Um Blog destinado a discutir assuntos de ordem institucional, política, ética, longe do inferno definido nas supostas redes sociais, onde a covardia, a irresponsabilidade, o ressentimento e todas as paixões baixas se manifestam. Aqui, procuro pensar, sem ferir ou humilhar ninguém. Na internet, sobretudo nas mentirosas páginas "sociais", encontramos a besta fera descrita por Platão (Rep.. 588c): θηρίου ποικίλου καὶ πολυκεφάλου. Lúcido Platão!
Dissertação
de mestrado desenvolvida por Cristina Sacilotto junto ao Departamento
de Matemática Aplicada, do Instituto de Matemática, Estatística e
Computação Científica (Imecc) da Unicamp, orientada pelo professor
Laércio Luis Vendite, apresenta a construção de dois modelos matemáticos
desenvolvidos para predizer os riscos de metástase e de morte em
pacientes portadores de câncer nos rins do subtipo mais comum,
denominado convencional, caracterizado por células claras. O carcinoma de células renais é uma doença
heterogênea com prognóstico amplamente variável e responsável por 2% das
neoplasias malignas. O diagnóstico mais preciso do risco de progressão
da doença e da mortalidade após o tratamento é essencial para orientação
de pacientes, tomada de decisões no tratamento e seleção de seguimentos
adequados. No Brasil, as neoplasias constituem a segunda causa de
morte, superada apenas pelas doenças do aparelho circulatório. Como a discussão e compreensão dos fatores que
determinam os prognósticos de tumores renais são fundamentais para o
estabelecimento de sua abordagem, a pesquisa analisa alguns deles e suas
importâncias na sobrevida dos pacientes. Hoje se utiliza, com
considerável valor prognóstico, o Sistema de Graduação de Fuhrman, que
classifica o padrão nuclear da neoplasia em quatro graus, determinados
em função da diferença entre o núcleo celular de uma célula cancerosa e
uma sadia. Os tumores de grau 1 são considerados com prognóstico
favorável, os de grau 4 com prognósticos sombrios e intermediários, os
de graus 2 e 3. Entretanto, na comunidade médica, existe um
questionamento em relação a essa classificação que se mostra
incompatível em relação a determinados casos reais, sugerindo que não
basta levar em consideração apenas o grau de comprometimento das células
para o diagnóstico. Disponível em: https://www.auanet.org/education/modules/pathology/kidneycarcinomas/fuhrman-grade.cfm
Figura
- Carcinoma renais de células claras. A: Tumor de grau nuclear 1 com
núcleos redondos ou uniformes; nucléolos não discerníveis ou ausentes.
B: Carcinoma de grau nuclear 2 com contornos nucleares ligeiramente
irregulares e nucléolos discretos. C: A neoplasia nuclear de grau 3
possui núcleos grandes e irregulares. D: Carcinoma nuclear de grau 4 com
núcleos bizarros e nucléolos grandes e proeminentesO
estudo, além de uma análise desse critério univariado, considera também
outros fatores, do que resulta uma análise multivariada, de forma que,
ao combiná-los com a classificação de Fuhrman, possam conduzir a
resultados mais precisos para o prognóstico da neoplasia, permitindo
verificar a relação entre o grau de Fuhrman e a sobrevida. Os avanços
nos diagnósticos e tratamentos e o impacto que podem gerar na sobrevida
dos pacientes são relevantes para a definição prognóstica em indivíduos
com a doença. A intenção da pesquisa é a de auxiliar o especialista na
tomada de decisões com relação ao estádio da neoplasia.
Modelo matemático Na verdade qualquer sistema de graduação aceito
hoje na prática patológica, como o de Fuhrman, apresenta certo grau de
subjetividade, pois as doenças geralmente são descritas em termos
linguísticos, que são vagos, difíceis de traduzir quantitativamente. Daí
a vantagem de um modelo matemático, como o que utiliza a Teoria dos
Conjuntos Fuzzy, utilizada em situações duvidosas e de incerteza. Essa
teoria associa a precisão da matemática e as impressões do mundo real,
de modo que os dados incertos e a opinião dos especialistas sejam
levados em conta e incorporados aos modelos matemáticos. A propósito, a pesquisadora afirma: “A
subjetividade das informações no estudo do câncer renal nos motivou a
utilizar a Teoria dos Conjuntos Fuzzy para tratar o problema. Diante das
incertezas das informações, cremos que o uso dessa teoria é apropriado.
Trata-se de uma linguagem do pensamento lógico, cada vez mais
necessária à área de saúde”. O
professor Laércio Luis Vendite, orientador da dissertação: “Nosso
trabalho formaliza e organiza essas evidências, facilitando um
diagnóstico preciso e, em consequência, um tratamento mais adequado”Com efeito, na literatura matemática encontram-se vários trabalhos que utilizam a teoria de conjuntos fuzzy
para analisar eventos biológicos, em particular neoplasias. Os modelos
matemáticos desenvolvidos têm contribuído amplamente para maior
compreensão das ocorrências médicas, seus diagnósticos, prognósticos e
para a eficiência dos tratamentos. O trabalho faz parte da linha de pesquisa do
professor Laércio que, há quase trinta anos, se dedica à biomatemática, e
teve como referências estudos sobre o câncer da próstata e da bexiga
também orientados por ele. Seu foco foi a construção de dois modelos
matemáticos fuzzy para predizer os riscos de metástase e morte
para indivíduos com tumores renais e analisar a relação entre a
graduação de Fuhrman e o prognóstico de pacientes com essa neoplasia. O modelo fuzzy utilizado para prever o
risco de metástese combina os dados do tumor do paciente - grau de
Fuhrman, presença de necrose, tamanho do tumor e estadiamento, ou seja, o
estado clínico do paciente, que depende das ponderações passadas por
clínicos. Já o modelo utilizado para a previsão de morte utiliza os
mesmos dados do primeiro modelo trocando apenas o fator tamanho do tumor
pela presença de metástase. Os dois modelos valem-se de um conjunto de
regras, de natureza linguística, elaboradas a partir da ajuda de
especialistas, de pesquisas em literatura da área e em dados
estatísticos de pacientes do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. A
análise estatística desses dados permitiu identificar as variáveis mais
determinantes a serem consideradas, como a presença de necrose e
estadiamento, contribuindo para o ajuste dos pesos das regras
estabelecidas para cada modelo. “Criamos regras com as informações dos
especialistas com os pesos atribuídos e suporte da análise estatística”,
esclarece o docente. Cristina
Sacilotto, autora da pesquisa: “A subjetividade das informações no
estudo do câncer renal nos motivou a utilizar a Teoria dos Conjuntos
Fuzzy para tratar o problema”Por
fim, foram realizadas simulações com os dados colhidos dos pacientes do
HC para verificar a compatibilidade do modelo com a realidade. De
acordo com a pesquisadora, os resultados podem ser considerados
satisfatórios e compatíveis com o observado nos pacientes reais. Os pesquisadores consideraram de fundamental
importância no desenvolvido do trabalho as colaborações dos urologistas
Ubirajara Ferreira e Wagner Eduardo Matheus; dos patologistas Athanase
Billis e Larissa Eloy; e do médico residente Eduardo Azevedo, todos do
HC da Universidade.
Ponderações Os modelos foram testados em situações concretas de
pacientes brasileiros, com histórico conhecido. Devidamente
operacionalizados eles fornecem ao médico informações em termos de
possibilidade e não probabilidade, não exigindo portanto um grande banco
de dados para indicar as chances do tumor desenvolver metástase e de
sobrevida do indivíduo. O modelo fornece ao clínico o melhor diagnóstico
possível em dado momento. Laercio explica: “Hoje o médico faz o
diagnóstico baseado nas evidências médicas e em suas experiências. Nosso
trabalho formaliza e organiza essas evidências, facilitando um
diagnóstico preciso e, em consequência, um tratamento mais adequado.
Como o modelo é construído com base nas informações de especialistas,
incorpora as experiências médicas e o software construído com base nele
fornece respostas segundo os conceitos clínicos”. Para a pesquisadora o modelo proposto permite um
diagnóstico mais preciso em relação à evolução do tumor. Mas como as
conclusões decorrem da utilização do banco de dados do HC da Unicamp,
ela faz um alerta: “Como simulações atêm-se a um universo restrito, há
necessidade de novos experimentos para que os resultados sejam
confirmados e sedimentados”. O professor Laércio conclui: “É importante que este
tratamento matemático seja debatido pela comunidade médica, pois nosso
procedimento não encontra paralelo em outras pesquisas de repercussão
internacional. Comprovamos, através de um modelo matemático, que existem
indícios muito fortes de que a classificação de Fuhrman tem alcance
limitado
Reflexão sobre a inveja. Mãe Stella de Oxóssi põe o dedo na ferida
A inveja, o desejo de ser aquilo que não se é,
de possuir aquilo que pertence ao outro, é um dos sentimentos mais
nefastos. Nesta Reflexão, escrita em linguagem simples e direta, porém
muito rica de sabedoria, Mãe Stella de Oxóssi, 92 anos de idade e uma
das mães-de-santo mais célebres do Brasil, fala da inveja e do valor
espiritual negativo que ela representa.
A minha função espiritual faz de mim uma
intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor
maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de
diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse
oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me
procuram sente-se vítimas de inveja.
Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém
chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos
outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o
pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas
apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.
Controlar o sentimento de inveja
Percebo logo que existe ali uma profunda
insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso
ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse
comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa
precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe
dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de
modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas
principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete
primeiro em nós mesmos.
Uma fábula sobre a inveja serve para nossa
reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade
era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente
cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem
possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três
perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com
quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então
perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. –
Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por
que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra
respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me
incomoda.
Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do
outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio,
que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas
funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido
através do reflexo do olhar do outro.
Festa de aniversário, 92 anos de Mãe Stella
Brilhar mais que os outros
Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de
idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa
quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que
seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei
conversando com a garota. Um dia ela chegou me dizendo que não
aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se
incomodou.
Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa,
pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas
conversas. Foi quando ela me disse:- Sabe por que não me incomodei de
tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:- Por que? Ao que ela me
respondeu: – Porque o resto da turma tirou nota um. Rimos juntas da
minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade
que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a
garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia
para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria
ser vista.
O caso contado anteriormente fez lembrar-me de
outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me
dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada
daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.
A inveja é popularmente conhecida como “olho
gordo”. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos
cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles
cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para
nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos
olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é,
portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles
precisam ter, de preferência desejos saudáveis.
(*) Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe
Stella de Oxóssi, é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, Bahia,
um dos mais importantes terreiros de candomblé do Brasil.
Nada é por acaso, muito menos o desgaste do juiz Sérgio Moro
na última pesquisa Ipsos, na qual ele ainda é muito mais bem avaliado
do que políticos de ponta e até ministros do Supremo, mas perdeu pontos
justamente no Norte, no Nordeste e nas classes D e E. Aí tem!
É justamente no Norte e no Nordeste que o PT e
particularmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são campeões
de voto e têm os mais fiéis seguidores, cegos, surdos e mudos para
quaisquer revelações da Lava Jato, que opõem Moro a Lula. Ali, a versão
de Lula vale mais do que os fatos de Moro.
E estão nas classes D e E os cidadãos e cidadãs com
menor escolaridade e maior ingenuidade, menor nível de informação e
maior crença no que Lula diz. Aliás, ele está percorrendo o Nordeste,
num périplo que o PT chama de “Caravana pelo Brasil” e seus críticos
apelidaram, ironicamente, de “Caravana da Saudade, ou da Despedida”.
Papa revela que fez terapia com psicanalista judia
Francisco disse que se consultou com profissional quando tinha 42 anos para 'esclarecer algumas coisas'
O Estado de S.Paulo
01 Setembro 2017 | 15h43
'Me ajudou muito', disse o papa sobre terapia
Foto: EFE/EPA/ETTORE FERRARI
O papa Francisco revelou que, quando tinha 42 anos, fez terapia na
Argentina durante seis meses com uma psicanalista judia para "esclarecer
algumas coisas". As sessões disse, o ajudaram muito.
Jorge Mario Bergoglio faz estas confissões em um livro que narra
uma série de conversas que manteve com o sociólogo francês Dominique
Wolton e que será publicado na França, segundo antecipou nesta sexta o
jornal italiano "La Stampa".
"Consultei uma
psicanalista judia. Durante seis meses fui uma vez por semana a sua casa
para esclarecer algumas coisas. (...) Depois, um dia, quando estava a
ponto de morrer, me chamou. Não para receber os sacramentos, pois era
judia, mas para ter um diálogo espiritual. Era uma pessoa boa. Durante
seis meses me ajudou muito", explicou.
Aquelas
visitas ocorreram quando o agora papa argentino tinha 42 anos, entre
1978 e 1979, em plena ditadura militar na Argentina, que em 1976
derrubou o governo de María Estela Martínez de Perón.
O periódico adianta outros temas que aborda Bergoglio, como sua
opinião sobre o casamento homossexual. A respeito desse tema, o papa
opina que "o matrimônio é aquele formado entre um homem e uma mulher",
ainda que aceite chamar de "uniões civis" aquelas por pessoas do mesmo
sexo. /EFE
O professor de ética e filosofia da Unicamp, Roberto Romano, falou
com exclusividade Ao Jornal Local sobre o governo do presidente Michel
Temer (PMDB), o Congresso Nacional e o momento sócio-econômico no
Brasil.
Quando questionamento sobre o futuro a curto e longo prazo, ele
enxerga a realidade com um pessimismo. “O que se espera é o que há de
pior, não há um projeto sério de reforma econômica. A base mais
tecnicamente capaz no ministério está na base da economia”, enfatiza.
“ O ministro da economia dado ao fisiologismo e falta de
responsabilidade, em parte atende aos interesses do empresariado e
particulares”. A não aplicação de reformas amplas e profundas que altere
de forma significativa o desenvolvimento no país já vem provocando um
desgaste cada vez maior e até causar a volta da inflação.
“ Estamos assistindo uma compra generalizada de apoios, que foi
inaugurado nessa sessão onde Temer seria investigado ou não. Uma coisa
de bilhões foram usados para comprar de votos.”, falou. ”É de se esperar
uma crise generalizada até 2018 e não sabemos o que esperar após 2018.
Uma piora do quadro e não uma melhora. Com essa vitória, entre aspas,
do governo Temer, tivemos um aumento exponencial da insegurança coletiva
no Brasil”.
Temer se manterá até 2018? “Ninguém sabe, essa base aliada é uma base
muito venal, os recursos da compra dessa base já estão se acabando. Não
se tem tanto dinheiro assim. Nem tantos cargos também. Se a PGR
(Procuradoria Geral da República) apresentar outra denúncia e isso vai
passar pelo Congresso e então veremos se serão comprados novamente. E
não temos certeza nem disso”.
Conforme o professor Roberto Romano quando se tem um corpo político
com voto doutrinário e ideológico, pode-se saber, qual a direção que o
Congresso irá seguir. “Mas como houve uma compra tão descarada de votos,
e isso não é voto ideológico. Então não existe nenhum rito de lealdade.
Eles estão cobrando aumento ao fundo das eleições algo de mais de R 3
bilhões. Os deputados só serão leais se os cofres forem abertos.
O professor lamenta o mau direcionamento de recursos do governo Temer
em detrimentos de questões mais abrangentes na sociedade em geral. “Ver
universidades com dificuldades, a UERJ fechando não consegue manter
pesquisa nacional. O CNPq não poder garantir bolsas para os próximos
meses. Os hospitais não podendo manter cirurgias. Mas tem R$ 3 bilhões
para dar a esses deputados ganhar as eleições com dinheiro público.”.
Romano questiona o posicionamento do governo Temer que está deixando
de lado pontos relevantes da sociedade brasileira. “Só vemos aumentar o
fisiologismo. O cidadão não tem segurança jurídica, segurança física,
não tem saúde, educação, não tem atendimento médico mas tem dinheiro
para dar para esses políticos se estabelecerem”.
Para ele a opinião pública deve se mobilizar, os eleitores procurarem
em quem votou e solicitar que a democracia seja restabelecida. “Nós
temos que fazer de tudo para barrar isso tudo que está ocorrendo no
congresso nacional. O que nos estamos assistindo não é democracia e nem
república é uma tirania. A visão clássica da Tirania: os governantes
usam os recursos dos governados como se fosse os seus. Nós vivemos uma
tirania, é isso”.
“A esquerda tem que retomar sua prática”
Questionado se uma resposta viria dos representantes dos partidos de
esquerda, o professor Romano diz que a esquerda esta muito quieta e que
há poucos membros da esquerda. “A única esperança que a esquerda retome
as suas práticas, refaça seu caminho. O PT tem Luiz Inácio com 30% das
intenções de votos, nenhuma outra liderança no cenário nacional tem
essa projeção. Caso haja algum impedimento, acidente, seja preso, não há
nenhuma outra liderança, a esquerda tem que fazer seu caminho, retomar
sua pratica”.
Os de esquerda, neste momento, a partir de Luiz Inácio, não por acaso
se uniram com Sarney. Dilma escolheu Temer para vice, esse foi um erro
gravíssimo, assumido as mesmas práticas do fisiologismo (fazer a aliança
com PMDB para garantir votos do congresso). Esse ‘realismo’ entre aspas
levou a essa situação. Eles deram a benção para prática do
fisiologismo. Isso mostra que o PT não é um partido de esquerda
unificado”, falou.
O professor diz que a esquerda precisa rever seus métodos. “Tem que
ir ao povo e deixar os palácios ( congresso, planalto e supremo). Se a
esquerda não for para a grande massa, e não romper com essa prática não
refazer o compromisso com a militância.”.
Na opinião do professor Romano os partidos pequenos (de menor
representatividade) são valorosos, batalhadores, trabalhadores mas
sempre foram com pouca representatividade. “Tem o PSol, o PSTU que não
têm maior repercussão popular, uma dimensão nacional de massas. O PT
conseguiu. Existe um ou outro representante em um Estado, em um
município porém não há uma liderança. Tem muito quebra-quebra interno.
O caso da Rede que tem uma liderança, a Marina Silva e ninguém mais”
O professor acredita que os partidos que não alcançarem
representatividade maior no cenário nacional podem desaparecer ou se
juntarem. “ O PSDB, que surgiu com os dissidentes do PMDB, neste
momento, agora, está dividido. Nada impede que uma parcela volte para o
PMDB. Os partidos não tem essa representação que alcançou o PT.”,
analisou.
“O PMDB é um partido fisiológico por opção que desgraçou o Brasil,
que quase levou a falência e que foi se recuperar bem depois com o Plano
Real: a economia mais fisiológica e demagógica possível. Foi com o
Sarney que apareceu o Centrão que é uma redefinição agora com o governo
Temer.
Roberto Romano diz que, m boa parte, crise pol´tia atual é resultado
de um acomodação da esquerda em relação ao esquema dominante do Estado
brasileiro e suas raízes absolutistas. “É estranho hoje, em golpe a
direita contra um sistema de esquerda. Boa parte dos ministros de Lula e
de Dilma pertence à direita. E tais alianças foram instituídas tendo em
vista a governabilidade”.
Alguns equívocos do comentarista econômico da GloboNews ao falar sobre os recursos necessários para a pesquisa no Brasil
–
MAURÍCIO TUFFANI,
Editor
É necessário desfazer uma interpretação equivocada e recorrente sobre
a realidade do investimento em ciência e tecnologia nos países
desenvolvidos. De acordo com essa visão, praticamente toda a pesquisa
nas universidades e centros de pesquisa nesses países seria financiada
por recursos privados. Um exemplo dessa compreensão errônea foi um
comentário do jornalista Carlos Sardenberg, no Jornal das Dez, da GloboNews, na quarta-feira (29), após a reportagem “Corte de 44% no orçamento do governo pode interromper pesquisas científicas”.
Concordo plenamente com a primeira parte da fala do comentarista econômico, que transcrevo a seguir. (Confira a partir de 2min no vídeo da GloboNews.)
As universidades federais e os
centros de pesquisa têm que passar por uma reforma estrutural, por um
modo diferente de ver as coisas, e tratar de procurar: um, mais
eficiência em seu funcionamento e, segundo e mais importante, buscar
outras fontes de financiamento que não o tesouro.
Na sequência, ele acrescenta a interpretação enganosa.
Como, por exemplo, as universidades
americanas, as universidades europeias, que vão buscar recursos no setor
privado, vendem pesquisas, obtêm financiamento privado para pesquisa e
etcetera. Com se faz, por exemplo, em Israel, que é um centro
tecnológico muito avançado e que seus institutos vivem de dinheiro
privado doado ou financiado de algum modo.”
Uma coisa é uma coisa
É verdade que nos países mais ricos e em alguns emergentes a maior
parte do investimento na atividade conhecida como pesquisa e
desenvolvimento (P&D) vem da iniciativa privada, como mostra o
relatório da Unesco de março deste ano “Global Investments in R&D”
(P&D em inglês). Na Europa, por exemplo, em mais da metade dos
países, pelo menos 40% dos recursos para P&D são da iniciativa
privada, como mostra o seguinte quadro desse estudo (pág. 5).
Distribuição
de investimentos em pesquisa e desenvolvimento na Europa por origem de
recursos e por país. Fonte: Unesco Institut for Statistics, “Global Investments in R&D”, março de 2017, pág. 5. (Clique na imagem para ampliá-la em outra janela.)
O relatório indica para o Brasil 40% de
participação do setor privado em investimentos em P&D em 2014 (pág.
4). No caso de Israel, país apontado como exemplo por Sardenberg, o
documento indica cerca de 37% de participação da iniciativa privada, e
de pouco menos de 80% para Japão, China e Coreia do Sul (pág. 6).*
Assim como os “Main Science and Technology Indicators” da Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – que indicam 37,05% de participação privada em investimentos nacionais em P&D em 2013 como dado mais recente de Israel –**,
esses indicadores econômicos do Instituto para Estatística da Unesco
estão entre as referências mais confiáveis sobre os investimentos a que
Sardenberg se refere.
Pesquisas de empresas
No entanto, esses dados não englobam apenas os recursos para a
pesquisa desenvolvida por universidades e instituições de pesquisa. Eles
incluem também, e predominantemente em alguns países, os investimentos
para a P&D realizada pelas próprias instituições privadas –
atividade que aqui no no Brasil ainda é muito restrita – e que, aliás,
para isso contratam pesquisadores, inclusive com doutorado,
pós-doutorado e outras titulações.
No caso dos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 61% do investimento
em P&D em 2014 foi da iniciativa privada. No entanto, essa
atividade envolveu também a pesquisa realizada por pelo chamado complexo
industrial-militar. E, diga-se de passagem, para gerar produtos que, no
final das contas, acabarão sendo comprados pelo governo federal.
Dinheiro público
Outro exemplo de grande investimento privado nos EUA em P&D é o
da indústria farmacêutica. No entanto, grande parte da pesquisa em
medicina e saúde desenvolvida em universidades privadas nos Estados
Unidos é custeada a fundo perdido pelos Institutos Nacionais de Saúde
(NIH), do governo federal, sem o qual não teriam sido possíveis grandes
iniciativas, como o Projeto Genoma Humano durante as duas décadas finais
do século 20.
Por falar nas universidades particulares dos EUA, é importante deixar
claro que os recursos obtidos por essas instituições por meio de
cobrança de mensalidades de alunos não são nem de longe suficientes para
bancar pesquisas. Nem mesmo com doações de ex-alunos milionários seria
possível para universidades como Harvard, Yale, Princeton, Stanford e
outras custearem suas pesquisas.
Pesquisa básica
Outro aspecto importante da atividade de P&D financiada por
instituições privadas é que ela é essencialmente voltada para aplicações
tecnológicas e não envolve uma parte muito grande da pesquisa básica.
Essa é uma atividade que abrange desde trabalhos que dispensam
laboratórios, como na matemática pura, a estudos que dependem de
estruturas de grande porte, como fazendas experimentais, centros
espaciais e outras, inclusive o Grande Colisor de Hádrons (LHC), na
Suíça, que custou R$ 10,3 bilhões e levou mais de 20 anos para ser
construído.
No Brasil, entre as grandes iniciativas de C&T ameaçadas pelo
corte de recursos está a maior obra da ciência do país, o Projeto
Sirius, do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM). A
própria existência dessa instituição também está em risco. É o que
destacou a reportagem “Crise ameaça maior obra da ciência brasileira”, também de Herton Escobar, no Estadão, que afirmou:
O prejuízo disso seria tremendo para a
ciência brasileira. O CNPEM é um conglomerado de quatro importantes
laboratórios nacionais — de Biociências (LNBio), Bioenergia (CTBE), Nanotecnologia (LNNano) e Luz Síncrotron (LNLS)
—, e todos eles funcionam como “facilities”. Ou seja, são laboratórios
dotados de equipamentos caríssimos, de alta tecnologia, que servem a
toda a comunidade científica brasileira, e também à indústria nacional,
para diversas aplicações científicas e tecnológicas. Centenas de
projetos e milhares de cientistas seriam prejudicados com a paralisação.
P&D não é tudo
Como bem esclareceu a economista Maria Margareth Negrão Pinto em 2001, em sua dissertação de mestrado na Universidade de Brasília,
É de extrema importância o
estabelecimento da diferença entre indicadores de C&T e indicadores
de P&D (…). C&T engloba, além de P&D, todas as demais
atividades que, embora não possam ser classificadas como pesquisa, são
imprescindíveis para a sua realização. Pode-se dizer assim que C&T =
P&D+ACT, sendo C&T = Ciência e Tecnologia, P&D = Pesquisa e
Desenvolvimento e ACT = Atividades Científicas e Técnicas.*
Ainda assim…
Na verdade, mesmo nesses países onde a iniciativa privada já responde
por grande parte dos dispêndios financeiros em P&D, tem crescido
nos últimos anos a convicção da necessidade de aumentar a participação
do poder público nesses investimentos, como mostra o recente “Science|Business Report”,
publicado em junho pelo programa Horizonte 2020 da União Europeia.
Referindo-se à P&D como pesquisa e inovação (P&I), o documento
afirma (pág. 4):
A P&I financiada pelo governo
também promove para a Europa vários objetivos desejáveis, embora menos
quantificáveis. Permite mudanças estruturais para uma economia e uma
sociedade mais intensivas em conhecimento, aumentando a competitividade
internacional e o crescimento da produtividade e gerando empregos de
alta qualidade. Isso promove padrões de vida mais elevados e contribui
para o progresso de sociedades democráticas e abertas. Promove a
cooperação internacional para reunir recursos e para conectar e alinhar a
ação em direção aos objetivos da UE. Ela melhora a resiliência global e
a sustentabilidade, fornecendo novas ferramentas para proteger o meio
ambiente, melhorar a saúde e promover o bem-estar social no próprio país
e no exterior.
Vale destacar ainda outro equívoco relacionado à interpretação de
Sardenberg. Sua fala aconteceu em um quadro, dirigido pela âncora Renata
Loprete e com a participação de outro comentarista econômico, o
jornalista João Borges. Logo após descrever o cenário geral referente às
contas do governo federal para este ano, com o previsível déficit
primário da ordem de R$ 159 bilhões, e imediatamente antes de dizer o
que já foi mostrado acima, Sardenberg afirmou (confira a partir de 1min40s no mesmo vídeo da GloboNews):
Esses centros de pesquisa, as
universidades federais, essa reação deles de pedir mais dinheiro pra
Brasília não vai dar em nada porque não tem dinheiro. O dinheiro “tá”
acabando. “Tá” acabando porque está indo todo para essa parte
obrigatória do orçamento que é benefícios, previdência e pessoal.
Economia burra…
Não há dúvida de que o dinheiro está acabando e não dá para cobrir
tudo. No entanto, é preciso deixar claro que o recurso solicitado para
C&T não é “mais dinheiro”, mas cerca de 44% do que já havia sido
previsto para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e
Comunicações (MCTIC) para 2017. E que a dotação total do MCTIC
corresponde a apenas 0,72% da Lei Orçamentária para toda a União, já
descontadas as transferências para estados e municípios, as operações de
crédito e o refinanciamento da dívida pública.
É por essa razão de escala que o próprio presidente da Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep), o economista Marcos Cintra, afirmou que
“o contingenciamento está sendo feito da forma mais burra possível”,
acrescentando que “ciência e tecnologia são o substrato de qualquer
desenvolvimento econômico”, como informou a reportagem “Cortar recursos da ciência é economia ‘burra’, diz presidente da Finep”, de Herton Escobar, no Estadão.
… e criminosa
No que diz respeito ao MCTIC, “mais dinheiro” significa pouco menos
de R$ 2,2 bilhões, os tais 44% congelados. No entanto, para impedir a
autorização legislativa para a instauração de processo por corrupção
passiva contra o presidente Michel Temer, o governo distribuiu R$ 15 bilhões em programas e emendas em meio à barganha para compra de votos de deputados.
No final das contas, como eu já havia dito neste site, não passam de
conversa fiada todas as alegações governamentais sobre dificuldades do
atual momento da economia para desbloquear o mínimo necessário de
recursos para evitar o caos nas instituições de pesquisa.
Em tempo: já que a Organização Mundial do Comércio (OMC) condenou os
incentivos fiscais para desoneração de alguns setores da indústria, por
que o governo não começa a aplicar recursos para P&D para essas
empresas?
* Parágrafo acrescentado às 22h, omitido no texto original for falha de edição. ** Aposto entre travessões acrescentado em 1º/set às 3h59. ** Citado por Claudemir Gonçalves Liberal em “Indicadores de ciência e tecnologia: conceitos e elementos históricos” (Ciência & Opinião. Curitiba, v. 2, n. 1/2, jan./dez. 2005, p. 139).