poderia indicar outros exemplos, da direita ou do centro. Mas como a esquerda está no governo (não no poder…) vale a pena recordar seus ditos e feitos.
Lenine tinha pronta a doutrina sobre a ditadura. Para ele, as leis do marxismo seriam necessárias como as naturais. Não seria preciso, para o golpe que instaura a ditadura proletária, legitimidade institucional ou das massas. Recorda Dominique Colas (“Lenine e a ditadura do Partido Único” em M. Duverger, Ditaduras e Legitimidade, 1982) que em julho de 1918 ele manda fuzilar ou deportar centenas de prostitutas que levam os marinheiros e oficiais para os bares, para prevenir sublevações em Nijni Novgorod.  Em agosto, ele exige a abertura de um campo de concentração para aplicar “o terror de massa” sobre padres, guardas brancos, kulakes. (Obras de Lenine, Editions Sociales de Paris, 1959, volume 44). Em dezembro do mesmo ano ele se queixa de Maria Spiridonova, líder dos socialistas revolucionários de esquerda, o que resulta na internação psiquiátrica da mesma pessoa, uma das primeiras internadas pelo regime. Lenine assimila o cívico e o policial : “o bom comunista é o bom techkista”. Importante o artigo 58 do Código Penal que justifica o terror contra a oposição em 1922 (Obras, vol. 33) Seguem a supressão da liberdade de imprensa, de associação, de reunião. “A ditadura é um poder que se apoia diretamente na violência e não é ligada por nenhuma lei. A ditadura revolucionária do proletariado é poder conquistado e mantido pela violência, que o proletariado exerce sobre a burguesia”. (Obras, vol. 28) O golpe de Estado se justifica, não se legitima porque confiar no Congresso dos Sovietes “é uma ilusão constitucional”. (Obras, vol. 26) Nada de vãs confiança nas leis. A solução correta e científica encontra-se na força: “seria nossa perda e puro formalismo esperar o voto indeciso de 21 de outubro; o povo tem o direito e o dever de decidir tais questões não por votos mas pela força; o povo tem o direito e o dever, nos momentos críticos da revolução, de guiar seus representantes, até os melhores, em lugar de os esperar”. (Obras, vol. 28)
Em O Estado e a Revolução a máquina opressiva do Estado burguês é desmantelada pela ditadura proletária. Mas com o poder ditatorial proletário, o Estado não tende a ser dissolvido. A culpa é do proletariado, preso nas malhas do atraso feudal, das camadas pequeno burguesas, cuja figura maior é o kulak que é preciso eliminar. (Obras, vol. 28) Em 1918 ainda, ele responde as críticas dos mencheviques e comunistas de esquerda sobre o seu autoritarismo ditatorial, críticas nas quais eles recordam César e Napoleão 3º. No texto “As tarefas imediatas do poder dos sovietes” (Obras, vol. 27) Lenine prova que não há incompatibilidade entre ditadura pessoal no poder soviético. A ditadura pessoal foi na história “ o agente da ditadura das classes revolucionárias”. A ditadura jacobina foi compatível com a democracia burguesa. E chega a negativa do que afirmara O Estado e a Revolução: como não se definem como anarquistas, os soviéticos aceitam os constrangimentos do Estado para ir do capitalismo ao socialismo. Não há, pois, contradição alguma entre a democracia soviética e a ditadura com recurso ao poder personalizado. (Obras, vol. 27)
A ditadura é técnica que organiza o político de maneira eficaz. A ditadura continua, no Estado, o que se efetiva nas fábricas : “é preciso dizer que toda grande indústria mecânica, que constitui justamente a fonte e a base material de produção socialista exige uma unidade rigorosa de vontade, absoluta, que regula o trabalho comum de centenas, de milhares e dezenas de milhares de homens” (Obras, vol. 27) A fábrica é o modelo proposto por Lenine para o partido e para o Estado. Ao se organizar e organizar o social, o militante “adquire uma vontade única do milhar, da centena de milhares ou do milhão de militantes de vanguarda, que se torna a vontade da classe”. Mesmo em O Estado e a Revolução, a ditadura teria por alvo fazer da sociedade “um só escritório, uma só fábrica”. Ela deve ser exercitada pelo partido que tem o mesmo fim, o funcionamento da usina política.
A organização é tudo. A massa e o proletariado são movidos pelo partido. “Sem a organização a classe operária é zero”, afirma Lenine. (Obras, vol. 19) Importa, para aquele tipo de pensamento, a equação : classe proletária=Partido=poder soviético.(Obras, vol. 44) Mas o que fazer com os operários opostos  ao golpe de outubro, os insurgentes de Kronstadt e tantos mais? A ditadura não é feita para reunir os inimigos em aliança, mas para os eliminar. Igual receita vale para os refratários, mesmo se eles pertençam ao proletariado, em cujo nome a ditadura foi instituída. Se os tipógrafos se erguem contra o “seu” poder, eles devem ser eliminados como…insetos. E vem o que une Lenine e os fascismos nas campanhas pela “depuração”. No caso do nazismo, tratava-se de depurar a raça branca dos supostos parasitas (judeus, ciganos, homossexuais e outros). Em Lenine trata-se de depurar a classe em si de todos os que a impedem de se tornar “para si”, submetida à disciplina e à liderança dos dirigentes, e do ditador supremo. Assim, os tipógrafos que se levantaram contra o partido são ditos, por ele, “insetos nocivos” a serem eliminados. No texto “Como organizar a emulação?” ele lista todos os piolhos e assemelhados que devem desaparecer : os ricos, os vagabundos, os operários que não se submetem ao partido, os “intelectuais histéricos”. Todos esses setores são apenas sujeira que deve ser limpa. O meio de fazer tal limpeza encontra-se nos fuzilamentos, nas deportações, nos trabalhos degradantes. A ditadura deve limpar (cistka) as instituições feudais. A ditadura leninista repousa sobre a destruição do outro, ela pretende possuir o monopólio da verdade. A “legitimação” é fornecida pela força, pelo terror institucionalizado em proveito do partido.