Flores

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

WP, brilhante!

The Fix

This photo of Trump’s notes captures his empathy deficit better than anything

President Trump held a worthwhile listening session Wednesday featuring a range of views on how to combat gun violence in schools. And while Trump's at-times-meandering comments about arming teachers will certainly raise eyebrows, for the most part he did listen.
Thanks in part, it seems, to a helpful little reminder.
Washington Post photographer Ricky Carioti captured this image of Trump's notes:

President Trump holds a card with talking points during a listening session with high school students and teachers on gun violence on Wednesday, Feb. 21, 2018. (Ricky Carioti/The Washington Post)
Yep, right there at No. 5 is a talking point about telling those present that he was actually listening to them. After what appear to be four questions he planned to ask those assembled, No. 5 is an apparent reminder for Trump to tell people, “I hear you.”
Even No. 1 is basically a reminder that Trump should empathize. “What would you most want me to know about your experience?” the card reads. So two-fifths of this card is dedicated to making sure the president of the United States assured those assembled that he was interested in what they had to say and their vantage points.
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That's at once pretty striking for a president and not at all striking for Trump. Through tragedy after tragedy, empathy has been the quality clearly missing from Trump's reactions. He has focused on first-responders rather than victims. He has joked around when he probably should have been somber. He has attacked a political leader who wasn't appreciative enough. Through it all, it's been clear that expressing that he feels others' pain just isn't his strength.
3:00
Trump’s meeting with Fla. school shooting survivors, in three minutes
President Trump on Feb. 21 met at the White House with students who survived the Feb. 14 shooting at Marjory Stoneman Douglas High School in Parkland, Fla.
Which is apparently why he needed a couple little reminders Wednesday.
Update: We now have a view of more of the card, for those interested (via AP's Carolyn Kaster):

(Carolyn Kaster/AP)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Arvores de meu bairro, para os amigos a sombra e a beleza das flores.


ihu unisinos

Hikikomori, está crescendo: milhares de jovens em autorreclusão em casa

Revista ihu on-line


20 Fevereiro 2018
Eles estão entre os 14 e 25 anos e não estudam nem trabalham. Não têm amigos e passam a maior parte do dia em seus quartos. Dificilmente falam com os pais e parentes. Eles dormem durante o dia e vivem à noite para evitar qualquer confronto com o mundo exterior. Eles se refugiam nos meandros da Web e das redes sociais com perfis falsos, único contato com a sociedade que abandonaram. São chamados de hikikomori, palavra japonesa para "ficar de lado". Na Terra do Sol Nascente já atingiram a cifra alarmante de um milhão de casos, mas é equivocado considerá-lo um fenômeno limitado apenas às fronteiras japonesas.
A reportagem é de Matteo Zorzoli, publicada por Business Insider Itália, 15-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.
"É um mal que assola todas as economias desenvolvidas - explica Marco Crepaldi, fundador do hikikomori Itália, a primeira associação nacional de informação e apoio sobre o tema. - As expectativas de interação social são uma espada de Dâmocles para todas as novas gerações do século XXI: há aqueles que conseguem suportar a pressão da competição na escola e no trabalho e aqueles que, em vez disso, largam tudo e decidem se autoexcluir".
As últimas estimativas falam de milhares de casos italianos de hikikomori, um exército de presos que pede ajuda. Um número que tende a aumentar se não conseguirmos dar ao fenômeno uma clara posição clínica e social.

Um fenômeno de contornos ainda pouco claros

Associações como a Hikikomori Itália já há anos estão fazendo todo o possível para sensibilizar a opinião pública sobre um desconforto que é muitas vezes confundido com incapacidade e falta de iniciativa das novas gerações. Um equívoco que encontrou terreno fértil no debate político, legislatura após legislatura, criando estereótipos como "bamboccioni" (adulto com comportamento infantil e mimado, ndt) , um termo cunhado em 2007 pelo então ministro da Economia, Tommaso Padoa-Schioppa, ou "jovens italianos choosy" (exigentes) da ex-ministra do trabalho, Elsa Fornero, até chegar ao limite da sigla Neet, (em português, são os chamados “nem-nem”, ndt) os jovens que não têm "nem trabalho nem estudo", que de acordo com uma pesquisa da Universidade Católica de 2017 seriam cerca de 2 milhões em todo o país.
Também do ponto de vista médico, o hikikomori sofre de uma classificação nebulosa. No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), a "Bíblia" da psiquiatria, ainda está registrada como síndrome cultural japonesa: uma imprecisão que tende a subestimar a ameaça do distúrbio no resto do mundo e cria consequências perigosas.
"Muitas vezes é confundido com síndromes depressivas e, nos piores casos o jovem é carimbado com o rótulo de dependência em internet - explica Crepaldi - Um diagnóstico desse tipo geralmente leva ao afastamento forçado de qualquer dispositivo eletrônico, eliminando, dessa forma, a única fonte de comunicação com o mundo exterior para o doente: uma verdadeira condenação para um garoto hikikomori".

Como alguém se torna um hikikomori?

O ambiente escolar é um lugar vivenciado com sofrimento especial pelos hikikomoris, não surpreendentemente a maioria deles se inclina ao isolamento forçado durante seus anos finais do ciclo fundamental e durante o ensino médio. É neste período que geralmente ocorre o 'fator precipitante', que é o evento-chave que inicia o movimento gradual de afastamento dos amigos e familiares. Pode ser um episódio de bullying ou uma nota ruim na escola, por exemplo.
"Um evento inofensivo aos olhos de outras pessoas, mas contextualizado dentro de um quadro psicológico frágil e vulnerável, assume uma importância muito significativa - explica Crepaldi - É a primeira fase do hikikomori: o garoto começa a faltar dias de aula usando qualquer desculpa, abandona todos as atividades esportivas, inverte o ciclo vigília-sono e se dedica a compromissos monótonos solitários como o consumismo desenfreado das séries de TV e videogames".
É importante intervir exatamente nesse primeiro estágio do distúrbio quando se manifestam os primeiros sinais de alarme. Nessa fase, os pais e os professores desempenham um papel crucial na prevenção: investigar a fundo as motivações íntimas do desconforto e, se necessário, buscar rapidamente o apoio de um profissional externo para evitar a transição para uma fase mais crítica, quando seria necessária uma intervenção que poderia durar até anos.

Itália e Japão: duas faces da mesma moeda

É inegável que a cultura japonesa historicamente tem se caracterizado por uma série de fatores que aumentam a dimensão do fenômeno, a ponto se ser já possível se falar de duas gerações de hikikomori, a primeira desenvolvida na década de 1980. O sistema social e escolar extremamente competitivo e o papel da figura paterna muitas vezes ausente por causa de horários de trabalho extenuantes estão na base das expectativas opressivas e muitas vezes não concretizadas. Mesmo considerando as devidas proporções, mesmo na Itália as pressões sociais são muito fortes. Determinantes desde os primeiros casos de hikikomoris diagnosticados em 2007, são a diminuição dos nascimentos com o consequente aumento de filhos únicos, geralmente submetidos a pressões maiores, a crise econômica que torna muito distante o ingresso (real) no mercado de trabalho e a explosão de cultura da imagem, exacerbada pela disseminação capilar das redes sociais.
Na Itália a síndrome não afeta só os homens, como no Japão, mas inclui também um discreto número de hikikomori-mulheres, com uma proporção de 70 para 30. "Por uma questão cultural as famílias consideram, no entanto, a reclusão da filha como um problema menor - diz Crepaldi - provavelmente porque a veem como uma futura dona de casa ou esperam que um dia se case e saia de casa".
No contexto italiano, aliás, existem diferenças entre uma região e outra: os hikikomoris do norte da Itália têm, de fato, características diferentes daqueles do sul. Justamente por isso, o site Hikikomori Itália disponibiliza salas de chat regionais, onde os jovens podem discutir problemas com os seus conterrâneos que sofrem da mesma síndrome.
Existe apenas uma regra dentro do chat: quem entra não é obrigado a interagir, mas é apreciada uma breve apresentação. Aqueles que não a respeitam são "bloqueados". Para aqueles que querem contar a sua história também tem um Fórum, aberto tantos aos jovens como aos pais: um mundo paralelo, silencioso, impalpável.
Uma tela de pedidos de ajuda e de sofrimento, mas também histórias de sucesso. Como a de Luca, 25 anos:
"O dia e noite eram idênticos, eu dormia quando sentia vontade, comia quando queria. Eu perdi todos os meus amigos e a tela era um "Stargate" para outro universo. O tempo se dilatava quando eu clicava no teclado e eu nunca queria parar. Quando precisava tomar banho ficava ansioso debaixo do chuveiro para voltar logo a jogar.
Eu passei mais de dois anos jogando Wow [World of Warcraft, um jogo de estratégia, nde] em total isolamento. Eu não conseguia mais nem andar. Tudo isso aconteceu sem que minha mãe percebesse: trabalhava das 8 às 17 e eu fingia que ia à escola. Eu já não queria mais ir. Muita pressão.
O isolamento é uma batalha que no final torna-se uma cura. Crescia dentro de mim como uma onda, lentamente, até o momento em que tudo começou a me incomodar, eu detestava tudo o que eu fazia, eu não suportava mais quem eu era.
Hoje eu estou fora, eu moro no exterior e tenho uma linda namorada. Sou ou fui um hikikomori? Eu não sei, mas o que eu sei é que a força para combater esse demônio está e existe apenas dentro de você, ninguém pode ajudá-lo, na taberna de alguma montanha virtual onde você se perdeu, com a sensação de paz que envolve a sua mente. O único conselho que acho que posso deixar é: fujam do computador".

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Jornal da Unicamp

Quando o alarme não vem dos “catastrofistas”



Grávida de 9 meses está em presídio por furto de comida


Grávida de 9 meses está em presídio por furto de comida

No dia 28 de janeiro, Cristiane Ferreira Pinto teve a prisão preventiva decretada após deixar atacadista com peças de queijo e carne; juiz alegou ‘evidente risco à ordem pública’ e disse que gravidez 'não gerou preocupação ou cuidado de não se expor’ ao crime

Luiz Vassallo
20 Fevereiro 2018 | 05h00

Desde 28 de janeiro, Cristiane Ferreira Pinto, grávida de 9 meses e mãe de dois filhos – um de sete e outro de um ano -, está presa preventivamente no presídio feminino de Franco da Rocha por furto de comida em um supermercado. Na audiência de custódia, o juiz responsável disse que sua gravidez ‘não gerou preocupação ou cuidado de não se expor’ ao crime. Ela cumpria pena por outro furto em regime aberto.
A situação de mães e gestantes como Cristiane será avaliada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira, 20. Os ministros Ricardo Lewandowski – relator – Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Celso de Mello e Edson Fachin vão julgar um habeas corpus coletivo que pede prisão domiciliar a todas as mulheres grávidas que cumprem prisão preventiva e às que são mães de crianças de até 12 anos.O recurso, impetrado por um grupo de advogados militantes de direitos humanos, com apoio da Defensoria Pública da União. Caso acolhido o HC, a decisão pode beneficiar até 622 mulheres atualmente presas em todo o país, que questão grávidas ou amamentando – o dado é do Conselho Nacional de Justiça. + Quando o berço fica no meio da cela da mãeUm dia antes da decisão judicial que a mandou ao cárcere por tempo indeterminado, Cristiane recheou uma bolsa com peças de queijo e carne retiradas das prateleiras de um atacadista em Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo. Ela e Edilia Cristina dos Santos, que a acompanhava na empreitada, foram paradas pelos seguranças do estabelecimento após saírem sem pagar. Diogo Barbosa, que as esperava no carro, no estacionamento, também foi parrado por funcionários do mercado.+ Em 5 anos, Penitenciária de Pirajuí relata 180 nascimentosTodo foram detidos pela Polícia Militar e encaminhados ao 1º DP de Taboão. O delegado Rodrigo Gentil Falcão não apenas deu voz de prisão em flagrante, como mandou devolver o automóvel que Diogo admitiu ter pego emprestado de um amigo.+ Gilmar põe Adriana em domiciliarCom Cristiane, Edilia e Diogo, foram encontradas 9 peças de queijo, duas de requeijão, duas de carne e uma caixa de facas de mesa, no valor de R$ 890,42, segundo a Polícia Civil.Os três foram encaminhados para audiência de custódia no dia seguinte à ocorrência, 28 de janeiro, no Forum de Itapecerica da Serra. Cabia ao juiz Wellington Marinho Urbano, em plantão naquele domingo, avaliar se houve violações da PM na prisão em flagrante e decidir se iria aplicar medidas cautelares aos indiciados.Naquela audiência, o magistrado mandou algemar Cristiane, Diogo Barbosa e Edilia dos Santos levando em consideração a Súmula Vinculante nº 11 do Tribunal de Justiça de São Paulo, que pacifica. “Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade”.




O juiz justificou as algemas alegando a ‘falta de estrutura do edifício’, a ‘carência de contingente policial para garantir segurança do encarcerado e dos demais servidores públicos’ e o que chamou de ‘fundado receio de fuga, e não apenas especulação’ sobre os acusados de furtar comida.
A promotora Maria Gabriela Prado Manssur perguntou aos três sobre o motivo que os levou a furtar.
Em sua vez, Cristiane, que já cumpria pena em regime aberto por furto, chorou, disse que tinha dois filhos para criar, e que ‘esperava mais um na barriga’, e, no período em que esteve na rua, não conseguiu emprego e não aguentava mais ver seus filhos passando fome, pedindo por leite sem que ela tivesse condições de alimentá-los.
Edilia também se emocionou e disse ser empregada doméstica, o que não lhe rendia o suficiente nem para pagar as contas domésticas, como o aluguel de sua residência. Os advogados de defesa levaram os documentos das dívidas no dia da audiência.
Convencida, a promotora pediu liberdade provisória a Cristiane e Edilia e requereu a conversão de prisão preventiva para Diogo, que tem quatro condenações criminais.
O parecer do Ministério Público não foi acolhido integralmente pelo juiz, que liberou Edilia, mas disse ver ‘evidente risco à ordem pública’ caso ficassem livres a gestante de 9 meses e mãe de dois, e Diogo.
Para o juiz Urbano, ‘o estado de gravidez da detida Cristiane não gerou nela a preocupação ou cuidado de não se expor à empreitada criminosa’. “Ademais, encontrando-se em estado gestacional, certamente custodiada pela SAP será submetida aos regulares cuidados médicos”.
“Quanto às medidas cautelares diversas da prisão, observo que se mostram, ao menos por ora, insuficientes, dada a gravidade do crime objeto desta ação, o modo e as circunstâncias com que foi perpetrado e que, a princípio, considerada a vida pregressa do detido, denota periculosidade incompatível com a confiança no detido, necessária à efetividade daquelas medidas”, anotou.
A advogada Renata Ramos, que defende os três indiciados, vê uma decisão ‘desproporcional’. “Eu creio que o maior delito que a Cristiane cometeu é ser pobre e a pobreza a levou à prisão”. Ela diz que Diogo estava há cinco anos sem cometer delitos e que cumpriu pelas penas dos crimes pelos quais foi condenado.
“Tanto é verdade que a outra pessoa [Edilia] que estava dentro do supermercado que participou do delito de furto de alimentos junto com a Cristiane foi solta. Ela recebeu o direito de aguardar em liberdade, porque ela não tinha nenhum antecedente”, afirma.
Recursos. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou liminares no âmbito de habeas corpus impetrados pela defesa de Cristiane.
O relator do pedido dos advogados na 11ª Câmara Criminal, Alexandre Carvalho de Almeida, justificou que não poderia acolher o pedido em decisão provisória porque liminares em habeas só se justificam em ‘situação excepcional reservada para casos de ilegalidade manifesta e visível de plano’ e anotou que ‘nada indica que não esteja recebendo os cuidados de que necessita’.
A defesa entrou com novo habeas no Supremo. O caso está nas mãos do ministro Dias Toffoli.

DW


Calendário Histórico

1963: Peça "O vigário" denuncia omissão do Vaticano no nazismo

No dia 20 de fevereiro de 1963, a peça "O vigário" estreava em Berlim, despertando a Alemanha do belo sono do milagre econômico e gerando indignação internacional, ao denunciar a omissão do Vaticano no nazismo.
A obra de Rolf Hochhuth é uma prova do potencial político da literatura. Sua primeira obra, a peça teatral O vigário, que escreveu aos 31 anos, teve efeito explosivo em nível nacional e internacional. Estreada em 20 de fevereiro e 1963, com grande repercussão pública, a peça denunciava a restauração da Alemanha no pós-guerra, e despertou a era do chanceler federal Konrad Adenauer do belo sono do milagre econômico.
Apesar de todas as explicações dadas pelo autor, O vigário (Der Stellvertreter) gera mal-entendidos e protestos de natureza política e religiosa até hoje. Acima de tudo, Hochhuth rejeita uma qualificação que lhe tentam imputar há décadas, a de moralista: "Rejeito a palavra moralista, ela me incomoda muito. Gosto de racionalista imparcial. O moralista é um ditador de regras. Outra coisa seria dizer que os meus temas são morais. Isso é correto".
O vigário em encenação de Piscator
O drama sobre o papa Pio 12 estreou no teatro Freie Volksbühne de Berlim. O diretor Erwin Piscator foi um representante da vanguarda berlinense dos anos 1920. Sua montagem rompia tabus e gerou grande escândalo.
A peça acusa Pio 12 e toda a Igreja Católica de terem feito um acordo tácito com os nazistas. Hochhuth põe o dedo na ferida: milhares de judeus foram deportados da Praça de São Pedro, em Roma, para as câmaras de gás dos nazistas, e o papa, a grande instância moral, assistiu a tudo em silêncio. O Vaticano e seus dirigentes justificaram assim a omissão: Pio 12 só silenciou para impedir uma perseguição ainda mais drástica dos judeus e também do clero.
Hochhuth demonstrou de forma convincente que o papa era constantemente informado sobre a proporção das deportações e do extermínio de judeus. Tal acusação tem uma dimensão profunda: o representante de Deus na Terra, a Cúria e a maioria dos bispos tinham uma certa simpatia pelo nazismo, pois Adolf Hitler e seu exército faziam um bom trabalho no combate ao bolchevismo ateu. A Igreja católica via a doutrina comunista como uma ameaça terrível.
Álibi para os alemães?
Hochhuth rejeitava também as críticas de que teria tirado conclusões errôneas sobre a culpa dos alemães: "O público alemão não saudou O vigário como álibi para os crimes nacionais, pois na Alemanha Ocidental a peça foi levada a no máximo 10% dos palcos. Só em Paris foi mais que o dobro e em Nova York também. Provavelmente os alemães teriam recebido a minha peça de braços abertos, se tivessem enxergado nela um perdão para os próprios crimes ou uma possibilidade de jogar a culpa sobre o Vaticano."
n Der Stellvertreter (Concorde) O ator Ulrich Tukur (à direita) no papel principal de "Amen"
O autor nascido em 1931 prestou um incômodo trabalho pioneiro em relação à memória do nazismo. Sua polêmica peça foi seguida de publicações históricas sobre a culpa do papa no extermínio dos judeus. Hochhuth assumiu a responsabilidade de historiador. "Lessing disse que o poeta é o senhor da história. Eu não concordo com isso: digo que o poeta é o servo da história. E não tenho a ilusão de que uma peça possa mudar ativamente as pessoas. Ao contrário de Lessing, eu acho que, quando o autor leva a história ao palco, ele tem de se ater à verdade histórica o máximo possível, para que a sua obra não comprometa ou manipule a verdade."
Em 2002, o diretor grego Constantin Costa-Gavras filmou a peça de Rolf Hochhuth sob o título Amen.